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Psicologia do mal

por Thynus, em 21.07.11

Qualquer pessoa em circunstâncias particulares, pode perseguir outro ser humano: é o que emerge da impressionante viagem às profundezas do mal, conduzida por Piero Bocchiaro. Página após página, a análise emocionante e rigorosa oferecida pelo autor cancela a diferença (certamente reconfortante) entre "bons" e "maus", colocando fatalmente em crise a tradicional dicotomia Bem / Mal.
Em face da violência, assassinatos, massacres, procuramos incrédulos os rostos dos culpados como se fossem animais raros, que não têm nada a ver com a raça humana. A interpretação é reconfortante. Mas errada. A banalidade do mal esconde-se em todos nós e os nossos comportamentos são influenciados pelo ambiente muito mais do que pensamos. Explica-o o pesquisador Bocchiaro em "Psicologia do mal". Tomemos como exemplo Adolf Eichmann, o nazista que supervisionou as operações de transporte de judeus para campos de concentração, um dos maiores responsáveis pelo Holocausto: preso em 1960 em Buenos Aires, foi julgado em Israel no ano seguinte. Sua linha de defesa? "Eu obedeci às ordens." Os juízes condenaram-no à morte. Ele era um homem terrivelmente perverso? Para aqueles que o visitaram parecia incrivelmente normal. Porque, então, era culpado de tais crimes horríveis?

Bocchiaro evoca alguns casos de laboratório e explica porque em algumas situações tendemos a não prestar assistência a um vizinho: paradoxalmente sentimo-nos desresponsabilizados quando tantos vêem uma pessoa vítima da violência. Recordando factos de crónica, o pesquisador tenta explicar também o que se desencadeia num grupo de pessoas comuns até transformá-lo numa gangue de bandidos cruéis. O autor também lembra a experiência realizada na Universidade de Stanford, que viu estudantes tranquilos, alguns declaradamente pacifistas, tornarem-se carcereiros e prisioneiros: a experiência foi suspensa depois de seis dias, porque a violência estava-se a tornar incontrolável.

Conclusão: o contexto pode arrastar também pessoas pacíficas a realizar actos de violência ou maus. Cuidado, porém: explicar certos mecanismos psicológicos não significa justificar os responsáveis, porque certos horrores clamam por vingança aos olhos dos homens e Deus. Os crimes, em suma, são crimes e devem ser condenados. Mas a psicologia social ajuda-nos a compreender que somos uma mistura de luz e sombra, de bem e de mal, de céu e de inferno. E, finalmente, que os Maus e os Bons existem apenas em contos de fadas. Ilusória é a linha de demarcação entre bons e maus. Não é a natureza do homem, mas sim o contexto imediato a orientá-lo para o mal. Um tema interessante, mas provavelemente pouco cómodo para quem está ancorado em crenças velhas e reconfortantes.

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publicado às 19:52



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