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Honduras, El Salvador, Venezuela e Guatemala encabeçam a lista de mais assassinatos por 100 mil habitantes, diz relatório das Nações Unidas.

 

UN Development Programme (UNDP) Administrator Helen Clark (left) speaks at the launch of the 2013 Latin America Human Development Report. Photo: UNDP/Fabrice Grover

 

 

A América Latina é a zona mais desigual e insegura no mundo, precisando de instituições que estimulem o crescimento económico sustentável, a segurança e a justiça nos vários países, alerta um novo relatório das Nações Unidas.

De acordo com o relatório Citizen Security with a Human Face: evidence and proposals for Latin America, dado a conhecer na terça-feira, apesar de ter registado na última década algum crescimento económico, a América Latina viu também disparar as taxas de criminalidade, com mais de 100 mil assassinatos por ano. O documento excluiu os países de língua inglesa por já terem sido alvo de análise num outro estudo.

Assim, na lista entram 18 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Destes, Honduras, El Salvador, Venezuela e Guatemala são considerados quatro dos cinco países mais violentos do mundo tendo como referência o número de assassinatos por 100 mil habitantes. Se os países de língua inglesa fossem incluídos, a América Latina teria oito países no top ten.
Entre 2000 e 2010, a taxa de assassinatos na região cresceu 11%, enquanto na maior parte das regiões do mundo caiu ou pelo menos estabilizou. Ao longo da última década, mais de um milhão de pessoas morreram na América Latina e nas Caraíbas na sequência de violência criminal. De acordo com os dados avançados no relatório, só os assaltos triplicaram em 25 anos. Num dia típico nesta zona do globo, 460 pessoas sofrem as consequências de actos de violência sexual — na sua maioria mulheres.
“A segurança dos cidadãos é um assunto sensível que preocupa muitos decisores políticos e que está espelhado à cabeça nas campanhas eleitorais”, diz a responsável pelo programa de desenvolvimento das Nações Unidas, Helen Clark, num comunicado. Clark diz que tanto na América Latina como nas Caraíbas é fundamental criar um ambiente de paz, “sem o qual não há desenvolvimento”. Nas contas da organização, o ambiente vivido travou o crescimento do Produto Interno Bruto da região em 0,5%, o que corresponde a qualquer coisa como 24 mil milhões de euros tendo como referência o ano de 2009.
O relatório destaca seis pontos essenciais que estão a contribuir para o cenário negro da região: criminalidade nas ruas, violência e crimes contra jovens, violência de género, corrupção, violência cometida por actores públicos e criminalidade organizada.
Rafael Fernandez de Castro, que conduziu o relatório, diz, por seu lado, que a criminalidade organizada, nomeadamente o tráfico de droga, é normalmente o exemplo dado à cabeça, mas defende que “a dinâmica é muito mais diversa” nestas regiões. Além disso, garante que uma das lições que o relatório traz é que as políticas demasiado repressivas ou restritivas para combater a criminalidade têm um efeito contraproducente, tendo a sua implementação em alguns países coincidido com as mais elevadas taxas de criminalidade.

Imagem do Rio de Janeiro onde a violência tem aumentado nos últimos meses (Ricardo Moraes/Reuters)      

 

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publicado às 18:04



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