Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Depressão e perdas

por Thynus, em 10.09.13

 

A vida não é um paraíso, nem se constitui só de vitórias. Há naturais perdas e derrotas, que fazem com que o espírito venha a crescer, tanto quanto com suas vitórias e seus sucessos. Perdas e derrotas não são necessariamente expiações, decorrentes de equívocos passados. São também provas que todos atravessam numa ou noutra encarnação. Em suas experiências reencarnatórias, o espírito aprende a ter e a não ter, tanto quanto a ser e a não ser. Ser e não ser são experiências, nas quais o espírito enverga posições de destaque e de inexpressividade social.
Constituem perdas necessárias aquelas que todos passam numa encarnação, que não deveriam ser motivo de sofrimento nem causar transtornos. A principal delas é a morte de uma pessoa querida. A morte é um evento compreensível e inevitável por muito tempo. Todos deveriam estar preparados para sua ocorrência com antecipação.
Algumas perdas são: término de um relacionamento amoroso, rompimento de uma relação com um amigo, do emprego, de dinheiro por qualquer motivo, da saúde física, do equilíbrio psicológico, de bens materiais, do apoio emocional de alguém, de oportunidades melhores na vida, de cargos de comando ou chefia, do convívio com alguém, de um rival importante, de uma vaga profissional, dentre outras.
Deprimir-se por causa de perdas não digeridas reflete a imaturidade do espírito, que não aprendeu a desapegar-se das coisas e das pessoas, nem a ressignificar os eventos da vida como oportunidades de aprendizado.
Ninguém deve se obrigar a sofrer por causa de algo cuja causa não teve sua colaboração pessoal direta. Tais eventos, cujas causas não dependeram da intenção direta de quem lhes sofre as conseqüências, devem ser tomados como lições que a vida manda para o aprendizado do espírito.
Perder, tanto quanto ganhar, são experiências das quais se devem tirar lições para o enriquecimento do espírito. Não fazer isso é perder tempo na caminhada, exigindo nova e imprevisível lição.
Cada uma das perdas, necessárias ou não, pode ser aproveitada para o crescimento do espírito. Quem, por exemplo, se encontra na triste experiência da perda por morte de alguém muito querido, não deve deixar de aprender algo. Primeiro, a perda não é devida à não existência da pessoa cuja morte afetou o corpo físico, mas à separação por algum período de tempo, geralmente longo. Portanto, deve entender que se trata de uma separação, diferente daquela entre cônjuges que se divorciam, pois, neste último caso, geralmente surge uma inimizade. A separação pela morte deve ser compreendida como uma necessária perda, para o prosseguimento da vida de ambos, isto é, de quem foi e de quem ficou. O desencontro temporário, provocado pela morte, tem razões superiores, desconhecidas principalmente por quem ficou. Entristecer-se, chorar e lamentar a morte de alguém, em face da íntima ligação e do sentimento de amor que se tem, são reações naturais. Porém, a excessiva lamentação e o sofrimento interminável, seguidos de depressão, por aquele motivo, representam uma dependência psicológica prejudicial. O que parecia ser amor se tornou, por um mecanismo alquímico interno, capaz de enclausurar o ego num complexo auto-afetivo. Provavelmente a pessoa se conectou àquilo que o morto representava e que, com sua ausência pressente a ameaça de perder, ou que perdeu. Precisa enterrar seu morto, consoante a afirmação de Jesus, em Mateus 8:22 e Lucas 9:60, quando afirmou: “Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.”. Quem desencarnou saiu do mundo material, não tendo mais cidadania nele. Tudo que lhe pertencera, inclusive obrigações, passa para seus descendentes que ficaram. Quem lhe chora a morte deverá, um dia, começar a fechar o ciclo de sua vida em seu meio carnal. Tudo isso sem perda do sentimento de amor que porventura exista.
O término de um relacionamento amoroso com alguém também pode provocar estragos no ânimo da pessoa, porém, da mesma forma, o sofrimento pela perda tem limites. O limite é um certo tempo de “luto”, no qual se aproveitará para a percepção de si mesmo, agora sem a presença do outro. Sem aquele “luto”, corre-se o risco de passar de um relacionamento a outro, inconsequentemente, tentando driblar o sentimento de perda e de inferioridade latentes, sem viver a perda necessária. É um tempo para ficar só, sem se relacionar amorosamente com alguém, para avaliar as circunstâncias que motivaram o término, bem como para se conhecer melhor sem aquele vínculo.
O corte da relação com um amigo devido a algum tipo de desavença ou divergência de opinião, deve, sempre que possível, ser reatado, mesmo que se tenha razão na questão que culminou com o rompimento. Depois de se fazer a tentativa de reatamento sem sucesso, deprimir-se seria valorizar demais a relação, tanto quanto a pessoa, portanto com prejuízo de si mesmo. O rompimento deverá levar a pessoa a uma reflexão sobre a supervalorização inadequada. Caso entre em depressão por aquele motivo, deve trabalhar seu amor-próprio.
A perda de um emprego que garantia sua subsistência realmente é um evento preocupante, principalmente para quem passou da meia-idade. De repente, aquilo que lhe garantia a família, poderá não mais ocorrer. Isso desestabiliza a vida de uma pessoa. Ao jovem, nem tanto, pois a perspectiva de conseguir novo emprego é mais visível. No entanto, ao adulto com família para manter, a perspectiva é mais reduzida, sobretudo, certamente, por conta da existência de obrigações já assumidas. Mesmo sendo um evento grave, não levaria alguém à depressão se não existissem fatores outros intervenientes, reforçadores para a instalação do processo. Quando há insegurança anterior à perda do emprego, além de um despreparo ou má qualificação profissional, talvez haja mais probabilidade para a entrada em depressão. A saída será, em primeiro lugar, estando ou não desempregado, qualificarse melhor para o desempenho de uma ou mais profissões. Em segundo lugar, não desistir e, desde o primeiro dia de desemprego, procurar outro trabalho. Caso haja demora em conseguir algo do mesmo nível que o anterior, isto é, mesmo que seja para ganhar menos, deve-se aceitar provisoriamente. Aceitar um emprego de qualificação inferior visaria manter a pessoa em atividade. Caso, ainda assim, a pessoa entre em depressão, provavelmente devem existir outros fatores interferentes que precisam ser descobertos e melhor avaliados.
As perdas financeiras, principalmente as de pequena monta, fazem parte da vida de todos que aprenderam a ganhar dinheiro. Perde-se aqui, ganha-se ali. Quem sabe ganhar e gastar não se preocupa em perder, principalmente quando não houve incompetência em usar o dinheiro. Entrar em depressão porque se perdeu ou deixou de ganhar algum dinheiro é atraso de vida, pois ela segue seu ritmo independente do valor que não se ganhou. Dinheiro com o qual não se contava não existia.
Conheci uma família cujos componentes juntavam dinheiro para comprar uma casa, pois moravam de aluguel havia muitos anos. Já tinham juntado dinheiro suficiente para a compra e isso seria um bem para a família, que se veria livre do aluguel. A poucos dias de fechar a compra do imóvel, uma das filhas do casal adoeceu gravemente, necessitando de recursos vultosos para o tratamento. Lá se foi todo o dinheiro da aquisição do imóvel. Frustrou toda a família que tinha a expectativa da compra. Mesmo tristes, todos compreenderam que não era o momento para a compra referida e que a vida mandara um sinal para tal. Cuidar da saúde da filha era mais importante naquele momento. Há casos em que a perda financeira não se dá por um motivo tão compreensível como a saúde de alguém. Mesmo assim, aquela perda, por um motivo imponderável e não causado pelo próprio dono, provocando prejuízos, é também um sinal da vida. A vida certamente estará querendo mostrar outro caminho para que algum aprendizado ocorra.
Perdas são sempre lições de desapego. Ocorrem também para que se tenha a consciência de que ninguém está seguro de nada, salvo daquilo que integrou em seu próprio ser, portanto, as próprias lições da vida.

(Adenáuer Novaes - Alquimia do Amor)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:29



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D