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INCREMENTO DA VIOLÊNCIA

por Thynus, em 14.11.13

Deve abrigar muitos aspectos, pensei na perda da esperança. Insegurança e insatisfação continuadas levam a perda da esperança. Não se tira a esperança de um povo ou de um indivíduo, sem ela estamos mortos, nossa relação com a vida se deteriora, nosso potencial criativo e produtivo se esvai.
A esperança é o motor de quaisquer realizações. A sua perda é o incentivo a todas as formas de deterioração, entre elas a violência e o desejo de romper o contato com a realidade desfavorável. A vontade de sair do mundo. Mas não dá para sair e ele não pára.
Precisamos cada vez mais de momentos de afastamento do caos. Há muitas formas de fazer isso e uma das soluções mais procuradas tem sido o uso de drogas. Álcool sempre foi consumido em escala significativa e é reconhecidamente um facilitador da violência. Violência no trânsito, violência doméstica, todos os tipos dela. Cresce o contingente de mulheres que abusam do álcool , geralmente dentro de suas casas, mas com efeitos de irrupção de agressividade contra os filhos, coisa que antes costumava acontecer somente aos homens. O crack e a cocaína deterioram o comportamento e são altamente potencializadores de violência.
Continuo atribuindo, em última instância, todos estes comportamentos à perda de esperanças nessa realidade e ao desejo de conexão com outra.
Tais substâncias alteram o juízo de realidade abolindo toda e qualquer censura ou oposição moral do próprio indivíduo.

O comportamento agressivo é também uma mazela transmitida de uma geração a outra. Crianças que sofrem agressões até os cinco anos de idade tem enorme chance de se tornarem adultos violentos. As circunstâncias externas desfavoráveis fazem crescer uma agressividade latente que a  droga libera e potencializa.
Os impulsos destrutivos são freados por duas situações: o juízo moral da própria pessoa que condena a ação violenta, e o temor da represália, a contenção externa. Parece que temos tido um decréscimo nos fatores inibidores e um acréscimo nos geradores e facilitadores de comportamentos agressivos.
É outra falha evidente nos ideais da civilização, estamos mais agressivos que os irracionais.
Até aqui estamos falando de situações de agressividade extrema, com lesões corporais e atentados à vida. Há também as pequenas agressões do dia a dia, o comportamento irritadiço e explosivo, o popular mau humor, que nos atinge como peste, dando sinais de que nosso psiquismo se encontra prejudicado, funcionando mal em algum ponto.
Muitos estão assim pelas ruas da cidade e não agiram sempre dessa forma, não é um traço de personalidade, é um comportamento atual, surgido sob determinadas circunstâncias estressoras, agudas ou crônicas.
Um tipo de comportamento social em que todos ao redor passam a ser identificados com o estado de mal estar que vivenciamos. Até porque, parecem mais competidores e alguém que nos ameace do que possa nos beneficiar. Esperamos a agressão do outro porque já criamos uma expectativa nesse sentido, que nasce da experiência de se Ter sido repetidamente agredido. Essa talvez seja a pior forma de perdermos a esperança, não esperarmos outra coisa do meio e das pessoas além de agressão.
Parece necessário, nos dias em que vivemos, sair um pouco da análise individual e partirmos para analisar uma conjuntura, uma vez que a sintomatologia atinge tão elevada incidência.
Já podemos falar de uma sociedade doente, ou mais agudamente doente do que em épocas anteriores. Os eventos vitais e o meio social sempre foram importantes na manutenção ou rompimento do equilíbrio psíquico. Em todos os tempos sempre se pode identificar fatores desencadeantes do desequilíbrio.
Hoje a questão é que um número crescente de pessoas estão tento seu equilíbrio rompido, o adoecer cresceu demasiado para que continuemos a analisar apenas os fatores individuais.
Mesmo em relação ao abuso de drogas, sabemos que há certos traços de personalidade comuns aos chamados adictos, mas como foi que cresceu tanto esse número? Não teríamos que considerar fatores sociais? Não teríamos que pensar na hipótese de que viver nesse mundo tenha se tornado por demais angustiante para muitos? E que então as substâncias capazes de alterar isso sejam naturalmente mais procuradas?
Se não posso mudar o mundo, posso ao menos mudar a percepção que tenho dele e obter algum prazer que não estou conseguindo sozinho.
Álcool e drogas são freqüentemente utilizados como “tratamento”, tranquilizante para quem está ansioso, estimulante para quem está deprimido, desinibidor para o tímido.
Quanto mais cresce a angústia do viver e quanto menos eficiente é a sociedade em nos oferecer segurança material e emocional, mais desejaremos estar fora dela e buscar alternativas que nos aliviem, além de, naturalmente desenvolvermos intensa agressividade contra tudo aquilo que identifiquemos como responsável pelo nosso mal estar.

 

 (Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")


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publicado às 20:27



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