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Já afirmei em outro artigo que a corporalidade e a sexualidade são fatores decisivos na construção da identidade pessoal, e de certa forma, do equilíbrio emocional. O corpo sente, pensa e expressa. A sexualidade também é uma forma de expressão corporal, afetando o ser humano intimamente, de forma tanto positiva como negativa. É altamente dependente de crenças e valores inseridos pela sociedade em que vivemos.
Ao abordar sexualidade e corporalidade é imprescindível falar de Wilhelm Reich. Um homem à frente de sua época, muitas vezes incompreendido, o médico e pesquisador austríaco via mente e corpo como uma unidade.
Iniciamos este artigo com referencias a sua introdução ao livro “A função do orgasmo – Problemas econômico-sexuais da energia biológica”, publicado pela primeira vez em 1942.
Reich afirmou que abordar o tema “sexualidade” poderia soar ofensivo para a sociedade da época. Décadas se passaram, o discurso parece ter mudado, mas será que na prática realmente mudou? Falar sobre a sua sexualidade causa constrangimento?
Ao abordar esse tema, segundo Reich, principalmente quando nos referimos ao orgasmo sexual, deparamo-nos com questões derivadas no campo da psicologia, fisiologia, biologia e até da sociologia.
Reich afirma também que a “natureza e cultura, instinto e moralidade, sexualidade e realização tornam-se incompatíveis, como resultado da cisão na estrutura humana”. O Homem só se libertaria quando vivenciasse a exigência biológica da satisfação sexual natural, ou seja, quando vivesse plenamente sua sexualidade e sua potencialidade orgástica.
A estrutura do caráter do homem moderno é reflexo de uma cultura patriarcal autoritária caracterizada por um “encouraçamento” do caráter contra sua própria natureza interior e contra a miséria social que o rodeia. “A formação das massas no sentido de serem cegamente obedientes à autoridade se deve não ao amor paternal, mas à autoridade da família. A supressão da sexualidade nas crianças pequenas e nos adolescentes é a principal maneira de conseguir essa obediência” (Reich, 1991).
Reich afirma que a saúde psíquica está intimamente ligada com a capacidade do indivíduo sentir prazer e ter um orgasmo satisfatório. Para ele as incapacidades psíquicas são a conseqüência do caos sexual da sociedade.
O ser humano manifesta o que sente através da sua corporalidade. Seja através do olhar, da forma de ouvir, do falar, enfim em todos os gestos exprimimos os nossos sentimentos, isto é, são expressões corporais do nosso estado de espírito.
“No campo da psicoterapia, desenvolvi a técnica vegetoterápica de análise do caráter. Seu principio básico é o restabelecimento da motilidade biopsíquica através da anulação da rigidez (encouraçamento) do caráter e da musculatura. Essa técnica de tratamento de neuroses foi experimentalmente confirmada pela descoberta da natureza bioelétrica da sexualidade e da angústia. Sexualidade e angústia são funções do organismo vivo que operam em direções opostas: expansão agradável e contração angustiante” (Reich, 1991).
Entre outras palavras, terapia corporal, relaxamento de tensões corporais, proporcionando melhores condições para viver plenamente sua sexualidade, facilitando, no ato sexual, o orgasmo e liberação total destas tensões, melhoram muito a qualidade de vida do ser humano.
A teoria de Reich se fundamenta em libertar o corpo e a mente, criar condições para que o organismo possa se expressar livremente. Esta é uma grande declaração de amor do corpo para a natureza, e que deve nortear nossos princípios de entender a vida do ser humano (Afonso, 2007).
O autor afirma ainda que podemos entender todo o processo das couraças como uma grande dificuldade de amar, porque o amor é uma qualidade de ser, é uma questão de estar aberto para se expressar e para acolher, e isto implica estar em contato com os próprios sentimentos. O indivíduo que não pode compreender seus próprios sentimentos tem uma dificuldade muito grande de amar e de se entregar.
Reich tinha uma idéia cientificamente racional e bem definida da vida social. Baseava esta idéia em sua crença que “nossa terra jamais encontrará paz duradoura e procurará em vão satisfazer a prática da organização social, enquanto políticos e ditadores de qualquer partido, ignorantes e ingênuos, continuarem a corromper e a liderar massas populares sexualmente doentes” (Reich, 1991).
Reich afirma que a ‘moralidade’ é ditatorial quando confunde com pornografia os sentimentos naturais da vida. Uma revista que fala sobre sexualidade é imoral? Qual o entendimento sobre sexualidade no grande público da internet brasileira?
Analiso constantemente os termos de buscas dos internautas que os trazem até esta revista. Algumas pesquisas são interessantes e bem fundamentadas, mas a maioria delas revela grande grau de ingenuidade e desconhecimento referente a sua própria sexualidade. Muitos esbarram na grande dificuldade encontrar material de qualidade com linguagem acessível, ou encontram artigos em jargão complicado ou informações simplistas e muitas vezes incorretas. Por este motivo tenho me dedicado a esclarecer e desmistificar a sexualidade.

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publicado às 16:15



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