Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Com a entrada de dois bilhões de novos trabalhadores, chineses e indianos, no mercado mundial algumas conseqüências serão inevitáveis. De um lado, a produção cada vez mais intensa de bens de consumo durável a preços decrescentes e a compressão dos aparatos tecnológicos, diminuindo o tamanho e o peso, para ganhar em escala. Para quem não entende de tecnologia, basta observar o que acontece na evolução dos telefones móveis celulares. De outro lado, a diminuição geral do valor dos salários provocada pelo excesso de mão-de-obra mundial e o corte de benefícios e garantias trabalhistas conquistadas ao longo do século XX.

As formas de produção na Ásia provocarão o fechamento e a transferência de muitas indústrias no Ocidente. Os orientais produzem mais e a um custo menor. Os produtos em geral, tornam-se descartáveis, especialmente porque ficam obsoletos em velocidade crescente e, não raro, são de única utilização.

Para tentar ganhar competitividade, as indústrias ocidentais terão que adotar métodos de produção similares aos orientais. O problema é que isto significará baixar padrões de renda, e conseqüentemente, de consumo no lado de cá. E se isto acontecer, quem comprará a produção do lado de lá?

A lógica do mercado global é esta: aperfeiçoar recursos, baixar custos, reduzir mão-de-obra e aumentar a produção. Se todos seguirem este caminho a equação se desequilibra.

Dizia o empresário que durante vida se tira da terra ou se tira de alguém. Se a população mundial, na sua maioria, já não pode tirar da terra, é obvio que se está tirando de alguém. A mais valia, num raciocínio simplista, é isto aí.

O avanço da produção mundial tem significado a devastação do ambiente natural. Por enquanto, apesar de todos os alertas, a tendência é a destruição ambiental.

Por mais que se queira acreditar que o crescimento econômico trará melhores condições de vida para uma determinada comunidade, e isto aconteceu em vários países ao longo do século passado – vide a evolução dos escandinavos – é difícil imaginar que o fenômeno possa ocorrer numa dimensão planetária. E se ocorresse, não haveria estoque de recursos naturais suficiente para possibilitar, aos quase sete bilhões de habitantes, o mesmo nível de consumo do chamado primeiro mundo. Logo, alguma coisa está errada na equação global.

No meu entender, as sociedades que desejarem fugir desta catástrofe econômica e ecológica deverão procurar outras formas de produção e convivência. Não sei exatamente quais. Mas, certamente não será dentro da atual lógica do mercado, pois ele tem sido devastador.

(Paulina Siqueira - Prfª. Geografia – Pós-Graduada em “Gestão Planejamento e Educação Ambiental “e “Educação de Jovens e Adultos – EJA”.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:50



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D