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IMPERATIVO

por Thynus, em 12.11.13

 

 

Os mandamentos éticos são formulados numa linguagem imperativa. Este imperativo é às vezes positivo, como em “honrarás pai e mãe”, e às vezes negativo como em “não matarás”. A linguagem imperativa é por sua vez uma parte da linguagem prescritiva. No entanto, no todo, a linguagem ética é imperativa. Os juízos de valor moral, por exemplo, que pertencem também à ética, são formulados em linguagem valorativa. Por sua vez, os imperativos podem ser de diversas espécies. Por exemplo: por exemplo, singulares e universais, ou —como Kant indicou -- hipotéticos (ou condicionais) e categóricos (ou absolutos). Na ética actual tem-se discutido sobretudo a índole lógica das expressões imperativas. Alguns autores têm declarado que, como os imperativos não são enunciados (os quais se exprimem no modo indicativo), não dizem nada e, por conseguinte, ficam fora de toda a ciência. Segundo esta teoria, os imperativos exprimem apenas os desejos da pessoa que os formula.
Para Kant, “a concepção de um princípio objectivo, na medida em que se impõe necessariamente a uma vontade, chama-se um mandamento, e a fórmula deste mandamento chama-se um imperativo”. O imperativo é uma regra prática que se dá a um ente cuja razão não determina à vontade.
Kant subdivide os imperativos hipotéticos em problemáticos (imperativos de habilidade) e assertóricos (ou imperativos de prudência, chamados também pragmáticos). Os imperativos categóricos não se subdividem porque todo o imperativo categórico é, por sua vez, apodíctico. De facto, todo o imperativo que mande incondicionalmente como se o ordenado fosse um bem em si, é categórico. Encontram-se em Kant diversas formulações do imperativo, que foram logo classificadas Assim:
1) “obrar só de acordo com a máxima pela qual possas ao mesmo tempo querer que se converta em lei universal” (fórmula da lei universal);
2) “obrar como se a máxima da tua acção devesse converter-se pela tua vontade em lei universal da natureza” (fórmula da lei da natureza);
3) “obrar de tal modo que uses a humanidade tanto na própria pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre por sua vez, nunca simplesmente como um meio” (fórmula do fim em si mesmo);
4) “obrar de tal modo que a tua vontade possa considerar-se a si mesma como constituindo uma lei universal por meio da sua máxima” (fórmula da autonomia);
5) “obrar como se por meio das tuas máximas fosses sempre o membro legislador num reino universal de fins” (fórmula do reino dos fins).
Tem-se dirigido várias objecções à doutrina kantiana do imperativo categórico. Entre ela há que separar as que se referem às suposições a partir das quais se formula o imperativo categórico. Tem-se indicado, com efeito, que uma ética como a kantiana é uma ética rigorista, que nega a espontaneidade da vida e adscreve valor apenas ao facto contra os próprios impulsos. O imperativo categórico seria, de acordo com estas objecções a consequência da universalização de tal rigorismo ético. Tal objecção é formulada por sua vez a partir de diferentes pontos de vista: sociológicos (o imperativo categórico é a chave de uma ética do homem burguês), teológicos (o imperativo categórico é o ponto culminante de uma ética puramente autónoma, que atribui ao homem a possibilidade de fazer o bem sem uma graça divina), psicológico-filosóficos (o imperativo categórico faz depender a ética exclusivamente da vontade, sem atender a outras possibilidades de compreender os valores éticos), ou filosóficos (o imperativo categórico é um imperativo da razão, que pode ser contrário aos imperativos da vida).

(JOSÉ FERRATER MORA - DICIONÁRIO DE FILOSOFIA)

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publicado às 03:32



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