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O criacionismo e o evolucionismo

por Thynus, em 06.09.13

 

 

Se a Bíblia é tão taxativa quando afirma que a origem do ser humano aconteceu no jardim do Éden, onde fica a teoria de Charles Darwin de que descendemos do macaco?
Essa é a grande questão que coloca ciência e religião em um conflito quase eterno, em que ambos os lados procuram levar algum tipo de vantagem para impor suas idéias. Em artigo publicado na revista eletrônica Com Ciência o articulista Isaac Epstein, professor da Unicamp, explica esses dois conceitos opostos, conhecidos como criacionismo, ou seja, a origem bíblica, e o evolucionismo, a teoria de Darwin:
O criacionismo e o evolucionismo são duas propostas contraditórias que dizem respeito à ocorrência temporal de um fenômeno: a origem do homem. A primeira, criacionista radical, adotada pela teologia judaico-cristã, foi expressa com surpreendente precisão pelo bispo anglicano de Armagh, Usher, no fmal do século XVII, que decidiu, baseado em textos bíblicos, que o mundo tinha sido criado precisamente no ano 4004 a.C., juntamente com todas as espécies tal como existem atualmente. A segunda, o evolucionismo, adotada pela ciência, propõe que o universo surgiu há cerca de mais ou menos 13 bilhões de anos atrás, a vida em nosso planeta, com suas formas mais primitivas de organismos unicelulares, há cerca de 3,5 bilhões de anos.
Vamos ver agora alguns pontos sobre essas teorias tão díspares. A fé religiosa apoia o criacionismo, que por sua vez é apoiado em "evidências cosmológicas, geológicas, arqueológicas e antropológicas", segundo Epstein. Essa corrente se recusa a aceitar uma parte das ciências naturais, nomeadamente aquelas que descrevem a história do planeta e da vida que nele nasceu e cresceu. Não há espaço no criacionismo, por exemplo, para australopitecos ou dinossauros.
O evolucionismo, por sua vez, se baseia principalmente nos fósseis de antigas criaturas encontrados com o passar dos anos. É em geral aceito pela totalidade dos cientistas, apesar de presentar, na opinião de alguns especialistas, inclusive na do próprio Epstein "pontos obscuros ou ainda não totalmente absorvidos pela teoria da evolução".
Hoje em dia, podemos falar tranqüilamente de duas correntes principais de criacionismo que se baseiam em argumentos que visam derrubar evidências evolucionistas. A primeira é conhecida como neocriacionismo, uma corrente surgida na década de 1920 nos Estados Unidos, também conhecida com o nome de Planejamento Inteligente. Esse movimento defende a criação de todos os seres vivos por uma entidade inteligente. Os grupos religiosos ligados a essa corrente de idéias lutam para que seja o ensinamento predominante nas escolas de ensino público, ou que pelo menos seja também apresentada em pé de igualdade com a versão evolucionista.
Porém, um juiz proibiu que suas idéias fossem ensinadas porque considerou essa tendência como "o criacionismo clássico travestido de pseudociência". A segunda corrente é a do criacionismo original ou clássico, ou seja, a versão mais ligada à do Velho Testamento. Uma pesquisa recente do Instituto Gallup revelou que 90% dos norte-americanos acreditam num Deus criador, e destes, 45% creem que a criação do mundo se deu exatamente como descrito pela Bíblia. Isso significaria que quem acredita em Deus é um criacionista?
Nem sempre. A mesma pesquisa demonstrou que há uma tendência entre os componentes da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Cerca de 10% de seus integrantes creem numa Divindade Superior sem serem necessariamente criacionistas. Há aqueles que são con-siderados como evolucionistas teístas, entre os quais o mais conhecido é o biólogo norte-americano Francis Collins, que repudia o criacionismo em seu livro de 2006, A linguagem de Deus.
Com o tempo, vários argumentos foram apresentados como opostos ao criacionismo, sendo os mais conhecidos:
1) O criacionismo não pode ser considerado como uma ciência, sequer como uma teoria, já que uma teoria requer análises, estudos, testes, experiências, modificações e, finalmente, adequações. Também é argumentado que uma teoria evolui com o decorrer do tempo, à medida que o ser humano amplia seus conhecimentos e suas descobertas. Assim, é uma atitude natural que a ciência, nesse contexto, não pode nem afirmar nem negar que o criacionismo seja verdadeiro. Portanto, seria uma teoria considerada "não falseável" e, portanto, não científica.
2) A evolução, ou seja, o evolucionismo é uma estrutura teórica. É incompleta em alguns pontos, como alguns argumentam, porém apresenta-se mais bem definida, já que foi colocada pela ciência para ser discutida, preenchida e alterada. Já o criacionismo é construído com uma grande variedade de idéias, que muitos pesquisadores consideram, de acordo com o livro do já citado Collins, como "sem uma unidade estabelecida, criada por centenas de religiões e mitos de hoje e/ou de outros tempos". Esse aspecto pode ou não caracterizar uma origem comum para essas idéias.
3) A evolução é uma teoria totalmente baseada em descobertas de fósseis ou em experiências biogenéticas realizadas, enquanto o criacionismo é uma obra abstrata e completamente desprovida de bases científicas reconhecidas.
4) Há argumentos neocriacionistas que se valem de recentes descobertas da ciência que seriam falsas a fim de provar a verdade de qualquer crença.
5) O evolucionismo se concentra na busca por explicações para os eventos da natureza, enquanto o criacionismo adapta eventos naturais à sua própria visão de mundo.
O Portal do Espírito explica o embate criacionismo versus evolucionismo da seguinte maneira:
Pode-se, a partir daí, perceber o embate que apareceu entre criacionismo e evolucionismo. De um lado, religiosos classificando os cientistas de hereges. De outro, toda uma comunidade científica se aprofundando sobre a questão da formação do Universo, do planeta Terra e dos seres vivos. Para alguns teólogos, o planeta teria em torno de 6500 anos. Para os cientistas, a média seria de 5 bilhões de anos. Hoje não há dúvida sobre esta datação. As técnicas radiológicas, que usam a chamada meia-vida dos elementos radioativos, mostram-nos que é impossível uma idade tão curta para o planeta como querem afirmar os criacionistas. A Igreja Católica, depois de relutar tanto com os cientistas, já aceita a evolução das espécies como verdade irrefutável. A mesma Igreja que outrora combateu o evolucionismo de Darwin, hoje prega que a história bíblica da criação é uma alegoria que deve ser discernida pelas luzes da ciência. O espiritismo desde sua fundação com o lançamento de 'O livro dos Espíritos' já demonstrava uma posição evolucionista, sem para isso tirar Deus da temática da criação.
O que o autor desse artigo esquece é que ainda há certos setores da Igreja Católica que assumem a versão criacionista como verdade absoluta. A posição da corrente espírita baseada nos ensinamentos kardecistas vai mais longe e se lança como uma das que já assumiam uma posição evolucionista desde o início. Ou seja, como complementa o artigo:
Nós, espíritas, sabemos que Deus é o princípio de tudo, mas nem por isso precisa derrogar Suas Leis e criar tudo como um passe de mágica. Se assim fosse, Deus não seria Deus, seria um "Mandraque" que, através de uma palavra, criaria tudo que existe no Universo e no planeta Terra.
Como podemos ver, o embate entre ciência e religião cobre os extremos da questão da autenticidade de peças religiosas ao posicionamento filosófico sobre como o mundo foi criado. Nem todos levam a Bíblia ao pé da letra, o que leva a descobertas inéditas e fascinantes sobre nossas verdadeiras origens.
E depois, como podemos ver, essa batalha não deve se resolver tão cedo. Basta apenas ficar de olho nos noticiários e aguardar para que, um dia, haja um ponto de vista comum a essas duas correntes de pensamento.

(Sérgio Pereira Couto - "Os arquivos secretos do Vaticano")

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publicado às 21:05



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