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La liberté n'est pas un bien que nous possédions. Elle est un bien que l'on nous a empêché d'acquérir à l'aide des lois, des règlements, des préjugés, ignorance... (Paris, Maio de 1968)

 

Mill suavizou o utilitarismo de Bentham de muitas formas. Os críticos tinham objectado que a suposição de que a vida não tem um fim mais elevado do que o prazer era uma doutrina digna apenas de porcos. Mill respondeu fazendo uma distinção entre a qualidade dos prazeres. «Dados dois prazeres, se existir um que todas ou quase todas as pessoas que dele tiveram experiência prefiram decididamente, sem relação com qualquer sentimento de obrigação moral para o preferir, é esse o prazer mais desejável». Na posse desta distinção, Mill está apto a concluir que «É melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito; é melhor ser Sócrates insatisfeito do que um louco satisfeito». Ao aplicar o princípio da maior felicidade, devemos ter em conta o seguinte: o fim para o qual todas as outras coisas são desejáveis é uma existência tanto quanto possível isenta de dor e tão rica quanto possível na quantidade e qualidade dos prazeres.
O utilitarismo de Bentham, com a sua negação dos direitos naturais, justificaria em princípio, em certas circunstâncias, um regime altamente autocrático e grandes intromissões na liberdade individual. Nos seus escritos, Mill sempre se esforçou por temperar o utilitarismo com o liberalismo; e a sua pequena obra Da Liberdade é um eloquente clássico do individualismo liberal.
O opúsculo procura traçar os limites da interferência legítima da opinião colectiva na independência individual. Ele declara o seu princípio orientador nos seguintes termos:

O único fim em vista do qual a humanidade está autorizada, individual
ou colectivamente, a interferir com a liberdade de acção de quaisquer
dos seus membros é a auto-protecção. O único objectivo em função do
qual o poder se pode correctamente exercer sobre algum membro de
uma comunidade civilizada, contra a sua vontade, é o de impedir qualquer
dano causado a terceiros. O seu próprio bem, físico ou moral, não
é motivo suficiente.

A única parte da conduta de alguém que o torna responsável para com a sociedade é a que diz respeito a outros. O indivíduo é soberano de si mesmo, do seu corpo e da sua alma.
Mill aplica o seu princípio em particular na defesa da liberdade de expressão . Uma opinião silenciada pode ser verdadeira; se não for verdadeira, pode conter uma parte de verdade; e, mesmo que seja inteiramente falsa, é importante que a opinião contrária seja contestada, caso contrário será mantida como simples preconceito ou como uma declaração formal, desprovida de convicção. Com base nestas considerações, Mill afirma que as liberdades de opinião e de expressão são «necessidades para o bem-estar moral da humanidade, das quais todas as outras formas de bem-estar dependem».

(Anthony Kenny - História Concisa da Filosofia Ocidental)

"Poucas criaturas humanas consentiriam ser transformadas em qualquer dos animais inferiores em troca da promessa do mais pleno acesso aos seus prazeres bestiais; nenhum ser humano inteligente consentiria tornar-se um tolo, nenhuma pessoa instruída, um ignorante, ninguém de sensibilidade e consciência, um ser egoísta e reles, e isso mesmo que eles fossem persuadidos de que o tolo, o beócio ou o infame estavam mais satisfeitos com a sua sorte do que eles estão com a deles. (...) É melhor ser um ser humano insatisfeito que um porco satisfeito; melhor ser um Sócrates insatisfeito que um tolo satisfeito; e, se o tolo ou o porco tem uma opinião distinta, é porque eles só conhecem o seu próprio lado da questão."

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publicado às 21:58



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