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O INCONSCIENTE COLETIVO

por Thynus, em 07.12.13

 

 

Aquilo a que se refere Jung como inconsciente coletivo não é a soma das mentes humanas em todos os tempos projetadas, sob a forma da energia, formando um campo psíquico único? Esta energia psíquica parece ser transformada em fantasias e, registros de memória que se transmitem geneticamente, adquirindo uma forma individual. Além disso, pode existir como energia livre em nosso meio?
Uma idéia recebe uma determinada carga energética. Uma imagem ou qualquer outra sensação, também. Tudo que é processado pela mente torna-se parte dela ou seja: energia. Se tudo o que é energia pode vir a ser matéria, e vice versa, outros universos podem ser formados à partir da mente?
Se ela processou o que viu, viveu, ouviu e sentiu, transformou isto em uma forma de energia, que é psíquica. Ela é passível de algum tipo de materialização?
O campo psíquico denominado inconsciente coletivo tem uma determinada carga energética, que corresponde à mais que a soma de todos os campos de energia psíquica de todos os habitantes da terra em todos os tempos. Mais porque existe o efeito denominado sinergismo, segundo o qual a ação simultânea de duas forças resulta numa potência maior que a soma delas
Este campo psíquico formado pela soma de todas as individualidades pode ter uma densidade específica ou talvez vários níveis dela, correspondendo à variações de caráter qualitativo nas fantasias que o compõe.
Tudo que tenha sido registrado e faça parte do inconsciente humano tornou-se carregado de energia e está em algum lugar. Se existiram na mente humana, são formas de energia, logo existem de alguma maneira, que pode ser a fantasia inconsciente. Poderíamos dizer que as fantasias tem tendência a existir. Isso porque foram investidas de uma determinada carga, e no nível subatômico a matéria mostra tendência a existir a partir da energia.
Talvez este seja também o mundo dos ancestrais, dos mortos; afinal, talvez deles só reste o registro energético, que pode estar na forma de imagens, sons, fantasias que pertenceram ao que denominamos inconsciente e que, tal como ele, estão fora do tempo e do espaço.
Claro que nós humanos não podemos ser a única forma de criadores no universo. Mas nos tornamos algum tipo de criatura transformadora de energia, capazes de projetá-la sob várias formas, tanto no mundo concreto quanto em dimensões de fantasia.
Até aqui, temos nos esforçado em dominar e compreender aquilo que é externo a nós. Parecemos nem desconfiar do infinito universo que a nós se une pelo dom especial que temos: nossas mentes inteligentes e criativas.
Muitos organismos e mentes se deterioram em situações de extrema escassez de energia psíquica e orgânica. Outras são perdidas pela falta de estímulos: capacidades humanas maravilhosas são jogadas no lixo, como imprestáveis, quando estão em indivíduos relegados ao abandono.
Não temos como escapar deste exercício de domínio e poder sobre o que é interno. Para além de quaisquer políticas, é a emoção humana quem decide sobre o mundo. É ela quem permite andar para frente, em um caminho real de progresso e saúde, ou atrasar-se em formas mais primitivas de relação. Atentados à dignidade humana são diariamente cometidos. Acontecem até mais do que atos solidários e leais, num franco indício de que as emoções humanas encontram-se em desordem.
As patologias que atingem adultos e crianças cujos cérebros estão intactos, são derivadas de alguma forma da emoção. As patologias sociais também derivam do convívio humano e das emoções que nele se despertam.
Todas as ações, de todos os homens, em relação a si e aos seus, são o que forma a qualidade da emoção do mundo. Dessa emoção, mais que da racionalidade, iniciam-se as ações que criam nossa realidade. Governos, exércitos, organizações e sistemas econômicos, cada um deles é expressão de forças emocionais que determinam a percepção que teremos do mundo, que passará a constituir nossa realidade. Desta forma estaremos sendo obrigados a admitir, tal como o próprio Freud já o percebia, que somos um mundo muito mais composto de fantasia do que admitimos. A tal ponto que talvez os orientais tenham razão em referir-se a ele como Maia ou ilusão.
Boa parte do mundo concreto em que vivemos foi construído por nós, expressa algo de nosso interior que é chamado de fantasia inconsciente, bem podendo lembrar um pesadelo ou um lindo sonho, em diferentes momentos.
Se tudo que nos cerca está tocado pela qualidade de nossas fantasias, melhor que sejam boas, amorosas e de aproximação, porque com as outras nos destruímos.
Melhor que o inconsciente coletivo esteja povoado de fantasias prazenteiras e amistosas se a cada um de nós caberá uma fatia dele.
Enquanto no mundo objetivo cargas opostas se atraem, no universo da subjetividade, que é denominado aqui inconsciente, as coisas se dão de outra maneira, os conteúdos que o constituem se atraem por semelhanças.
Esse é um princípio de funcionamento do inconsciente, uma afirmação sobre uma lei do universo interior que vale tanto qualquer lei da natureza externa.
Pois bem, sendo assim, a qualidade subjetiva de um conteúdo inconsciente é o que atrai outro igual. Estaríamos de certa forma sendo influenciados pela qualidade da fantasia predominante num meio humano.
Num grupo familiar, onde a intensa ligação afetiva permite uma melhor conexão entre os inconscientes de seus membros, pode-se observar isso com maior clareza. O membro da família que adoece mentalmente é aquele que encena e toma para si o drama familiar. Ele é o resultado aparente de uma conjunção de fatores de desequilíbrio partilhados pelo grupo.
Nada pode excluir a possibilidade de que tais fatos se repitam numa extensão maior, envolvendo membros de uma comunidade, de uma nação e da espécie.
O que talvez resulte no equivalente psicanalítico do conceito religioso e filosófico do Karma. Eis aí alguma coisa que pode se distribuir igualmente a todos os membros da espécie: o inconsciente coletivo e a qualidade das fantasias que o compõe.

(Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")

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publicado às 22:36



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