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Sonhos eróticos

por Thynus, em 30.10.13
O urologista Sidney Glina afirma que os homens passam 20% do tempo de sono com o pênis em ereção (ou seja, 20% do tempo de sono é descontado para o patrão, mas, no caso de festa no AP, aí dobra a percentagem dos descontos). "Podem ocorrer várias, mais precisamente durante o sono REM (estágio no qual ocorrem os sonhos), e duram de 30 a 40 minutos cada uma." Segundo o especialista, o homem só percebe a ereção quando desperta no meio da noite com vontade de fazer xixi, por exemplo.
(Thais Carvalho Diniz)

 

A linguagem dos sonhos não deve ser interpretada de forma concreta, sobretudo aqueles que trazem imagens oníricas sexuais. A linguagem sexual é de natureza arcaica, cheia de analogias, sem necessariamente coincidir, todas as vezes, com um conteúdo sexual verdadeiro.(C. G. Jung, Obras Completas, Vol. VIII, par. 506.)
A maioria dos sonhos eróticos apresenta aspectos da sexualidade do sonhador que necessitam de uma melhor percepção e orientação do ego vígil. Eles são comuns e, às vezes, deixam o sonhador com uma sensação de culpa, principalmente quando causam bem estar. Há, porém, situações oníricas tão reais que provocam no sonhador sensações semelhantes a uma relação sexual, o que tende a aumentar sua libido nesse campo.
Há estudos sobre a vinculação da atividade sexual do sonhador imediatamente anterior ao sono, com seus sonhos. Foi verificada correlação entre a atividade sexual anterior ao sono e o tipo de sonho, porém sem qualquer preponderância a outras atividades normais. Os desejos sexuais desempenham um papel relevante na atividade onírica tanto quanto os outros desejos do sonhador. A fome, a ansiedade, a sede, a necessidade de descanso, o desejo de poder, etc., desempenham idêntica influência nos processos oníricos, salvo quando o sonhador lhes atribui uma particular importância específica em sua vida.
O sonhador deve sempre contar seu sonho erótico a alguém de confiança a fim de diminuir a tensão por ele provocada. Deve não ter vergonha de falar o que houve no sonho, pois se tratam de símbolos e como tais devem ser vistos. Sonhar fazendo sexo com alguém não se refere à pessoa real, mas à imagem que se tem dela.
Do ponto de vista psicológico, os sonhos eróticos geralmente representam tentativas de diminuir a distância emocional entre os que dessa forma se relacionam nas imagens oníricas. Denotam união e transformação em curso. Às vezes, referem-se a uma mudança na relação transferencial.
Às vezes podem se dar pela falta de atividade sexual do sonhador ou pela mesma atividade noturna.
Nem todo sonho erótico diz respeito à vida sexual do sonhador. Jung opinava (Quinta Conferência de Tavistock, Vol. XVIII/1, par. 331) que a fantasia erótica poderia ocorrer na relação transferencial para preencher o vazio entre o analista e o paciente quando não existissem pontos comuns entre eles. Da mesma forma, o sonho erótico poderá estar preenchendo um vazio na relação inconsciente entre analista e paciente.
Na adolescência ocorrem situações em que o sonhador é levado ao orgasmo durante o sono. Isso não deve preocupá-lo. O organismo está em fase de intensa atividade hormonal, o que pode provocar aquela reação fisiológica durante um sonho, cujas imagens apresentem conteúdo erótico.
Não seria apenas a repressão da libido o que provocaria um sonho erótico. É certo que toda repressão provoca a necessidade de uma conseqüente liberação de energia, porém a libido represada poderá acarretar um sonho erótico tanto quanto uma necessidade de estabelecer um vínculo mais íntimo com algo ou alguém.
Sonhos onde partes eróticas do corpo se apresentem nuas podem significar uma certa repressão do sonhador em relação à sua sexualidade.
É muito comum o surgimento de símbolos ou temas religiosos ao lado de imagens eróticas nos sonhos. Isso pode se dever ao mecanismo da repressão face ao papel castrador da religião como também à ligação existente, nos primórdios da humanidade, entre as duas temáticas pela conotação sagrada que se atribuía ao sexo.
Às vezes o erotismo excessivo nos sonhos pode significar uma obsessão espiritual na área do chakra genésico. O sonhador pode estar sendo vítima de espíritos perturbados e perturbadores, que tentam submetê-lo ao vício do sexo durante o sono.

Para Freud, os sonhos são manifestações do inconsciente e se todos sonham, logo, todos têm inconsciente.
 
 
 

Sonhos incestuosos
A temática do incesto é antiquíssima na Humanidade. Nas sociedades tribais primitivas era prática comum e não se constituía um problema de ordem moral como hoje. Sua passagem para essa conotação se deu lentamente em todas as culturas. As imagens incestuosas do ego onírico não devem ser tidas necessariamente com o mesmo caráter moral do ego desperto. Geralmente demonstram uma necessidade de assimilação por parte do ego desperto de atributos específicos do parceiro do contato sexual, no seu sentido arquetípico. Esses sonhos podem estar retratando, para a esfera da consciência pessoal, uma certa influência do complexo correspondente (materno ou paterno).

 
 

Sonhos homo-eróticos
É muito comum, mais do que se imagina, os sonhos apresentarem situações claras de homo-erotismo sem que o sonhador, conscientemente declare ou tenha tido qualquer comportamento que as justifique. Muitas vezes as cenas se processam com personagens familiares, parentes consangüíneos, do sonhador e, às vezes, com o próprio terapeuta do mesmo sexo, sem que a transferência tenha essa conotação consciente.
Os sonhos que apresentam imagens homo-eróticas, em que o sonhador se encontra em atitude mais íntima com uma pessoa o mesmo sexo ou na prática de um ato sexual ou algo que se lhe assemelhe, poderá estar significando:

  •  uma necessidade de uma identidade maior com aquele personagem; 
  •  uma excessiva identidade com aquele personagem;
  •  a percepção de uma tendência homossexual;
  •  um deslocamento do arquétipo ânima/ânimus.(1)

Os sonhos homo-eróticos trazem aspectos à vida consciente referentes à percepção da relação entre o ego onírico e o Self. O mito de Narciso, (Junito Brandão, Mitologia Grega, Vol. II, p. 173, Vozes, 1995) revela-nos a paixão dele pela própria imago, sombra, sob a influência de sua ânima. Nesses sonhos, o ego vígil parece estar à procura do si-mesmo, com quem intensamente busca uma integração, impossível no campo desperto.
Tenho verificado que, em muitos sonhos homo-eróticos de pacientes homossexuais, surgem personagens ou locais ligados à religião, à semelhança dos sonhos eróticos em geral. No casos de homossexuais, creio haver uma forte semelhança das figuras oníricas e dos enredos dos sonhos, com a ligação consistente que têm com a mãe. É comum o homossexual ter uma ligação muito forte com sua mãe, cuja representação ocorre nos sonhos homoeróticos.
Há estudos (Stanley Krippner, Decifrando a Linguagem dos Sonhos, p. 128) em que se detectou diferenças significativas entre sonhos de homossexuais, transexuais e heterossexuais, onde seus relatos apresentavam aspectos referentes ao dia-a-dia, porém sem qualquer modificação inerente à preferência sexual.
Os sonhos onde o sonhador esteja mantendo relações sexuais podem significar uma tentativa de mostrar ao ego desperto o que o atrai e que se encontra representado na figura do parceiro. No caso das relações homo-eróticas, da mesma forma, podem estar mostrando aquilo que complementaria o ego desperto.

(Adenáuer Novaes - Sonhos: mensagens da alma)

 

(1) Ânima
É o aspecto feminino interior do homem. Representa o
somatório das experiências do homem com mulheres (mãe, irmã,
amiga, esposa, amante, etc.). É a imagem feminina “perseguida”
pelo homem. Sua projeção inicial estabelece-se primeiramente na
mãe e depois sobre outras mulheres. É uma espécie de imago
materna que acompanha e influencia o homem por toda sua vida.
O homem tende a, inconscientemente, comparar toda mulher, que
se apresente a ele, com sua ânima. A tentativa de plasmar sua
ânima numa mulher tende a se tornar uma operação arriscada e
perigosa na vida de todo homem. Nos sonhos geralmente ela
aparece como figuras femininas sedutoras e arrebatadoras ou
mesmo condutoras do sonhador. Quando o homem se deixa
influenciar pelo arquétipo da ânima, geralmente ele se torna
melindroso e irritadiço, caprichoso, ciumento e vazio. Diz Jung
que: - “A anima é o arquétipo da própria vida.”2 Ele distinguiu
quatro grandes estágios da ânima, personificados como Eva,
Helena, Maria e Sofia, isto é, de mãe, de amante, de deusa e de
sabedoria. É nesse quarto estágio que a ânima de um homem
funciona como guia da vida interior, intervindo entre os conteúdos
consciente e inconsciente. Jung considerava importante o
confronto com a ânima para o desenvolvimento do homem.
Ânimus
É o aspecto masculino interior de toda mulher. Representa
o somatório das experiências da mulher com homens (pai, irmão,
esposo, amigo, amante, etc.). É a imagem masculina “perseguida”
pela mulher. Jung dizia que “Como a anima corresponde ao
Eros materno, o animus corresponde ao Logos paterno.”

(C. G. Jung, Obras Completas Vol. IX/2, par. 29) “O animus 
é uma espécie de sedimento de todas as experiências
ancestrais da mulher em relação ao homem, e mais ainda, é
um ser criativo e engendrador, não na forma da criação
masculina.”(Estudos sobre psicologia analítica, Obras 

Completas Vol. VII, par. 336) Daryl Sharp diz(Léxico Junguiano, 
p. 25, Ed. Cultrix, SP) que “Jung  descreveu quatro estágios do
desenvolvimento do animus numa mulher.  Ele aparece primeiramente
nos sonhos e nas fantasias como a personificação
da força física, um atleta, homem musculoso
ou bandido. No segundo estágio, o animus fornece-lhe
iniciativa e capacidade para a ação planejada. Está por
detrás de seus desejos de independência e de profissão
própria. No estágio seguinte, o animus é a “palavra” que se
personifica muitas vezes em sonhos na figura de um professor
ou de um clérigo. No quarto estágio, o animus é a encarnação
do sentido espiritual. Neste nível mais elevado, à maneira da
anima como Sofia, o animus é um intermediário entre a
mente consciente da mulher e seu inconsciente. Na mitologia,
este aspecto do animus aparece como Hermes, mensageiro
dos deuses; nos sonhos, é um guia espiritual prestativo.”
Tanto quanto da ânima, é desejável a integração parcial do
ânimus a fim de auxiliar o indivíduo a lidar com a complexidade
das relações com as outras pessoas, assim como consigo mesmo.

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publicado às 18:58



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