Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




LIBIDO, O ELO

por Thynus, em 29.07.13

 

“E, no desenvolvimento da
humanidade como um todo, do mesmo
modo que nos indivíduos, só o amor atua
como fator civilizador, no sentido de
ocasionar a modificação do egoísmo em
altruísmo.”
Ed. Standard, vol. XVIII.
Segundo a hipótese acima, grupo se uniria baseado no laço libidinal entre seus participantes. O primeiro destes laços se estabelece na infância e é forçado, ou facilitado, pelo fato de sermos absolutamente indefesos e dependentes. É preciso que alguém mantenha-se suficientemente interessado em nós para prover nossas necessidades e manter-nos vivos. Esse primeiro laço é, então, de total dependência, e nele, em princípio, desconhecemos a existência do outro como um ser independente de nós. Supomos que existe em função de ser nosso provedor e o vemos com os olhos do interesse em obter satisfação.
É inicialmente um amor egoísta e movido pelo interesse de auto-preservação. À medida que crescemos, desenvolvemos consciência da existência do outro, um ser amado e desejado que existe separadamente. Forma-se a idéia de eu e não eu.
Quando descobrimos a existência do OUTRO, passamos a nos preocupar com sua segurança e bem estar. Sua presença é tranquilizadora e desejada e sua integridade vital para nós. Ainda estamos atuando em proveito próprio: esse alguém nos é muito caro e perdê-lo seria doloroso e ameaçador. Este fato representa um grande avanço no desenvolvimento da psiquê, saímos de um estágio anterior de nos considerarmos o centro do mundo para o universo das relações. E toda nossa existência será assim, a menos que adoeçamos mentalmente ou que alguma patologia nos tolha por demais essa capacidade.
Se chegarmos a ser saudáveis o suficiente para ingressar nessa etapa já teremos cumprido importante parte de nosso desenvolvimento.
Algum tempo depois passamos a nos identificar com esse outro. Com a maturidade nos tornaremos gradualmente capazes de identificar seus estados de espírito e de avaliar seu bem estar comparando com o que sentimos, num processo de empatia.
Aí já temos uma forma mais evoluída de amor, em que tentamos proteger a quem amamos, zelamos por ele e já somos capazes de abrir mão de algum desejo em seu favor. Seremos capazes, por exemplo, de renunciar a um impulso agressivo para não feri-lo.
Esse período do desenvolvimento psíquico humano acompanha-se das maiores aquisições de habilidades. Um verdadeiro surto de desenvolvimento ocorre na criança que vive essa fase. Desencadeia-se o processo de aquisição da linguagem e da marcha e acentua-se a capacidade de imitar. A criança adquire independência gradual a medida que se reconhece como indivíduo.
Esse seria o desenvolvimento desejável e correto da nossa capacidade de relacionamento e auto-percepção. Mas, não necessariamente ocorre assim e, na vida adulta temos inúmeras oportunidades de preservar a forma primitiva de ligação, em que outro é visto como mera fonte de satisfação sem que exista nenhum reconhecimento de suas necessidades.
Em tal situação torna-se muito dificultada a formação de grupo, cada um verá o outro a serviço de si próprio e terá dele uma visão parcial, já que só algumas de suas características serão proveitosas e não haverá genuína preocupação e reconhecimento.
Numa relação em que os laços libidinais se tenham desenvolvido satisfatoriamente, os indivíduos terão alcançado este nível mais amadurecido de percepção integral e capacidade empática, segundo as observações da psicologia do desenvolvimento feitas pela escola inglesa.
(Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:57


Comentar:

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

subscrever feeds