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Psicólogo estuda dados de 10 mil pessoas entrevistadas anualmente durante 17 anos. Moradores próximos de áreas verdes demonstram se sentir mais felizes e com menos problemas de saúde.

Os londrinos adoram seus parques. E agora, no outono, não dá para deixar de passear por eles. As folhas caindo deixam a paisagem deslumbrante.
Olhando do alto, dá para ver que as áreas verdes ocupam boa parte da capital britânica. E um bairro tem ainda mais motivos para valorizar os seus parques e praças.
Richmond é o lugar da Inglaterra com maior expectativa de vida saudável. Homens tem saúde boa ou muito boa até os 70 anos, mulheres até 72. E é também o lugar com menor percentual de doenças e onde as pessoas se consideram mais felizes. Cada morador tem sua lista de motivos. Para algumas amigas são o ar puro, o baixo número de carros e a paisagem bonita. “É a natureza, e é de graça”, lembra uma imigrante irlandesa.
Um morador orgulhoso destaca os benefícios: “Você leva o cachorro para passear e vê a beleza em volta. É bom para o coração e para a alma”, diz.

O brasileiro Guilherme mora há poucos metros de outro parque no Norte de Londres. Sempre que pode, dá uma fugida para lá.
Guilherme Carvalho, administrador: Tem um pouco mais de natureza aqui, você consegue ouvir pássaros. Então dá uma sensação um pouco de, dá a impressão que você nem tá em Londres.
Globo Repórter:  Você acha que isso de alguma forma afeta a sua saúde, você se sente melhor, com mais disposição?
Guilherme: Nossa Senhora, é como se tod as preocupações fossem embora, entendeu? É como se você não tivesse mais nada.
Globo Repórter: Você é feliz aqui?
Guilherme: Oh, demais!

Mas será que passear no meio do verde tem efeito na nossa saúde ou é apenas uma impressão de bem-estar sem nenhuma consequência no nosso corpo?
O psicólogo Mathew White e a equipe dele da escola de medicina da universidade de Exeter estudaram os dados de 10 mil pessoas que foram entrevistadas anualmente durante 17 anos. Quem mora perto de áreas verdes demonstrou se sentir mais feliz e com menos problemas de saúde.
Os pesquisadores explicam que a natureza age de quatro formas para aumentar o nosso bem estar. "Esse contato com árvores, praia, reduz o batimento cardíaco e a pressão, nós nos sentimos menos estressados. Em segundo lugar, em contato com a natureza, temos mais predisposição para fazer exercícios, caminhar, andar de bicicleta. Em terceiro, fazemos tudo isso geralmente acompanhados de marido, mulher, filhos, amigos. Passar o tempo com outras pessoas é saudável. E, em último lugar, um ambiente agradável perto de onde moramos nos dá uma sensação de pertencer àquele lugar, de ser a nossa casa. E isso é outro fator muito importante para a saúde", explica Mathew White, psicólogo.
Em uma das pesquisas feita em um laboratório, os pesquisadores simularam um passeio de bicicleta na beira do mar. E concluíram que, mesmo em um ambiente controlado, com um vídeo em vez da situação real, um passeio desses faz muito bem à saúde.

Ao utilizar o repórter como cobaia para mostrar os efeitos do passeio, assim como fez com os voluntários da pesquisa, o pesquisador, primeiro, mediu a pressão do repórter.
Os batimentos cardíacos também são controlados. Não podem ser baixos, nem altos demais. Não é um exercício, é um passeio.
"Quero que você imagine que está nesse lugar, imagine os sons, os cheiros, com quem você está, o que vai fazer depois. Imagine que está na beira da praia", orienta o pesquisador.
No começo, parece pouco provável que funcione, mas o barulho do mar, a imagem das ondas batendo. E a pessoa se deixa envolver pelo vídeo. Os pesquisadores fizeram o mesmo teste em um passeio real na praia e os resultados foram semelhantes.
Depois de algum tempo pedalando, o repórter fica suado, mas bem mais tranquilo e sem tanto stress como estava antes.
Depois de descansar um pouco, o repórter teve a pressão medida novamente e ela estava um pouco mais baixa do que antes do exercício.
Um passeio tão curto não tem grande impacto na saúde de ninguém, mas - se isso for feito com frequência - haverá uma grande diferença, garantem os pesquisadores. "Fazer exercícios em contato com a natureza é mais relaxante, você perde a noção das horas e se exercita por mais tempo. E é mais provável que faça de novo, já que você curtiu o passeio", diz o pesquisador.

A pesquisa não indica que morar no meio do mato seja mais saudável do que nas cidades. A urbanização trouxe grandes benefícios para a humanidade, como acesso à água tratada, variedade de alimentos, higiene, atendimento médico. Coisas que aumentaram a longevidade. Mas é um alerta para as autoridades na hora de planejarem as cidades: criar áreas verdes é investir na saúde da população.

(Globo Repórter c/ video)

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publicado às 15:45



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