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DUALIDADE

por Thynus, em 03.11.13

 

 

Somos constituídos de tendências amorosas e agressivas. Em cada um de nossos atos elas se mesclam em quantidades variáveis. Situações de equilíbrio e satisfação de nossas necessidades despertam a lembrança daquilo que se liga predominantemente à libido e a sensação correspondente é o prazer. Situações de privação e agressão geram emoções opostas, mobilizam fantasias de aniquilamento e morte e toda a angústia que as acompanha.
Todos temos registros de ambas as situações em nossas mentes, alguns conscientes outros não. Tudo o que acontece externamente tem o poder de mobilizar nossos conteúdos internos, por semelhança.
Da mesma forma, esses conteúdos mobilizados tendem a produzir ações correspondentes sobre o meio. Isso corresponde mais ou menos aquilo que percebemos intuitivamente como: o que é bom chama o que é bom e inverso é verdadeiro.
Agimos de acordo com o princípio de realidade, mas a ele agregamos as nossas fantasias. Como disse antes, o homem em sua complexidade não se limita a observar o que de fato ocorre à sua volta, como os animais irracionais. Na mente humana existe todo um mundo novo: as fantasias. Para existir elas se valem da memória de fatos e emoções e associam-se à necessidades. Podemos então alucinar ou ter devaneios sobre o que desejamos ou tememos.
A existência da fantasia tornou por demais complexa a compreensão da realidade e facilmente se pode falseá-la. Se algo no exterior suponhamos uma situação desfavorável, mobiliza em mim fantasias de caráter desagradável em que me sinta ameaçada de alguma forma, tenderei a avaliar o que ocorre naquele instante com a mesma emoção e falsearei a realidade se esta emoção me comandar. Assim posso ter uma reação que seja completamente inadequada para a ocasião.
Nisso reside à importância do equilíbrio entre experiências de satisfação e frustração. São elas que criam as fantasias que armazenamos para construir nossa estrutura mental, que constitui-se numa dualidade. Se tivermos um predomínio de registros desfavoráveis, haverá mais angústia e mais agressividade em nossas tendências. Projetaremos isso no mundo e nos relacionaremos com ele à partir deste ponto de vista.
As fantasias amorosas são o motor de toda atitude construtiva e de todo equilíbrio que experimentamos porque se ligam à vivências de satisfação e se acompanham da sensação de bem estar. Estão associadas a cuidados recebidos e atendimento as nossas necessidades físicas e emocionais na tenra infância quando sentíamos nossa vida assegurada e nenhuma ameaça ou tensão. Sentíamos ser fonte de prazer para alguém.
Ao contrário, quando sentimos frio, fome ou desconforto e ninguém vem em nosso socorro, a angústia pela vida nos invade. Somos então agressivos, gritando para que nos atendam. Este é o primeiro modelo psíquico de tensão e desequilíbrio que gera as fantasias correspondentes de destruição, perigo e medo.
Pela vida a fora sentiremos serem mobilizadas ambas as tendências em nós, destrutivas e amorosas. Um excesso de sensações de insatisfação e desprazer produzirão uma tensão mental perigosa, uma ameaça de ruptura e a emoção da voracidade. Estas experiência são as responsáveis pela insanidade em nossos atos e pensamentos.
Nós homens, criamos um mundo só nosso, que pode ser considerado louco sob alguns aspectos. Nossas criações refletem nosso mundo interno e ele é dividido entre situações de equilíbrio e desequilíbrio. Amor e ódio.
Imagino que nosso destino seja dependente de podermos fazer prevalecer o estado de equilíbrio e bem estar fortalecendo o que é libido.
A libido não precisa ligar-se apenas a outro ser humano mas a tudo que para nós represente satisfação. Podemos ligar nossa energia amorosa àquilo que é capaz de nos despertar sensações de prazer, preferencialmente ao que não nos cause dano.
Apreciar a arte e a natureza, realizar trabalho criativo é satisfazer nossos impulsos amorosos e encontrar uma via de expressão construtiva para os agressivos; um arranjo desta natureza fortalece nosso psiquismo.
No estado normal das coisas o que lembra vida mobiliza energia libidinal e potência. O que lembra morte e destruição mobiliza angústia, agressividade e desequilíbrio.

(Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")

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publicado às 21:45



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