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A EMOÇÃO NO FUTURO

por Thynus, em 16.11.13

 

 

O futuro da espécie humana dependerá da qualidade da emoção que predominar entre nós. A faculdade da razão, na qual a humanidade tanto tem confiado nos últimos séculos, não se mostrou livre de falhas, nem suficiente para fazer da comunidade humana um sistema equilibrado.

A observação e a lógica que conhecemos, serve apenas para guiar-nos no que tange ao mundo exterior e seu funcionamento. Sua influência sobre nossas ações é menor do que pensávamos. As razões humanas são infinitamente maiores do que a racionalidade conhecida, que é apenas uma parte de nossa inteligência e dirige-se ao concreto.
Ainda que seja inegável sua utilidade, a racionalidade que conseguimos não abrange todas as áreas da vida, nem conhece todas as necessidades e motivações que nos formam.
 Nos países altamente civilizados, em que a razão predomina, nada semelhante ao paraíso se formou. Há tantos problemas e angústias lá, que a conclusão inevitável é que o desenvolvimento deste aspecto da inteligência é apenas parte da resposta que procuramos. Outras habilidades parecem necessárias, novas áreas da inteligência devem ser educadas ampliando formas de percepção e avaliação do mundo.
A maior amplitude de percepção e controle sobre a própria conduta, só se obtém com equilíbrio interno e, este depende da qualidade da emoção e do uso correto da energia psíquica. Um tal nível de desenvolvimento parece uma distante possibilidade para muitos. Quando se avalia a saúde das mentes, individual e coletivamente, precisamos ser realistas o suficiente para evitar as previsões catastróficas e os excessos de otimismo. Admitir que estamos distantes desse equilíbrio é inevitável. Enquanto a emoção humana estiver mantida em um baixo nível de educação e não formos capazes de lidar com seu poder, estaremos andando em círculos. A ampliação da inteligência da espécie precisa ir também na direção interna, da aquisição de poder e conhecimento sobre nossa natureza e a forma como nos relacionamos.
Vai ser difícil convencer uma sociedade, convicta de seus acertos ao ocupar-se produzindo muitos bens materiais e que se dedica a um estilo de vida tão pouco livre, cheio de restrições e comandos, a encontrar outras formas de vida. No entanto, as falhas estão cada vez mais evidentes, mesmo aqueles que recebem uma educação formal e têm suas necessidades materiais satisfeitas cometem atos de violência e autodestruição. Muitas pessoas estando no topo de suas carreiras, percebem que sua qualidade de vida não é das melhores e se sentem angustiadas e insatisfeitas.

 

A vaidade humana depende muito de desconhecermos, ou procurarmos ignorar, certos aspectos menos favoráveis de nós mesmos. O avanço da comunicação, porém, não nos dá sossego. Todos os dias há notícias de que somos um sistema perigoso, nossas mentes são capazes de criar ou destruir com igual força.. Os processos mentais têm mais poder do que se supôs até agora, não apenas sobre nosso destino, mas sobre o de todo o planeta. Essa é uma razão definitiva para adquirirmos o controle da situação. E o controle está em nós, em aplacar nossa angústia, nossas estranhas tendências e nossas condutas pouco inteligentes, dominadas por emoções mal resolvidas ou mal educadas.
É preciso concordar que há razões para temer um auto-conhecimento, o que é parte de nós tem sido aquilo que com menos freqüência podemos tolerar e controlar.
O mundo precisa resolver problemas urgentes derivados das enormes desigualdades de desenvolvimento entre os povos. As diferenças tendem a ficar menores na medida em que a educação e a comunicação avançam, cada parte do mundo toma conhecimento do que ocorre e a indignação se espalha. Nada mais pode ficar escondido por muito tempo.
Mesmo a corrupção não poderá durar tanto, há uma massa crítica criada dentro de elevados padrões de educação, que já se importa muito mais com a ética e as relações humanas e não apenas com seu bem estar pessoal. É uma geração privilegiada em informações, que recebe um mundo problemático sob vários aspectos, mas que tem, mais do que as gerações anteriores a exata noção do que acontece a seu redor.
São mais agitados, mais angustiados talvez, mas sabem o que lhes reserva o futuro; se suas ações não tenderem numa direção oposta a muito do que esteve estabelecido até aqui, sabem que terão grandes problemas.
É uma geração inteligente e que tem melhor qualidade de emoção. Protestam, são agressivos em suas posições, rompem com muitos padrões de comportamento mas estão no direito de quem tem a tarefa de construir um mundo novo e melhor.
Cada geração sempre precisa revisar a anterior, com olhos bem abertos para observar os pontos fracos e tentar fazer diferente, aquilo que for acerto preserva-se.
Atualmente as coisas parecem anárquicas, talvez a ruptura esteja sendo acelerada demais. Diferentes gerações que convivem hoje, tem dificuldades em suportar tão intensa diferenciação cultural. Nossos filhos foram mais protegidos e sob muitos aspectos receberam bem mais do que nós, em meio à tantas dificuldades alguns se sentirão frágeis. Essa descoberta da fragilidade e dos limites, em meu entendimento é algo que precisa acontecer à humanidade. Tomar contato com nossa realidade levando em conta como cada um se sente sobre o planeta, possibilitará que encontrem muitas possibilidades; terão que buscar caminhos novos, e o que buscam passa muito pela emoção, pela qualidade de vida, pela liberdade, pela ecologia, pela justiça social.
Assim, a emoção vai influenciar mais as decisões desta nova geração que começará a assumir o poder dentro em breve. Cada ação será avaliada do ponto de vista humano, de sua repercussão sobre a vida, o bem estar e os direitos de cada cidadão.
As próximas gerações tendem a apresentar uma capacidade empática bastante desenvolvida e um senso crítico saudável; elas se sentirão livres para assumir posições discordantes das gerações anteriores e para resgatar outros valores que eventualmente tenham sido perdidos e façam falta.
Lamentavelmente existe uma grande parcela desta nova geração que não recebe cuidados e educação suficiente e será atirada à pobreza e à falta de oportunidades. Num mundo onde, eles sabem que se pode viver bem melhor o vai convencê-los a abrir mão de seu direito a uma fatia de satisfação e respeito nesta sociedade? Não vejo mais a submissão nestes jovens, eles lutarão e, se a violência lhes foi ensinada a praticarão. Se sentirem-se roubados, roubarão. Não ficarão calados em guetos, não há mais como isto acontecer.
Mesmo estas emoções ligadas à revolta e indignação serão benéficas, se postas a serviço da construção de algo melhor. Se simplesmente forem direcionadas a destruir o que existe, então não teremos avanços. Quando se dá uma oportunidade, as crianças que vivem na pobreza agarram-se com unhas e dentes à ela. Existem muitos projetos funcionando pelo mundo afora, buscando resgatar essas pessoas de uma vida sem oportunidade de crescimento e aprendizado, as respostas são excelentes. Não se deixa gente abandonada porque sua emoção vai para o lado errado. Porque a emoção correta é aquela que vê o outro, que permite a paz. Isto as novas gerações perceberão.

 

Quem chega à vida adulta neste inicio de milênio é fruto uma trajetória de longos esforços humanos cujos frutos começarão a aparecer neles. Muito do passado se vai para que se erga o novo, mas o modelo bom será resgatado e os valores humanos tendem a ser abrandados para os lados do coração.
A grande esperança é que todo este mal estar represente o início da criação de um homem novo. Um ser que, apesar do desenvolvimento tecnológico, não se furta à emoção, para além das conveniências imediatas seleciona suas ações. Homem novo, revigorado, que pode chorar e sentir, que se nega a concordar com o infortúnio. Portador de emoção abrangente, ele sabe por onde andar e sabe que não anda sozinho.
O novo humano é livre para duvidar do absolutismo da lógica e dos rigores da lei, nem sempre certas nem justas, embora úteis tentativas de acerto. Neste novo homem a emoção tem lugar privilegiado, será mais educada e elevada. Isso não ocorrerá por imposições religiosas e temores de castigos, mas por amadurecimento e mérito de uma humanidade que há tantos milênios evolui. Confio nas próximas gerações, pois terão a oportunidade certa de desenvolver-se em razão e emoção, lado a lado.

 

 

(Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")

 

 

 

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publicado às 20:41



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