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identidade pessoal

por Thynus, em 03.09.13

 

As pessoas persistem no tempo: existem em muitos momentos diferentes. Por exemplo, é comum considerar-se que eu sou hoje a mesma pessoa que era quando tinha apenas dois anos de idade. Esta identidade aparente levanta contudo problemas filosóficos óbvios, pois não tenho hoje quase nenhuma das propriedades mais salientes que tinha aos dois meses. O que faz cada um de nós ser a mesma pessoa ao longo do tempo, apesar das mudanças físicas e psicológicas que se vão acumulando? Uma possibilidade é que a nossa identidade ao longo do tempo se deva essencialmente à continuidade corporal: ao facto de termos o mesmo corpo ao longo de toda a vida. Outra possibilidade é a identidade pessoal consistir apenas na continuidade psicológica: no facto de termos estados mentais (como memórias, intenções, crenças e planos) que se mantêm ao longo do tempo ou que se relacionam causalmente entre si. O que aconteceria, por exemplo, se o nosso corpo fosse destruído mas transplantassem o nosso cérebro para um novo corpo? Quem defende o critério da continuidade corporal dirá que morremos com a destruição do corpo. Quem defende o critério da continuidade psicológica afirma, pelo contrário, que poderíamos viver num novo corpo ou, talvez, até num suporte não biológico. Todas as teorias tradicionais enfrentam problemas espinhosos. No caso da continuidade psicológica, temos o chamado "problema da bifurcação": a possibilidade teórica de criar réplicas co-ocorrentes da mesma pessoa, ambas em continuidade psicológica com o indivíduo original, o que levanta a pergunta, "Qual delas é o "verdadeiro" indivíduo?". A teoria da continuidade do corpo enfrenta a objecção óbvia de que sobrevivemos a transformações qualitativas radicais nos nossos corpos. Ver identidade, tempo.

(Pedro Galvão)

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publicado às 16:54



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