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Ameaçados de Morte?

por Thynus, em 05.12.10

É cada vez mais intenso o afã de todos em espremer a vida, reduzindo-a ao desfrute intenso e ilimitado do presente. É a consigna que encontra cada vez mais adeptos: "queremos tudo e queremo-lo agora". Não dominamos o porvir e, por isso, é cada vez mais tentador viver sem futuro, actuar sem projectos, organizar apenas o presente. A incerteza de um futuro demasiado obscuro parece empurrar-nos a viver o instante presente da maneira absoluta e sem horizontes. Já não parecem tão importante os valores, os critérios de actuação ou a construção do amanhã. O amanhã ainda não existe. Há que viver apenas o presente. Porém, cada um de nós vive mais ou menos conscientemente com um interrogante no seu coração. Podemos distrair-nos estreando um novo modelo de automóvel, desfrutando intensamente umas férias, submergindo-nos no nosso trabalho diário, fechando-nos na comodidade do lar. Mas, todos sabemos que estamos "ameaçados de morte". No interior da felicidade mais transparente esconde-se sempre a insatisfação de não poder evitar a sua fugacidade nem poder saborea-la sem a ameaça da ruptura e a morte. E mesmo que não todos sintamos com a mesma força a tragédia de ter que morrer um dia, todos entendemos a verdade que encerra o grito de Miguel de Unamuno: "Não quero morrer, não, não, não quero nem posso quere-lo; quero viver sempre, sempre, sempre, e viver eu, este pobre eu que sou e me sinto ser agora e aqui". Este pobre homem que todos somos e cujas pequenas esperanças se vêm, tarde ou cedo, malogradas e inclusivamente, completamente destroçadas, precisa de descobrir no interior do seu mesmo viver um horizonte que ponha luz e alegria na sua existência. Felizes são os que iluminados pela luz da Ressurreição possam compreender desde o fundo do seu ser, as palavras daquele jornalista da Guatemala que, ameaçado de morte, expressava assim a sua esperança cristã: "Dizem que estou ameaçado de morte... quem não está ameaçado de morte? Estamos todos desde que nascemos... Porém há na advertência um erro conceptual. Nem eu nem ninguém estamos ameaçados de morte. Estamos ameaçados de vida, ameaçados de esperança, ameaçados de amor ." Talvez nunca a humanidade, ameaçada de morte em tantas frentes e por tantos perigos que ela mesma desencadeou, tenha necessitado tanto como hoje de homens e mulheres comprometidos incondicionalmente e de modo radical na defesa da vida. Esta luta pela vida temos que inicia-la no nosso próprio coração, "campo de batalha em que duas tendências disputam a primazia: o amor à vida e o amor à morte" (E. Fromm). Desde o interior do nosso próprio coração vamos decidindo o sentido da nossa existência. Ou nos orientamos para a vida pelos caminhos de um amor criador, uma entrega generosa aos outros, uma solidariedade geradora de vida... ou entramos por caminhos de morte, instalando-nos no egoísmo estéril e decadente, uma utilização parasitária dos outros, uma apatia e indiferença total ante o sofrimento alheio.

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publicado às 19:18



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