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A criança é um devir. Uma potência criadora que joga o jogo de principiar o novo, como afirma o filósofo Nietzsche. Como principio de seu próprio jogo, a criança é uma singularidade não capturada pelas forças assinaladoras, segmentadoras e imobilizadoras manifestas nos preceitos e normais milenares dos costumes e hábitos que obstruem a vida que ela é. Em seu jogo a criança nunca é esperança. “A esperança é uma alegria instável, nascida da imagem de uma coisa futura ou passada, de cujo resultado duvidamos”, diz o filósofo Spinoza. Nisso, a esperança é uma paixão triste, posto que a dúvida é efeito do medo. Daí que onde há esperança há medo. E onde há medo não existe presente construtor.
Porém, a criança como um ser que joga sua original singularidade de ser única, não se encontra livre do mundo que lhe rodeia, ela luta até quanto pode para escapar do inconsciente psicótico dos adultos que lhes querem bem modelada, como afirmam os filósofos Deleuze/Guatarri. Mas como a criança ainda não possui uma faculdade de discernimento capaz de lhe auxiliar para que ela não seja vitimada por essa dor psicótica, um dia ela é capturada. Capturada, mas não vitimada de todo. Há ainda em si o devir/criador, a hecceidade, o informe, os fluxos, as linhas de fugas criadoras que a conduz por zonas de indiscernibilidades, o meio por onde se processa a alegria da vida, que esses adultos psicotizados não conseguem, paranoicamente, eliminar.
Assim, a criança é sempre um processual continuum, mesmo quando encontra-se submetida às forças de adultos capturados, modelados, registrados, serializados e normatizados pela subjetividade laminadora do capitalismo mundial integrado(CMI). Adultos que entregaram suas liberdades, à esse princípio de equilíbrio social em troca da ilusão do consolo, do amparo, do conforto e do reconhecimento, que suas existências escravizadas necessitam, como tristes sujeitos-sujeitados cheios de esperanças.

A CRIANÇA ESPECTRO DA GLOBO
A Rede Globo propaga exatamente esse princípio de valores representado na subjetividade semiótica do capitalismo mundial integrado que assinala, com seus códigos comunicacionais fetichista, tudo que ela se apropria. Por essa razão, a Globo, não trata a criança como um devir criador. Trata-a como uma projeção de suas ambições fetichistas do mundo do lucro, onde tudo é mercadoria. Assim, a criança propalada pela Globo não é criança, mas, tão somente um espectro, que amparado  pela UNICEF, que tenta passar um comprometimento com a melhoria da humanidade. Tudo que não pode realizar, visto que trata com um mundo absurdo das fantasmagorias dos valores do capital(Marx).
A prova mais evidente está em sua compreensão em fazer meios de comunicação. No caso em vigor, televisão. A grade de programação da Globo por si só é uma irrefutável constatação de que ela não possui corpus epistemológicos e éticos para produzir uma programação que auxilie na produção de cidadania. Ela não apresenta para população brasileira nenhum signo que se possa tomar como serviço público e disciplina cívica que é o ser de um veículo de comunicação democrático. A Globo, não expressa o fator educação. Sua grade de programação é uma total violência contra a criança sem esperança. A criança devir. A criança cujo brincar é seu principiar ontológico que lhe tornará um cidadão sujeito construtor de sua história. Todos os programas ditos infantis da Globo, não seguem as faculdades imaginativas e cognitivas da criança Todos eles são aparelhos de possessão da mente infantil para prepará-la para ser um bom consumidor quando adulto.
São 25 anos de total possessão da mente da criança, em um macabro ritualismo, cujo único objetivo é lucrar. Tivesse a Globo, nesses 25 anos, acabado com todos os seus programas ‘xuxiados’, ela teria contribuindo, um pouco, para que a criança não tivesse esperança, mas vivesse seu presente com alegria e segurança. Mas a Globo não pode tomar essa decisão racional, visto carregar a compulsão pela dor da tirania e da escravidão.
A filósofa Hannah Arendt, diz que a autoridade de uma pessoa é produzida no momento em que, racionalmente, ela se responsabiliza historicamente pelas gerações que encontra em sua vida. Responsabilidade pelo mundo que será entregue às novas gerações. Que por sua vez, também passarão à ser responsáveis pelo mundo. Eis a autoridade. Nada que se consegue através de um rito de passagem, uma outorga por ser adulto, ou representante de uma instituição. Mas um estado que se produz através da razão e do diálogo. O que leva a filósofa a afirmar que todo àquele não tem responsabilidade pelo mundo não deve se envolver com a educação das crianças e muito menos ter filhos.
Assim, a Globo não tem autoridade para tratar do tema criança. Ela nunca teve a responsabilidade histórica pelas gerações que se sucederam diante de seu vídeo. Muito pelo contrário, ela contribuiu massiçamente para criar um universo pavoroso de alienados que hoje lhe seguem como zumbis, mostrando para seus descendentes a mesma tela horripilante que lhes transformou em espectros.
No mais, a Criança Esperança da Globo, é a representação estúpida da soma da irracionalidade da emissora, mais os “artistas” alienados, e a culpa social de alguns telespectadores. Tudo que não atinge a criança/devir. A criança que nenhum afeto triste do adulto pode rimar com esperança.   

(#dilmanarede)

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publicado às 06:09


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