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A vida de cada um é vivida de dentro. Todo indivíduo, do mais auto-centrado e antropocêntrico ao mais altruísta e ecocêntrico, é protagonista do seu próprio enredo. Por mais que tente, ninguém consegue ser o outro para si mesmo. Mas aos olhos dos demais, entretanto, os outros somos nós. Há um conflito entre a visão que temos do mundo e de nós mesmo
s, a partir de nós mesmos, de um lado, e a visão que os demais têm, a partir de suas próprias perspectivas internas e individuais, do outro. Os piores excessos do auto-engano na vida prática e na convivência comunitária estão frequentemente ligados à parcialidade resultante da exarcerbação do primeiro ponto de vista (interno às pessoas) em detrimento do segundo (interno às demais pessoas). Por pior que seja aos olhos dos outros, nenhum homem consegue suportar uma imagem horrível e repugnante de si mesmo por muito tempo.

A parcialidade no juízo vem de baixo e do fundo. É desagradável, mas é facto biológico: o odor do nosso próprio excremento não nos ofende tanto quanto o dos demais. O mau cheiro é a merda dos outros. "Remova a parcialidade louca de cada homem por si próprio", desafia Erasmo no Elogio, “e ele federá nas suas próprias narinas, passará a considerar tudo o que diz respeito a si mesmo imundo e repugnante”. “Conhecer-me a mim mesmo”, indaga Goethe na mesma linha , “de que me há-de servir? Se a mim me conhecesse, desatava a fugir”. Não é à toa que o “homem subterrâneo” teme e prefere não saber.

(Eduardo Giannetti in “Auto-Engano”)

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publicado às 10:26



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