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Toque Físico

por Thynus, em 20.09.13

 

Há muito se sabe que o toque físico é uma forma de se comunicar o amor emocional. Inúmeras pesquisas na área do desenvolvimento infantil chegaram às seguintes conclusões: Os bebês que são tomados nos braços, beijados e abraçados desenvolvem uma vida emocional mais saudável do que os que são deixados durante um longo período de tempo sem contato físico. A importância do toque no que se refere às crianças não é uma idéia moderna. Durante o ministério terreno de Cristo, os hebreus que moravam na Palestina reconheciam que Jesus era um grande mestre e levavam seus filhos até ele para que tocasse neles (Marcos 10,13). Como podemos nos lembrar, seus discípulos repreenderam aos pais daquelas crianças, pois acharam que o Filho de Deus estava ocupado demais para aquela atividade tão “frívola”. Porém, as Escrituras afirmam-nos que Jesus se indignou com os seus seguidores e disse: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o Reino dos Céus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava.” (Marcos 10.14-16).
Pais sábios, em qualquer cultura, também tocam seus filhos de forma amorosa.
O toque físico é também um poderoso veículo de comunicação para transmitir o amor conjugai. Andar de mãos dadas, beijar, abraçar e manter relações sexuais são formas de se comunicar o amor emocional para o cônjuge.
Os antigos costumavam dizer: “O caminho para se conquistar o coração de um homem é através de seu estômago”. Muitos deles engordaram tanto a ponto de correrem risco de vida, devido às esposas serem adeptas desta filosofia. Naturalmente, os antigos não se referiam ao coração físico, mas ao centro do romantismo. Seria mais adequado dizer: “A forma de alcançar o coração de alguns homens é através de seus estômagos”. Lembro-me bem das palavras de um certo marido:
“Dr. Chapman, minha esposa é uma cozinheira de forno e fogão. Ela gasta horas cozinhando. Faz os pratos mais elaborados que existem. E quanto a mim? Sou um daqueles homens que apreciam purê e carne moída. Vivo dizendo que ela está gastando muito tempo na cozinha. Eu adoro comida simples. Ela fica aborrecida e diz que não gosto dela. Mas eu a amo! Só desejaria que ela facilitasse as coisas para si mesma e não gastasse muito tempo com pratos tão trabalhosos. Dessa forma, passaríamos mais tempo juntos e ela teria mais energia para fazer outras coisas”.
Obviamente, essas “outras coisas” chegavam mais perto de seu coração do que refeições sofisticadas.
A esposa daquele homem era emocionalmente frustrada. Ela crescera em uma família onde a mãe era uma excelente cozinheira e o pai sabia apreciar seus esforços. Ela se lembrava de seu pai ter dito à sua mãe: “Quando me sento à mesa com uma refeição como esta diante de mim, torna-se fácil amá-la”. Seu pai diariamente elogiava os quitutes feitos por sua mãe. Em particular e em público ele elogiava os dotes culinários da esposa. Aquela filha aprendera direitinho o modelo deixado por sua mãe. O problema é que ela não estava casada com o seu próprio pai. Seu esposo possuía uma linguagem do amor muito diferente.
Em minha conversa com aquele esposo, não levou muito tempo até eu descobrir que as “outras coisas” às quais ele se referia era sexo. Quando a esposa respondia positivamente no tocante a relação sexual, ele sentia segurança em seu amor. No entanto, quando por qualquer motivo ela se esquivava sexualmente do marido, nem toda sua habilidade culinária era suficiente para convencê-lo de que ela o amava. Ele não era contra os pratos elaborados, mas em seu coração eles não poderiam, de forma alguma, substituir aquilo que ele considerava “amor”.
A relação sexual, porém, é somente um dialeto na linguagem do toque físico. Dos cinco sentidos, o do toque diferencia-se dos outros quatro, pois não se limita a uma localização específica no nosso organismo. Pequenos receptores táteis acham-se espalhados ao longo de todo o corpo. Quando esses receptáculos são tocados ou apertados, os nervos carregam esses impulsos para o cérebro. Este os interpreta e percebemos o objeto do toque como quente ou frio, áspero ou macio. Causam dor ou prazer. Também os interpretamos como amorosos ou hostis.

O toque físico pode iniciar
ou terminar um relacionamento.
Pode comunicar ódio ou amor.

Algumas partes do corpo são mais sensíveis do que outras. A diferença deve-se ao fato dos pequenos receptores táteis não estarem espalhados aleatoriamente pelo nosso organismo, mas sim distribuídos em grupos. Portanto, a ponta da língua é altamente sensível ao toque, ao passo que atrás dos ombros é uma das partes mais insensíveis. As pontas dos dedos e a ponta do nariz também são áreas extremamente sensíveis. Nosso objetivo, no entanto, não é entender as bases neurológicas das sensações do toque, mas sim sua importância psicológica.
O toque físico pode iniciar ou terminar um relacionamento. Pode comunicar ódio ou amor. A pessoa cuja primeira linguagem do amor é “Toque Físico” receberá uma mensagem que irá muito além das palavras “Eu odeio você” ou “Eu amo você”. Um tapa no rosto é algo difícil para qualquer criança enfrentar, mas para aquela que possuir o “Toque Físico” como primeira linguagem do amor, será devastador. Um abraço afetivo comunica amor a qualquer criança, mas aquela que possuir o “Toque Físico” como primeira linguagem do
amor, desfrutará de forma mais intensa aquele gesto, sentindo-se amada e segura. A mesma atitude é válida para os adultos.
No casamento, o toque de amor existe em várias formas. Levando-se em conta que os receptores ao toque localizam-se por todo o corpo, um afago amoroso em qualquer parte pode comunicar amor a seu cônjuge. Isso não significa que todos os toques sejam iguais. Seu cônjuge apreciará a alguns mais do que a outros. Seu melhor professor, sem dúvida alguma, será seu (sua) próprio (a) esposo (a). Afinal de contas, ele (ela) é a quem você demonstrará amor. Ele (ela) sabe exatamente o tipo de toque que mais lhe agrada. Não insista em tocá-la (o) de seu jeito e em seu tempo. Aprenda a falar o dialeto dele (dela), pois alguns toques podem ser considerados desconfortáveis ou irritantes. A insistência em praticar tais atos pode comunicar o oposto ao amor. Talvez afirme que você não é sensível às necessidades dele (dela) e não se importa com a sua percepção de prazer. Não caia no erro de achar que o que lhe traz prazer também trará a seu cônjuge.
Toques amorosos podem ser explícitos e exigir sua completa atenção, como afago nas costas e jogos sexuais que terminem em uma relação. Por outro lado, também podem ser implícitos e breves, como um toque nos ombros ao encher uma xícara de café, ou um rápido roçar no corpo ao passar pela cozinha. Toques explícitos, naturalmente, levam mais tempo, não somente a prática deles em si, como também a percepção de como progredir quando se visa comunicar amor dessa forma ao cônjuge. Se uma massagem nas costas comunica eficazmente seu amor a seu (sua) esposo (a), então, todo tempo, dinheiro e energia que você gastar para aprender a ser um (a) bom (boa) massagista será, sem dúvida, um bom investimento. Se a relação sexual for o primeiro dialeto de seu parceiro, leia e converse sobre a arte do amor sexual de forma a aprimorar sua expressão de amar.
Toques implícitos de amor levam menos tempo; porém desenvolvem o treinamento, especialmente se o ‘Toque Físico “ não for sua primeira linguagem do amor, e se você cresceu em uma família onde as pessoas não se expressavam dessa forma. Sentar-se pertinho um do outro no sofá para assistirem televisão, não exigirá tempo extra e poderá comunicar amor de forma abundante.
Pequenos toques ao passar por seu cônjuge implicam frações de segundos. Afagos ao sair e ao chegar em casa podem envolver beijos e abraços ligeiros mas falarão muito alto para seu (sua) esposo (a).
Uma vez que você descubra que o ‘Toque Físico” é a primeira linguagem do amor de seu cônjuge, sua única limitação é sua própria imaginação, quanto às formas de expressar amor. Descobrir novas formas e lugares de toque pode ser um excitante desafio. Se você não for alguém que tem o hábito de “tocar sob a mesa”, descobrirá que essa prática poderá acender fagulhas quando jantarem fora. Você poderá encher o “tanque do amor” de seu cônjuge, se caminharem de mãos dadas até chegarem ao carro, mesmo que você não tenha o hábito de fazer isso em público. Se você, normalmente, não beija seu cônjuge ao entrar no carro, poderá descobrir que esse gesto tornará sua viagem mais atraente. Abraçar sua esposa antes dela sair para as compras poderá, além de expressar amor, trazê-la mais rápido para casa. Tente novos toques em novos lugares e pergunte a seu cônjuge o que sentiu: se os achou prazerosos ou não. Lembre-se: a última palavra é dele (dela). Você está aprendendo a falar a língua dele (dela).

O CORPO EXISTE PARA SER TOCADO

Tudo o que há em mim reside em meu corpo. Tocar em mim significa afagá-lo. Afastar-se dele é distanciar-se de mim, emocionalmente. Em nossa sociedade, um aperto de mão comunica acordo e exclusividade. Quando, em raras ocasiões, um homem recusa apertar a mão de outro, a mensagem que essa atitude comunica é que as coisas não vão bem naquela amizade. Todas as sociedades possuem formas de toque físico como cumprimento social. A maioria dos homens americanos não se sente confortável com fortes abraços e beijos, mas na Europa eles têm a mesma função de um aperto de mão.
Em cada sociedade há formas adequadas e inadequadas de se tocar as pessoas do sexo oposto. A recente atenção voltada para os assédios sexuais tem evidenciado as formas inapropriadas. No casamento, entretanto, tudo isso é determinado pelo casal, dentro de algumas amplas diretrizes. Abuso físico é, naturalmente, condenado pela sociedade e existem organizações sociais cujo objetivo é ajudar tanto esposas quanto esposos vítimas dos excessos. Nossos corposforam feitos para toques, mas não para abusos.

Se a primeira linguagem do
amor de seu cônjuge for o
“Toque Físico”, nada será mais
importante do que abraçá-la
(o) quando ela (ele) chorar.

Este século caracteriza-se como a era da abertura e liberdade sexual. Essa conquista, porém, tem demonstrado que o casamento onde ambos os cônjuges são livres para ter relações sexuais com outros parceiros é uma ilusão. Os que não discordam disso por motivos morais, não aceitam por razões emocionais. Há alguma coisa em nossa necessidade por intimidade e amor que não nos permite dar tal liberdade a nosso cônjuge. A dor emocional é profunda e a intimidade evapora-se quando tomamos conhecimento de que nosso cônjuge está envolvido sexualmente com outra pessoa. Os arquivos dos conselheiros estão repletos de registros de esposos e esposas que tentam superar o trauma emocional de um cônjuge infiel. Esse problema, entretanto, é multiplicado para aquele cuja primeira linguagem do amor é o ‘Toque Físico”. É por isso que machuca tanto — o “Toque Físico” como expressão do amor — agora é dado a outra pessoa. Não é que o tanque emocional tenha se esvaziado; o fato é que ele explodiu! Serão necessários inúmeros reparos para que aquelas necessidades emocionais sejam supridas.
(Gary Chapman - As Cinco Linguagens do Amor)
Neste momento,
penso em você e então
quisera me transformar em vento.
E se assim fosse,
chegaria agora como brisa fresca
e tocaria leve sua janela.
E se você me escuta e
me permite entrar,
em você vou me enroscar
quase sem o tocar.
Vou roçar nos seus cabelos,
soprar mansinho no ouvido,
beijar sua boca macia,
o embalar no meu carinho
Mas eu não sou vento...
Agora sou só pensamento e
estou pensando em você.
E se abrir sua janela,
eu estou chegando aí,
agora...
neste momento,
em pensamento...
no vento.

(Roberto Shinyashiki)

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publicado às 20:17



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