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Segundo pesquisadores, efeitos positivos podem ser percebidos em menos de cinco minutos. Alguns hospitais nos EUA utilizam este tipo de terapia.

Olhando assim não dá pra imaginar que Portland já foi considerado um dos mais poluídos do país. Hoje, a cidade está entre as 10 cidades mais verdes. Do mundo. Portland fica no Oregon, no noroeste dos Estados Unidos.
Existem quase 300 parques públicos na cidade. A 15 minutos do centro, está o Washington Park. Foi nesse local que encontramos Teresia Hazen, uma das pioneiras no planejamento de jardins terapêuticos nos Estados Unidos. Há 23 anos, Teresia ajuda na reabilitação de pacientes usando as plantas a favor da saúde.
“O som da natureza, do ar, o cheiro das plantas, da terra. Tudo tem uma forte conexão com o nosso corpo. E o melhor é que não precisamos pagar por nada, está tudo aqui à nossa volta, nos parques públicos e pode estar até mesmo no nosso jardim", diz Teresia Hazen, terapeuta.
Ter espaços como este por perto de casa faz bem para a saúde. E não é só porque melhora a qualidade do ar em volta. Um passeio em um lugar assim ajuda a reduzir a pressão sanguínea, a normalizar os batimentos cardíacos, a relaxar os músculos e a ativar o cérebro. Efeitos, que segundo os pesquisadores, já podem ser percebidos em menos de cinco minutos. Rápido assim.
Por causa disso, espaços cheios de plantas e flores estão invadindo os centros de saúde americanos. No hospital infantil do Legacy Emanuel Medical Center, as plantas são de espécies resistentes a pragas, o que evita o uso de pesticidas para a manutenção do jardim.
Laura é terapeuta e trabalha com crianças que sofreram acidentes graves. Os detalhes do jardim também ajudam crianças que sofreram lesões no cérebro a exercitar a memória.
“Eu faço com que elas tentem se lembrar por exemplo, onde está o homem de lata, as casas dos passarinhos ou os porquinhos, que são os mais difíceis porque estão bem escondidos", conta Laura.
Apesar da pouca idade - apenas 6 anos - Demier já conhece bem o jardim. Para desespero da mãe, Sharon, esta é a segunda vez que ele vai parar no hospital. Agora está tratando o ombro que quebrou brincando em um parquinho. Pergunto à Sharon se vir para um lugar como esse tem ajudado o filho na recuperação.
“Sim. Aqui é muito calmo, muito confortável”, diz ela.
No dia em que visitamos o hospital as crianças estavam tendo aula sobre meio ambiente.
Regar as plantas diverte, além de ajudar a exercitar os braços e a coordenação motora.
A chefe do departamento de pediatria do hospital, Molly Burchell, diz que o jardim é muito popular .
“No hospital as crianças estão assustadas e a distração é a melhor coisa pra elas. As que estão em estado mais crítico só podem ver o jardim da porta. Mas até isso já faz uma grande diferença”, conta Molly.
Abigail tem só seis meses e veio tomar quatro vacinas. Difícil até para um adulto, mas o choro logo parou quando entrou no jardim, conta a mamãe marina.
“Aqui fora ela está ótima”, diz ela.
Perto dali, no hospital de queimados encontramos outro jardim terapêutico.
Ao todo, 250 variedades de plantas são usadas para ajudar na recuperação. Teresia me explica que muitos pacientes têm medo de se movimentar por causa dos enxertos de pele que são colocados para substituir a área queimada. Ela me mostra uma casa de bombeiros feita para as crianças brincarem.
“Alguns até nos criticam por ter colocado esta pequena casa de bombeiros aqui, mas qual o melhor lugar para as pessoas queimadas se recuperarem do trauma do que no hospital, ao lado de terapeutas e médicos? Porque um dia elas vão voltar pra suas casas e vão ter que lidar com isso o resto da vida”, explica Teresia.
Uma pesquisa publicada em 1984 mostrou que estar em um quarto de hospital com uma janela, que tenha uma vista como esta, para as árvores, faz uma grande diferença. O levantamento feito nos Estados Unidos com 46 pacientes, mostrou que ter um contato com a natureza, ainda que de longe. Diminui a quantidade de medicamentos tomados durante o tratamento. Além de reduzir o tempo de recuperação.
Esse levantamento feito há mais de 30 anos é usado até hoje como referência para pesquisas nessa área. Estar perto do verde, diminui a ansiedade e a depressão. Sentimentos que muitas vezes acompanham pacientes que lidam com doenças como a que Patricia tem. Ela está internada para fazer quimioterapia por causa de um câncer de pulmão.
Este é o primeiro dia fora do quarto.
“É maravilhoso, poder respirar este ar puro, sentir o sol e estar num lugar completamente diferente diz ela, que já faz planos para quando receber alta. Vou vir fazer trabalho voluntário no jardim", diz a paciente.
“Isso ajuda a diminuir a prescrição de medicamentos fortes”, afirma Teresia.
A cada pesquisa, os cientistas confirmam o que o nosso instinto já sabia:

“A nossa evolução não aconteceu dentro de prédios e cimento, nós passamos milhões de anos em volta da natureza, e é isso que é natural pra nós. Estar aqui é restaurador. Esse efeito da natureza sobre nós é como mágica, simplesmente acontece”, explica Teresia.

(Globo Repórter c/ video)

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publicado às 15:37



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