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ÉTICA E LIBERDADE

por Thynus, em 29.07.13

 

Sendo assim, temos que pensar que o aprendizado da ética seja o grande objetivo dessa nossa aventura como espécie, que ele acontece a nível individual antes que se manifeste no coletivo. E que este aprendizado é o mesmo da liberdade. Porque ambas, ética e liberdade, talvez tenham o mesmo significado e só a sua existência conjunta complete o quebra cabeças.
Se soubéssemos respeitar os outros e fossemos respeitados o que teríamos a temer? Que tipo de sentimentos despertaríamos uns nos outros? Que motivos teríamos para sofrer se nos recusássemos a ser a fonte de sofrimento para outra pessoa ou a servirmos de alvo às suas agressões?
Como disse Freud, nenhum sofrimento nos é tão penoso quanto aquele que provém de outro ser humano. E se finalmente pudéssemos pelo menos tentar deixar de ser fonte desse sofrimento?
Não estou falando de idéias piedosas, a piedade não precisa existir onde há o respeito. Não estou falando de nenhuma idéia religiosa sobre nos tornarmos santos ou nos comportarmos de uma forma que nos garanta acesso ao paraíso. Estou falando de querer ser respeitado e de enxergar que os outros tem o mesmo direito. Simplesmente porque não há nenhuma necessidade de vivermos no inferno que não tenha sido inventada por nós mesmos. Somos o inferno uns dos outros. Estabelecemos relações parasitárias com nossos semelhantes. Somos os parasitas e os parasitados dependendo das circunstâncias.
Quando estabelecemos relações de domínio e dependência estamos sendo imaturos e retrocedendo a um estágio muito primitivo de desenvolvimento mental em que precisamos controlar o outro para termos nossas necessidades satisfeitas. Tal comportamento é legítimo em crianças muito pequenas, mas adultos precisam aprender a existir por seus próprios meios, isso inclui pensar, preservar-se de condutas auto destrutivas e aprender que não há realmente nenhuma necessidade de parasitar alguém. Nem por que permitir que alguém haja como parasita em relação a nós.
Nós precisamos aprender a estabelecer relações amorosas e não parasitárias. Na relação verdadeiramente amorosa há benefício para ambos, ela é voluntária e nos traz bem estar. Caracteriza-se pelos sentimentos de consideração e respeito mútuo. Não há privação de liberdade. É mais parecida com o comensalismo.
A relação parasitária é só aparentemente vantajosa para o parasita. Na verdade ele é uma criatura incapaz de vida independente, não tem meios para prover sua subsistência senão prejudicando alguém. Corre sério risco pois, assim que puder, o outro se livrará dele, e sua vida dura enquanto dure a do outro .É uma sub vida a do parasita.
Já para o ser parasitado o prejuízo é total. Ninguém em sã consciência pretende estar nessa posição de tão evidente desvantagem. O que pretende parasitar terá de usar a força ou valer-se da fragilidade do outro para se instalar lá. A vítima do parasitismo, para alimentar o parasita terá de fazer esforços redobrados e não hesitará se puder manter com outro o mesmo tipo de relação espoliativa a que está sujeito.
O dominado, se puder, inverterá as coisas de forma ninguém pode encontrar segurança em tal situação. Por isso não é um discurso piedoso. É uma avaliação de que tanto como indivíduos quanto como espécie, precisamos evoluir em nossas relações para que o nível de bem estar encontrado nelas seja mais satisfatório e duradouro.
É, na verdade, um discurso que faz a defesa da saúde mental como um direito de cada um e uma grande conquista a ser efetuada, já que é a nossa cabeça que está movimentando o planeta.
À ciência honesta cabe comunicar tudo o que descobre sobre a saúde e a enfermidade, às pessoas cabe o direito de tomar ou não em consideração o que é dito.

(Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")

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publicado às 23:20



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