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Somatização dos sonhos

por Thynus, em 30.10.13

 

 

 

 

Jung coloca (C. G. Jung, Obras Completas, Vol. VI, par. 1031) que “em algum lugar a alma é corpo vivo, e corpo vivo é matéria animada; de alguma forma e em algum lugar existe uma irreconhecível unidade de psique e corpo que precisaria ser pesquisada psíquica e fisicamente, isto é, tal unidade deveria ser considerada pelo pesquisador como dependente tanto do corpo quanto da psique.”
Adam Zwig (Decifrando a Linguagem dos Sonhos, p. 81.) citando B. Siegel, em Love, Medice, and Miracles, lembra uma interpretação de Jung de um sonho de um paciente seu, em que ele vê uma lagoa e um mastodonte e é aconselhado, por Jung, a verificar se não havia algum bloqueio do fluido cérebro-espinhal.
Marie-Louise von Franz coloca (Os Sonhos e a Morte, p.120.) que alguns sonhos com cobras ou insetos, por exemplo, podem ocorrer quando há perturbações do sistema nervoso simpático e que, alguns arquétipos estão ligados a certas áreas específicas do corpo, denunciando sua situação através dos sonhos.
Sabemos que alguns sonhos eróticos em determinados indivíduos, sob certas condições, podem provocar o orgasmo, interferindo assim no organismo do sonhador. Da mesma forma, a depender do estado físico do sonhador e do tipo de sonho, ele poderá trazer ao corpo aspectos que poderão provocar doenças. Algumas doenças, inclusive, são antecipadas nos sonhos; nesse caso, eles não serão causadores, mas sinais de alerta. Podemos perguntar: – se os sonhos curam, porque eles também não poderiam causar problemas de saúde? Se eles causassem tais problemas, que mecanismo seria responsável por essa fatalidade psicossomática?
O estudo sobre a influência de sonhos traumáticos como indicadores de advertências de grave moléstia encoberta, é citado por Robert Smith no livro Decifrando a Linguagem dos Sonhos, à página 209. Para ele, esses sonhos são advertências, como uma bandeira vermelha ou sinais de perigo, do sofrimento psicológico encoberto do sonhador. Sua análise se refere a pacientes hospitalizados, não se aplicando aos sadios.
Independente das teorias sobre os sonhos, eles representam sintomas de algo que se processa num nível inacessível à consciência no instante em que ocorrem. São sintomas da atividade psíquica, como afirma Jung, quer sejam prenúncio de doenças ou não; algo ocorre, e eles avisam, abaixo do nível da consciência.
Invariavelmente os sonhos dizem mais respeito à personalidade do que ao corpo, muito embora haja aqueles que atuam como prognósticos em relação a aspectos orgânicos particulares.
Jung, no que diz respeito aos sonhos se referirem a aspectos orgânicos, escreveu (Obras Completas, Vol. III, nota 146 do par. 163.): “Os sonhos endógenos dizem respeito exclusivamente aos complexos, e os exógenos, isto é, os sonhos influenciados ou gerados por estímulos corporais que se dão durante o sono são, tanto quanto pude observar até hoje, fusões de constelações do complexo com elaborações mais ou menos simbólicas da sensação corporal.” Noutro trabalho, Jung interpreta dois sonhos de uma jovem, cujo desfecho é letal, que apresentam, segundo ele, os traços indicativos de uma doença orgânica grave, mas que não se referiam diretamente à morte, muito embora entendesse que isso pudesse ocorrer em certos sonhos. Na análise de Jung (Obras Completas, Vol. XVI, par. 343s.), vê-se a identificação, em símbolos específicos, do aspecto autodestrutivo prognosticado nos sonhos do paciente.

(Adenáuer Novaes - Sonhos: mensagens da alma)

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publicado às 18:57



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