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O cardeal ergueu o olhar, surpreendido.
- Sabe - continuou Stickler a falar -, o Vaticano é um Estado em ponto pequeno com um governo e
com partidos que se combatem uns aos outros e que formam coligações uns com os outros, e há
poderosos e menos poderosos, há os comodistas e os menos comodistas, há simpáticos e antipáticos,
mas, sobretudo há uns que são perigosos e outros que são inofensivos. Seria um grande erro
pensar que no Vaticano reina a piedade. Servi três papas e sei muito bem do que estou a falar. Da devoção à loucura pecaminosa não é mais do que um pequeno passo, e tem-se a tendência para
esquecer muito facilmente que a Cúria é constituída por pessoas, e não por santos.
— Que tem Bellini a ver com tudo isso? — perguntou Jellinek de chofre.
O monsenhor manteve-se calado durante um momento e depois disse:
— Tenho confiança em si, senhorcardeal. Tenho de confiar em si, pela simples razão de que parecemos ter os mesmos inimigos. Bellini é a cabeça de um grupo que defende que João Paulo
não foi vítima de uma morte natural e que, contra todas as ordens recebidas pela secretaria cardinalícia de Estado, continua a averiguar sobre o caso. A encomenda que
recebeu com os objetos do Papa deve ter sido pensada como uma ameaça de morte, para que
deixasse cair as suas investigações. Podemos, no entanto, interpretá-la também como uma prova de que na morte do último Papa houve qualquer coisa de anormal.
- Conhece os nomes dos que participaram nessa conjura? Qualpoderia ser o interesse desses homens
em eliminar o Papa?
Monsenhor Stickler retirou o seu rei do tabuleiro, como sinal de que considerava o jogo terminado,
depois olhou o cardeal nos olhos e disse:
- Tenho de pedir-lhe que mantenha absoluto silêncio sobre o que lhe vou dizer, eminência, mas
como nos encontramos no mesmo barco vou revelar-lhe o que sei.
- Cascone? — perguntou Jellinek.
O monsenhor fez um gesto afirmativo com a cabeça e prosseguiu:
- O documento que desapareceu tão misteriosamente depois da morte de João Paulo continha instruções muito detalhadas sobre uma reestruturação da Cúria. Havia diversos cargos que deveriam
ser ocupados por gente nova, outros supostamente eliminados. No topo das mudanças estavam
três nomes: o do Cardeal Secretário de Estado, Giuliano Cascone, o do diretor do Istituto
per le Opere di Religione, Phil Canisius e o de Frantisek Kolletzki, vice-secretário da Sagrada Congregação para a Educação Católica. Permita-me que o diga deste modo: Se João Paulo não
tivesse falecido na noite seguinte, hoje em dia estes três senhores não estariam nos seus cargos.
- Mas é possível destituir tão facilmente um Cardeal Secretário de Estado do seu cargo?
- Não existe lei nem regra que o proíba, apesar de não acontecer há séculos.
- Confesso que sempre pensei que Cascone e Canisius fossem rivais.
— E são. De certa forma são ambos rivais e são estranhos um ao outro. Cascone é um homem
extremamente culto, habituado a celebrar com muito orgulho o seu
estatuto; Canisius é de origem humilde, vem de uma família de lavradores e até hoje continua a
ser um lavrador. Vem dos arredores de Chicago e sempre quis ser alguém, mas nunca conseguiu
alcançar um cargo mais alto do que o de bispo na Cúria; mesmo a dignidade episcopal já significa
uma lisonja para ele. Quando Canisius se encarregou do IOR, esta instituição era bastante insignificante, mas ele conseguiu transformá-la, com algum talento, num instituto financeiro de
renome, sempre com o intuito de ter um papel importante na alta finança. Canisius tem um instinto
para o dinheiro, venderia a tiara do Papa a um americano, se o deixassem. Os seus negócios financeiros tornaram Canisius um homem muito poderoso no seio da Cúria — naturalmente para grande desgosto do Cardeal Secretário de Estado que personifica ele próprio o poder mundano do Vaticano. Acho que no fundo estes dois se detestam mutuamente, no entanto, perseguem um interesse
comum, que é guardar o segredo. Está a perceber?
— Estou. E Bellini é, portanto, inimigo de Cascone, Kolletzki e Canisius?
— Não o é declaradamente, eminência. Bellini foi somente o primeiro na Cúria que ousou
duvidar da morte natural de João Paulo e que o disse abertamente. É por isso que Cascone, Kolletzki e Canisius tentam evitar o cardeal Bellini. Mas sobretudo evitam-me a mim. Pois suspeitam que conheço o conteúdo do documento e que saiba que os cargos destes homens estavam em perigo. Acho que para estes três o fato de Sua Santidade me ter novamente escolhido como ajudante de câmara significou uma desgraça enorme.
— E Sua Santidade sabe da história?
— Tenho a obrigação de manter silêncio, eminência, inclusivamente perante si.
— Não tem de responder, monsenhor, mas posso imaginá-lo.
(A CONSPIRAÇÃO SISTINA - PHILIPP VANDENBERG)

 

O Papa Sorriso, foi encontrado na cama e sem vida, na manhã de 29/09/1978, quando fazia apenas 33 dias que fora eleito.

 


Está escrito. Minha casa será chamada
a casa de oração, mas vós 
a transformastes num covil de ladrões
(Mateus, 21:12/13)                           

A QUEM INCOMODAVA O SONHO DE JOÃO PAULO I, O PAPA SORRISO?

Paulo VI, o protetor do trio Sindona, Marcinkus, Calvi, morreu a 06 de agosto de 1978. É eleito Papa o Patriarca de Veneza Albino Luciani, João Paulo I, um homem de grande rigor moral que no passado já tinha tido desentendimentos com Marcinkus e Calvi. Começaram com a raiva causada pela compra da Banca Cattolica del Veneto por parte do Banco Ambrosiano sem conhecimento da diocese da lagoa (Veneza). Passam poucas semanas e, em 12 de setembro de 1978, o jornalista piduista Mino Pecorelli publica os nomes das 121 personalidades  do Vaticano que estariam associadas com a Maçonaria. Entre estas  Marcinkus, o seu secretário, monsenhor Donato de Bonis, que entretanto cresce nas salas secretas do Banco Vaticano. A sair, o Secretário de Estado Jean Villot, o ministro das Relações Exteriores Agostinho Casaroli, o cardeal Ugo Poletti, Vigário de Roma. Luciani pretende limpar o IOR e transferir todos: Marcinkus, de Bonis, Mennini, de Strobel. Confidencia-o a Villot na noite de 28 de setembro de 1978. Na manhã seguinte o corpo sem vida de João Paulo I é encontrado em sua cama.
O Papa João Paulo I morre de improviso. Yallop e outros historiadores argumentam que ele foi morto por envenenamento. A súmula oficial indica por sua vez uma parada cardíaca.
Em 16 de Outubro de 1978, foi eleito Papa o polonês Karol Wojtyla, João Paulo II. O Santo Padre recupera a política de Paulo VI e assegura a Marcinkus a continuidade à frente das finanças do Vaticano


(Gianluigi Nuzzi – “Vaticano S.p.A”)

João Paulo II nas primeiras ordenações sacerdotais, na condição de Papa, na basílica de São Pedro (Roma), em 24/06/1979
 
Albino Luciani teve um sonho. Imaginou uma Igreja Católica Romana que atenderia de verdade às necessidades de seus fiéis em questões vitais cruciais como o controle de natalidade. Sonhou com uma Igreja que dispensaria a riqueza, o poder e o prestígio adquiridos através do Vaticano S.A.; uma Igreja que deixaria o mercado financeiro e abandonaria a agiotagem em que o nome de Cristo fora maculado; uma Igreja que voltaria a se apoiar no que sempre fora seu maior trunfo, sua fonte do verdadeiro poder, seu maior direito a um prestígio singular: o Evangelho.

Ao cair da noite de 28 de setembro de 1978, Albino Luciani já dera os primeiros passos para a realização do seu sonho extraordinário. Às 9:30 da noite fechou a porta de seu quarto e o sonho acabou. (...) O Papa Sorriso, "morreu" quando fazia apenas 33 dias que fora eleito.

(David Yallop - "Em Nome de Deus")

Igreja de S.to António dos Portugueses, em Roma, aquando da visita pastoral do Papa João Paulo II, em 22 de Maio de 1979, na comemoração dos oitocentos anos da Bula Promulgatis Probatum. Foi por meio desta Bula que o Papa Alexandre III, em 22 de Maio de 1179, declarou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão, e D. Afonso Henriques, seu soberano e primeiro Rei de Portugal.

 

 
O pontificado de Luciani durou 33 dias. Na cabeceira do leito de morte estava um exemplar do Il Mondo, com novos escândalos do Banco do Vaticano, dirigido por Paul Marcinkus. Pouco antes, Luciani havia se inteirado de uma lista de clérigos inscritos na Loja Maçônica P2, protagonista do escândalo do Banco Ambrosiano. Do elenco constava Jean Villot, o secretário de Estado.
A causa-morte de Luciani foi atestada como infarto do miocárdio. Mas cardiologistas registraram que o falecido não apresentava na face a expressão da dor que acomete todos os infartados. Não houve autópsia e correu a suspeita de envenenamento. Existem contradições sobre quem teria por primeiro ingressado no quarto papal. Em nota oficial, informou-se ter sido o secretário particular, John Magee. Na véspera, fora apontada a sóror-camareira Vincenza Taffarel. Uma terceira voz indicava Jean Villot, o dissidente secretário de Estado. Para o escritor investigativo inglês David Yallop, autor do livro Em Nome de Deus (6 milhões de cópias vendidas), a morte não foi natural.
Pano rápido. Vamos esperar para ver se Bergoglio, como tentou Luciani, será capaz de mudar a Igreja do “não” para a Igreja do “sim”.

(Wálter Maierovitch)

 

 

 

HYPERLINKS:
* "Vaticano S. A." e os negócios de Deus (1976-1978)
* Bergoglio e a Igreja do ‘não’
* Jornal italiano fala sobre complô para matar o papa Bento XVI
* Ordem para atirar em João Paulo II veio do Vaticano, diz Ali Agca
* Os mistérios da morte acobertada do "Papa Sorriso"

O que fez "correr" Bento XVI?

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publicado às 19:27


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