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Descobrindo a anatomia do orgasmo

por Thynus, em 11.08.13

 

Pesquisas pioneiras revelam o que acontece com homens e mulheres no auge do prazer e  acenam para a possibilidade de uma pílula do êxtase


 

Está ocorrendo na Europa uma pesquisa que fará o mapeamento da cascata de sensações verificadas no corpo e na cabeça no ápice do prazer. O método de investigação não poderia ser mais pragmático. No laboratório do holandês Gert Holstege, da Universidade de Groningen, um casal se posiciona sob um relógio digital e o cientista dá a partida: ''Por favor, peço que cheguem ao orgasmo em quatro minutos''. Enquanto a mulher começa a acariciar o parceiro, o cérebro dele é vasculhado por um aparelho de tomografia. A máquina registra as regiões ativadas até que ele atinja o clímax. Em seguida, há uma inversão de funções: o homem estimula sua parceira. Quando a mulher se aproxima do orgasmo, o coração bate mais forte, a pressão arterial sobe, os músculos da bacia e das nádegas se contraem.

 

O scanner investiga os mínimos detalhes do córtex, a fim de desvendar o segredo que instiga os seres humanos desde que existe o amor: o que acontece quando experimentamos o ápice das sensações? A parafernália de alta tecnologia, que pesa toneladas e custa 3 milhões de euros, revela o que ocorre na cabeça, nos hormônios e em várias partes do organismo (vide abaixo) durante o ato sexual.

 

 
A análise do que acontece no cérebro e no corpo durante o sexo pode levar ao surgimento de uma pílula do orgasmo


Ele só pensa naquilo
Pesquisas mostram que homens e mulheres têm áreas diferentes do cérebro ativadas por um estímulo sexual. Nos homens, há altos índices de ativação da amígdala cerebral e do hipotálamo, estruturas que controlam a emoção e a motivação. A mesma cena erótica provoca no cérebro das mulheres outro tipo de reação. Reside aí boa parte das incompreensões e insatisfações mútuas dos casais na cama.

 

"O cientista que se ocupa da anatomia do orgasmo faz algo de bom para o ser humano'', justifica o Prof. Holstege. Por preconceito ou arrogância, o ponto culminante da paixão e do prazer continua a ser território quase inexplorado para os pesquisadores. Tanto que as inovadoras imagens feitas por Holstege não foram aceitas pelas prestigiadas revistas científicas americanas Nature e Science, sob a alegação de que o material não interessaria aos leitores.

 

Pela primeira vez, o trabalho revela a assinatura neurológica do êxtase. O computador funciona também como um perfeito detector de mentiras. No orgasmo fingido, as áreas do desejo no cérebro das mulheres permanecem em calma, enquanto os centros de movimento apresentam maior atividade. Os cientistas também conseguiram esclarecer por que as pessoas mergulham em um vale de indolência depois de surfar sobre as ondas do desejo.
''Após o sexo, todos os seres vivos ficam tristes, com exceção do galo e da mulher'', já observava o médico Galeno, no século II a.C.
A responsável por isso parece ser a Prolactina. O hormônio que dispara a produção de leite depois do parto também age como freio do desejo logo após o orgasmo. Será que uma pílula que inibisse a ação da Prolactina poderia ajudar os homens a tornar realidade o sonho de ter orgasmos sucessivos?
O orgasmo é uma coisa do dia-a-dia, assim como o ato de mastigar; infelizmente, conhecemos mais sobre a fisiologia da mastigação que a respeito dos mecanismos do prazer. Do primeiro olhar mais insinuante até a transmissão dos espermatozóides, a natureza compôs uma coreografia para o encontro entre o homem e a mulher. A pressão arterial e a pulsação sobem, o pênis se intumesce, a vagina fica úmida, os pequenos lábios da vulva e o clitóris se expandem.
Quando a dança dos corpos chega perto do gran finale, geralmente o homem é o primeiro a viver seu prazer máximo. A vesícula seminal e a próstata se estreitam ritmicamente. Na hora H, até 240 milhões de espermatozóides são lançados pela uretra com uma velocidade entre 14 e 18 quilômetros por hora. Se a parceira também chega ao clímax nesse mesmo instante - algo que todos desejam, mas não necessariamente conseguem -, a vagina forma uma ''guarnição para o clímax''. Assim como o útero, ela se contrai de cinco até 12 vezes.
Apesar de ter criado esse balé cuidadoso, a natureza não é mestre em sincronização. Segundo vários biólogos, isso explica por que muitos homens chegam esgotados a sua meta enquanto as mulheres ainda estão no meio do caminho. A pressa masculina seria necessidade da reprodução. Segundo essa visão, o orgasmo funcionaria como um prêmio da natureza pelo êxito atingido, para gratificar os praticantes por passarem adiante sua carga genética e garantir a perpetuação da espécie. O risco de fracasso biológico seria alto demais caso as mulheres fossem coroadas em primeiro lugar com os louros do prazer, talvez muitas parceiras simplesmente virassem de lado, satisfeitas, antes que o homem pudesse doar seus espermatozóides.

Os cientistas alemães Forsting e Elke investigam a atividade cerebral de quem assiste a filmes eróticos

Em cada um dos sexos, o prazer revela-se de forma diferente. Isso foi constatado de forma inquestionável pelos estudos ainda não publicados de Michael Forsting e Elke Gizewski, do Hospital das Clínicas de Essen, na Alemanha. Doze homens e 12 mulheres permitiram que seu cérebro fosse vasculhado por equipamentos de ressonância magnética enquanto viam alternadamente filmes eróticos e inocentes trabalhos de bricolagem.
A excitação provocada pelas imagens de sexo ativou regiões distintas. Nos homens, brilham áreas cerebrais mais primitivas, existentes também em galos e crocodilos. Nas mulheres, são ativados setores na parte mais nobre do cérebro, responsável pelo pensamento. Isso significa que durante o sexo a parceira age de forma mais racional, enquanto eles só pensam naquilo enquanto os homens seguem mais seu impulso de acasalamento; para as mulheres, a sensualidade é algo mais importante.
     
Quando nossos antepassados da Idade da Pedra faziam sexo, era importante que ao menos um dos parceiros não se desligasse por completo do mundo exterior e coube à mulher mais essa incumbência. Durante o sexo selvagem ela permanecia alerta para notar a proximidade de um leão ou o sumiço de uma criança. 
Qual seria, então, a razão biológica do orgasmo feminino? Afinal, para garantir a reprodução, bastaria que a fêmea aceitasse fazer sexo. Acredita-se que uma recompensa, sob a forma do prazer, aumenta a disposição para a repetição do coito e, dessa forma, a chance de gerar descendentes. Além disso, os fisiologistas descobriram que as contrações do colo do útero ocorridas durante o orgasmo transportam os espermatozóides para mais perto dos óvulos. Isso eleva a probabilidade de uma gravidez.
Uma pesquisa realizada pelo Hospital Charité, em Berlim, com 575 participantes entre 18 e 71 anos, revelou que a média de tempo até que seja atingido o orgasmo é de oito minutos. O trabalho também elucidou preferências, concluindo que as mulheres vivem o orgasmo clitoridiano de forma mais intensa, mas ficam sexualmente mais satisfeitas quando também atingem o clímax através da penetração.
MÃE PRIMITIVA
A Vênus de Willendorf (25.000 a.C.) é conhecida como uma das representações mais antigas da fecundidade feminina
Esse prazer anda em falta. Quase metade das mulheres que participaram da pesquisa raramente ou nunca consegue atingir seu ''paraíso sexual'' quando está com seu parceiro. Homens feridos em sua reputação costumam alegar que o orgasmo feminino é algo mais complicado e difícil de ser alcançado. Essa idéia é rejeitada por alguns cientistas que, segundo uma pesquisa com 776 voluntárias, quando a mulher se masturba, quase sempre atinge o orgasmo. Observa-se que muitas mulheres dizem que o sexo lhes dá prazer, mas que seus parceiros ficam muito tristes porque elas não chegam sempre ao orgasmo. Mas isso nem sempre desencadeia um cavalo-de-batalha. Quase metade das mulheres que admitem não chegar ao orgasmo no ato sexual afirma estar ''sexualmente satisfeita'' e nessa amostra, 76% chegaram a dizer que tinham ficado felizes.

Quando é forte a pressão pelo gran finale, muitas parceiras partem para a encenação, e, apenas uma em cada dez mulheres nunca fingiu um orgasmo. A razão da mentira: 41% delas querem agradar ao parceiro, mas por outro lado, uma em cada quatro adota o expediente para abreviar a relação.

É verdade que nem sempre o clímax se assemelha ao estrondo de um trovão acompanhado de uma chuva de estrelas, pois o orgasmo não está atrelado a órgãos específicos e muito menos aos genitais e, o curioso é que, além dos órgãos sexuais primários, quase todas as outras partes do corpo podem suscitar o prazer.
Para algumas pessoas é suficiente estimular os lóbulos das orelhas ou ter os cabelos massageados. Alguns estudos atestam que as mulheres sentem orgasmo apenas com estimulação nos seios (30%) e na boca (20%). Ambos os sexos (25% das mulheres e 21% dos homens) chegaram, pelo menos uma vez, ao sétimo céu do prazer sem nenhum contato corporal. Ou seja, apenas por meio da fantasia, pois prazer e excitação não ocorrem na bacia, e sim entre as duas orelhas.
O cérebro é o órgão de prazer mais poderoso e isso é percebido por qualquer um que, ao menos uma vez na vida, já ficou com o coração saltando pela boca só de pensar na pessoa amada. Conhecer as estruturas cerebrais que participam disso e elucidar suas funções é fundamental para o desenvolvimento de terapias e medicamentos para melhorar a qualidade da vida sexual e tratar transtornos psiquiátricos ligados ao sexo, como a pedofilia. Nesse contexto, as pesquisas européias representam a luz contra as trevas. Os estudos feitos sobre orgasmo na Europa, financiados com dinheiro público, seriam inimagináveis nos Estados Unidos, onde a influência dos conservadores é fortíssima.
PUDOR
Entre as brasileiras, 31% nunca se masturbaram na vida. Entre os homens, o índice cai para 3%
O direito ao sexo prazeroso deveria ser encarado como uma questão de saúde pública, passível de financiamento para pesquisas e desenvolvimento de novas terapias. Já se sabe, por exemplo, que a substância Cabergolina - usada no tratamento do mal de Parkinson ou para interromper a produção de leite - aumenta o desejo e propicia um orgasmo mais intenso. Também a Bupropiona, uma droga anti-depressiva que vinha sendo utilizada no combate ao tabagismo e que demonstrou ser a mais moderna escolha no tratamento do desinteresse sexual em mulheres, estimulando a libido, provocando sonhos eróticos e proporcionando na maioria das que usaram, orgasmos intensos. É utilizada somente sob prescrição médica e não tem ação em homens. Ao mesmo tempo, um controverso adesivo de testosterona que promete aumentar o apetite sexual das mulheres está sendo analisado pela FDA (Agência reguladora de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos) Os especialistas alertam que a administração prolongada do medicamento pode ser prejudicial ao organismo, mas de qualquer maneira, as pesquisas já comprovaram que sexo de qualidade faz bem ao coração, tonifica os músculos, melhora o sistema imunológico - e, sem dúvida, o humor de qualquer um. 

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publicado às 16:27



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