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ENERGIA DESPERDIÇADA

por Thynus, em 14.11.13

O mecanismo básico através do qual nossa cabeça tenta livrar-se de um conflito é semelhante à solução dada pela sociedade aos criminosos. Quando uma parte de nós, seja um desejo ou um impulso agressivo, é julgada indesejável pela nossa consciência, ela é jogada nos porões do inconsciente.
Tal como um prisioneiro que se pretenda ignorar, a idéia reprimida continua lá. Não há possibilidade de eliminá-la, apenas de mantê-la presa. A parte condenada, de modo algum concorda com sua prisão. Ficará lá apenas se mantivermos um rígido esquema de segurança com grades e guardas para contê-la. Teremos então um abalo em nossa economia psíquica para manter esse arranjo, mas isso ainda nos parecerá vantajoso.
Sempre corremos o risco de uma rebelião, uma fuga, ou que o prisioneiro se associe a alguém que está em liberdade para continuar agindo. No caso, isso se dará pelo sintoma, que sempre aparece, mesmo que de forma disfarçada.
Além disso, à noite, quando a censura relaxa, o inconsciente aparece em nossos sonhos.
Mas, os prisioneiros de nosso inconsciente são na maioria inocentes. A neurose se apoia numa justiça excessivamente rigorosa e assustada, que pune sem chances de defesa.
Se a justiça for excepcionalmente rigorosa, pode vir a gerar sérias inibições, já que quase todo nosso mundo interno estará encarcerado e, só a parte que se adapta à rigidez das normas estará vivendo livremente. Isso pode resultar em menos energia mental disponível para a aprendizagem e para a vida em geral.
A justiça dentro de nós é representada pelo sentimento de culpa, que é em todo caso necessário para que não causemos danos a outrem. Só que costuma prender as emoções e fantasias erradamente e não é eficiente em coibir a violência, que encontrará outras formas de se manifestar.
Pode também prender impulsos amorosos e nos tornar culpados de crimes que nem cometemos, basta ter desejado fazê-lo.
Esse sistema é apenas um arranjo, nascido da precariedade das defesas de uma criança, diante das exigências do meio. Não é o melhor modo de solucionar nossos conflitos, é apenas o que conseguimos fazer naquele momento. Ele falha por não conseguir inibir o desconforto mental, como pretendia, e por representar um alto consumo de energia psíquica.
Um afeto ou emoção está sempre ligado a uma imagem, idéia ou fantasia. O máximo que podemos fazer é reprimi-las. A emoção não se submete a esse encarceramento.
Dizendo de outra forma: alguém pode apagar uma lembrança mas não se livrará da emoção que ela desperta. Poderá apenas mascará-la e ela aparecerá sob uma outra forma.
Então você se pega tendo reações emocionais que não compreende. Poderá ficar muito emotivo diante de uma cena, ou ansioso, ou agressivo numa circunstância que normalmente não provocaria isso. São manifestações emocionais que não guardam uma correlação adequada com os fatos. O exemplo mais fácil de compreender são as fobias, um medo extremo de algo que não apresenta um perigo suficiente, ou muitas vezes não apresenta perigo algum.
Todo esse esquema de proteção, cria incapacidade de leitura correta da realidade. É o quer dizer a expressão governado pelas emoções. Mesmo que a aparência seja de perfeito controle e os sintomas silenciosos, toda a conduta obedecerá a motivações inconscientes que tentaremos justificar de alguma forma a nós mesmos.
Assim, o que somos obrigados a concluir é que um arranjo rigoroso, onde uma justiça interior age com mão de ferro, tem sido usado até aqui. Foi a forma como a humanidade conseguiu controlar seus impulsos menos desejáveis e obrigar-se a seguir os caminhos da cultura. É, contudo, um método primitivo. Sua eficácia é pequena e seu consumo energético excessivo.
Por isso, estamos tentando encontrar outra maneira de funcionar, em que o inconsciente deixe de ser um porão cheio de degredados. O inconsciente deve então, deixar de ser um local inacessível e mantido assim à custa de energia que deveria estar disponível à consciência. Na verdade significa que precisamos encontrar um meio de expandir a consciência para que nos tornemos mentalmente mais potentes.

 

(Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")


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publicado às 21:03



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