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A felicidade não se compra

por Thynus, em 05.12.10
Há dois mil anos Jesus pregou: "Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus" (Mt 5,10). E, no nosso tempo, levantou-se a sociedade de consumo e disse: - "Infelizes os pobres de espírito, pois não irão a lugar nenhum. - Infelizes os que choram, pois estão mostrando suas fraquezas. - Infelizes os mansos, pois nunca conseguirão se impor. - Infelizes os famintos e sedentos de justiça, pois irão morrer de fome esperando o direito. - Infelizes os que se compadecem, pois se mostram despreparados para a competição social. - Infelizes os limpos de coração, pois não sabem o que estão perdendo. - Infelizes os pacíficos, porque são reconhecidos como filhos da fraqueza. - Infelizes os perseguidos por causa da justiça, porque não tiveram dinheiro para comprar os seus direitos a tempo." Sejamos sinceros: não é esta lógica das "mal-aventuranças" que norteia muito mais os princípios da nossa sociedade que a lógica do estar ao lado do fraco, desprovido, despreparado, doente, faminto, injustiçado? Jesus mostra no seu famoso discurso (Sermão da Montanha) que a lógica divina é a lógica da inversão. Ninguém sabe dar uma resposta clara, quando é questionado sobre a felicidade. Que é na verdade a felicidade? Em que consiste realmente? Como alcançá-la? Por quais caminhos? Certamente que não é fácil conseguir ser feliz. Não se consegue a felicidade a qualquer preço. Não basta conseguir o que estavamos procurando. Não é suficiente satisfazer os desejos. Quando alguém conseguiu o que queria, descobre que está novamente procurando ser feliz. Também é claro que a felicidade não se pode comprar. Não se pode adquiri-la em qualquer prateleira de algum hipermercado, tal como a alegria, a amizade ou a ternura. Com dinheiro apenas podemos comprar aparência de felicidade. Por isso, existem tantas pessoas tristes nas nossas ruas. A felicidade foi substituída pelo prazer, a comodidade e o bem-estar. Mas ninguém sabe como devolver ao homem de hoje o gozo, a liberdade, a experiência de plenitude. Nós temos as nossas «bem-aventuranças». Soam assim: Felizes os que têm uma conta corrente bem recheada, os que podem comprar o último modelo, os que sempre triunfam a qualquer preço, os que são aplaudidos, os que desfrutam da vida sem escrúpulos, os que se desligam dos problemas... Jesus colocou a nossa «felicidade» de cabeça para baixo. Deu uma volta de 180.º na nossa maneira de entender a vida e mostrou-nos que estamos correndo «em direcção contrária». Há um outro caminho verdadeiro para ser feliz, que a nós nos parece falso e pouco credível. A verdadeira felicidade é algo que encontraremos facilmente, como fruto de um seguimento simples e fiel de Jesus. Em que acreditar? Nas bem-aventuranças de Jesus ou nos reclamos de felicidade da nossa sociedade? Temos que eleger entre estes dois caminhos. Ou tratar de assegurar a nossa pequena felicidade e sofrer o menos possível, sem amar, sem ter piedade de ninguém, sem compartilhar... Ou amar, procurar a justiça, estar próximo daquele que sofre e aceitar o sofrimento que for necessário, crendo numa felicidade mais profunda. Vamo-nos tornando crentes quando vamos descobrindo na prática que o homem é mais feliz quando ama, incluso sofrendo, do que quando não ama e portanto não sofre por isso. É um equívoco pensar que o cristão está chamado a viver de maneira mais infeliz que os outros. Ser cristão, pelo contrário, é procurar a verdadeira felicidade pelo caminho indicado por Jesus. Uma felicidade que começa aqui, embora alcance a sua plenitude no mais além do aqui e agora.

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