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AMBIENTE SOCIAL E PERDAS

por Thynus, em 10.11.13

Podemos discutir muitas, talvez infinitas situações de desequilíbrio em nosso cotidiano. Não é necessário buscarmos uma causa para o aumento da incidência de depressão num fator ambiental, exceto se estivermos falando de ambiente social.

Passemos a uma questão já há muito discutida e exposta por Sigmund Freud em seu artigo “O Mal Estar na Civilização”: o quanto nossos papéis sociais podem ser desconfortáveis.
Do mesmo autor é o postulado básico da psicanálise que nos diz que a depressão ou melancolia se origina numa perda.
Esta perda inicialmente refere-se a uma pessoa querida ,importante para o indivíduo a ponto de que, a privação de sua presença ou de seu afeto e atenção, sejam geradores de significativo sofrimento psíquico.
Posteriormente em nossas vidas teremos muitas oportunidades de, novamente, passarmos por situações de perda. Elas não precisam referir-se exatamente a pessoas mas a situações, lugares, status, saúde , habilidades, auto imagem etc.
Pode representar a perda de si próprio, perda de identidade; pode referir-se a perda da liberdade, ou de valores que são caros ao indivíduo.
Acredito que tenhamos muitas perdas a analisar, como sociedade ou individualmente.
Perdemos a tranqüilidade, a segurança para andar pelas ruas, a certeza de que teremos como sobreviver perdemos a elegância em muitos aspectos, a delicadeza, a confiança no outro, nas instituições.
Perdemos as férias, os pequenos prazeres de cada dia foram cortados pelo orçamento estreito. Perdemos estabilidade, poder aquisitivo, esperanças. E perdendo, acabamos por perder também a paciência. Começamos a desenvolver aquela desagradável sensação de estar pagando mico. Essa é a classe média brasileira que vejo.
Nunca na história da humanidade mudamos nosso mundo e nossos valores com tamanha velocidade quanto no século XX.
Antes disso, uma geração vivia como sua antecessora e ainda transmitia seus valores quase intactos à próxima.
As coisas evoluíam mais lentamente e o impacto das mudanças era tão diluído que dificilmente poderia ser um fator de estresse importante para nossos antepassados, como é para nós.

Hoje podemos ver três gerações envolvidas numa relação familiar onde os valores serão freqüentemente opostos ou muito divergentes.
Isso distancia. Família é uma associação que pressupõe intensa ligação emocional.
É difícil para a pessoa idosa compreender o comportamento liberal da filha, na faixa dos trinta anos, economicamente independente, solteira, preocupada com sua carreira acima de tudo e pouco interessada num relacionamento amoroso mais duradouro.
É bem provável que a moça também se irrite com a lentidão e os valores da mãe.
Esse é apenas um exemplo que quer dizer mais ou menos o seguinte: se três gerações vivem em uma casa, são três ideais distintos, três juízos de valor, três visões de um mesmo mundo.
Para cada geração há um padrão de comportamento ideal .O que para uma é correto e desejável para a outra pode ser vergonhoso e inaceitável à auto estima . E se a diferença pode e deve trazer o progresso e a evolução se baseia na mudança, é preciso descobrir em que grau e velocidade somos capazes de absorver tudo isso sem afetar nosso equilíbrio emocional e nossas relações interpessoais. Não podemos perder todas as relações e todos os valores de uma hora para outra sem nos desestruturarmos.
Por isso mudanças, quando envolvem nossa libido, nossos amores mais profundos, precisam levá-los em consideração ou serão devastadores. Terão impacto negativo sobre a saúde humana e de qualquer outro animal que se sinta ameaçado, privado de sua identidade e ou exposto a perdas maciças.

 

 (Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")

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publicado às 02:04


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