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filosofia da religião

por Thynus, em 04.09.13

 

O estudo filosófico dos conceitos e afirmações religiosas. Apesar da multiplicidade de religiões com diferentes cultos, mitos e práticas, os filósofos têm-se tradicionalmente centrado nas religiões dominantes no ocidente o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Uma das razões deve-se ao facto de estas religiões fornecerem visões complexas acerca do modo como o mundo e o universo se comportam, ao contrário do que se passa com as religiões orientais como o hinduísmo, o budismo e o confucionismo que se preocupam mais em propor formas de conduta e de viver. O que interessa em geral aos filósofos é saber se a visão religiosa do universo é ou não verdadeira. Comum às religiões ocidentais é a crença na existência de Deus. Deus é caracterizado como uma pessoa incorpórea e eterna, que criou o universo, que é sumamente boa (moralmente perfeita), que é toda-poderosa (omnipotente), que sabe tudo (omnisciente), que está em todo o lado (omnipresente), etc. Diz-se que este deus é o Deus teísta, e chama-se teísmo à crença na sua existência, de modo que não é de estranhar que os problemas que mais têm atraído a atenção dos filósofos sejam o da coerência do conceito de Deus e o da existência de Deus.
Um dos paradoxos clássicos relativamente à coerência do conceito de Deus é o de saber se Deus pode criar uma pedra tão pesada que Ele não a possa levantar. Se Deus é omnipotente, então pode criar tal pedra, mas se a criar então não é omnipotente, porque depois não pode levantá-la. Por outro lado, se não a pode criar, então não é omnipotente. Uma resposta a este problema é a de que Deus não pode criar impossibilidades lógicas. Outro problema é o de saber se a existência de Deus é compatível com a liberdade humana: se Deus sabe tudo, então sabe o que vamos fazer; mas, se sabe o que vamos fazer, então o que vamos fazer já está determinado; logo, não pode haver livre-arbítrio.
A questão de saber se Deus existe é a que mais tem interessado aos filósofos. São vários os argumentos a favor da existência de Deus, muitos deles apresentados na Idade Média. Por exemplo, só da autoria de Tomás de Aquino há cinco argumentos a favor da existência de Deus. Os principais tipos de argumentos a favor da existência de Deus são: o argumento ontológico, o argumento cosmológico e o argumento do desígnio. Estes argumentos ganharam um novo fôlego nas mãos de teístas contemporâneos como Alvin Plantinga (n. 1932) e Richard Swinburne (n. 1934), que defendem versões mais sofisticadas de alguns deles. Chama-se "teologia natural" ao estudo racional de Deus. A "teologia revelada" é o estudo de Deus baseado na fé e na revelação.
Dois outros problemas igualmente muito discutidos são o papel dos milagres enquanto provas da existência de Deus, a que David Hume levantou fortes objecções (ver milagre), e o problema do mal.
Muitos filósofos fideístas (ver fideísmo) defendem que a questão de saber se Deus existe não é susceptível de discussão racional: é uma questão fé.
Outros problemas igualmente importantes são os seguintes: Será que a existência de Deus é compatível com a liberdade humana? Será que existe vida depois da morte? Como compreender conceitos como o de fé, salvação e criação, entre outros? CT
Swinburne, Richard, Será que Deus Existe? (Lisboa: Gradiva, 1998).
Blackburn, Simon, Pense: Uma introdução à Filosofia, Capítulo 5 (Lisboa: Gradiva, 2001).
Ward, Keith, Deus, Fé e o Novo Milénio (Mem Martins: Publicações Europa-América, 2000).
Warburton, Nigel, Elementos Básicos de Filosofia, Capítulo 1 (Lisboa: Gradiva, 1998).

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