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A Oração ao Deus Desconhecido

por Thynus, em 13.11.13

 

Antes de prosseguir em meu caminho
e lançar o meu olhar para frente uma vez mais,
elevo, só, minhas mãos a Ti na direcção de quem eu fujo.

 

A Ti, das profundezas de meu coração,
tenho dedicado altares festivos para que,
em Cada momento,
Tua voz me pudesse chamar.

 

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras:
"Ao Deus desconhecido".
Seu, sou eu,
embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.

 

Seu, sou eu,
não obstante os laços que me puxam para o abismo.

 

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo.
Eu quero Te conhecer, desconhecido.
Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.
Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer,
quero servir só a Ti.

 

Autor: Friedrich Nietzsche
Tradução e interpretação: Leonardo Boff

 

 

 

Alguém escreveu:

“Deus está morto!”— assinado Friedrich Nietzsche

Veio outro alguém e escreveu:

“Nietzsche está morto!”— assinado Deus.


Ora, o “Deus” que para Nietzsche morreu foi o “Deus” que já nasceu morto: o “Deus” da religião.

Nietzsche não cria na morte de Deus-Deus. Aliás, para ele, essa não era uma questão passível de comprovação ou discussão, nem para afirmar e nem para negar.

Nietzsche sabia que assim como a verdade, Deus só pode ser provado existencialmente, e, jamais elucubrado ou sistematizado.

Quando Nietzsche declarou que Deus estava morto, ele se referia ao ‘Deus do Cristianismo’, o qual, já nasceu morto; posto que surgiu como uma criação humana fadada ao esclerosamento e à morte.

E mais: a Oração ao Deus Desconhecido, é uma confissão de amor ao que Ama, e é a declaração de uma alma que, mesmo enlouquecida de desejo de verdade, sabe que Aquele que é, sabe quem ele é — apesar de todos os véus de linguagem que ‘aparentemente’ fizessem separação entre ele e Deus.

Certamente Nietzsche está sob as misericórdias de Jesus. E hoje ele sabe do Deus pessoal, não como uma categoria congelada de uma Existência que sabe de Si e que á capaz de amar. Mas sim como Amor mesmo. Deus não é uma pessoa que ama. Porque Ele é amor é que Ele é pessoal, mas não uma Pessoa Fixa, conforme nossas categorias de pessoalidade, todas tendo o homem como referência de “pessoa”.

Portanto, o “Deus” que Nietzsche quis matar tem que morrer mesmo!

Esse “Deus” das virtudes do judaísmo, do cristianismo e do islamismo — é o grande promotor das guerras e das desarmonias vistas e vomitadas neste planeta moribundo.

Esse “Deus” é a morte da terra.

Esse “Deus” não é Deus.

Esse “Deus” tem sido frequentemente um diabo.

Esse “Deus” tem que morrer.

Nele, que É; e que amou Nietzsche mesmo em sua maior loucura; pois, por que o supremo Louco não amaria um ser enlouquecido pela busca da Verdade de Deus, e que é loucura para os homens?

 

Caio Fábio

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publicado às 00:14



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