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As alterações feitas na Bíblia

por Thynus, em 28.07.13

 

 

Falar sobre os Arquivos Secretos do Vaticano leva a dois assuntos que sempre despertaram certa curiosidade nas pessoas: conhecer os processos reais das pessoas perseguidas pela Inquisição e saber mais sobre os documentos que estão lá e que tratam de assuntos polêmicos, como os processos da Inquisição e a manipulação (alteração) dos textos da Bíblia.
Sabe-se que o livro sagrado do cristianismo foi traduzido e sofreu alterações ao longo dos anos por motivos ligados ao trabalho de adaptação de uma língua morta, como o aramaico, para o grego, o latim e depois para as línguas mais modernas. Mas o que se sabe sobre esse processo de modificação, mesmo que tenha sido involuntário?

Intervenção humana

O status de livro sagrado que a Bíblia adquiriu com o passar dos anos causou muito da bibliolatria. Também há a questão das alterações e edições sob o ponto de vista histórico, um ponto que, para muitos, seria o suficiente para que estudiosos fossem queimados por duvidar de intervenção humana em tais textos.
O fato é que, querendo ou não, é necessário admitir que tal coisa aconteceu. Com o passar dos anos e dos séculos, seria quase impossível que os homens não mexessem com seu conteúdo de uma maneira ou de outra. O importante, nessa questão, não é colocar a Bíblia em xeque, mas entender que histórias como a dos evangelhos, que "levitaram" durante o Concilio de Niceia, são, com todas as chances, possíveis justificativas mistificadoras para se esconder uma participação humana.
A Bíblia é uma obra escrita e, como tal, esteve e estará sujeita a edições e alterações. Até aí, isso é normal. Quando falamos, por exemplo, das traduções que a obra sofreu, vimos os estilos comparados de algumas edições, observamos que palavras são adicionadas ou excluídas conforme avançamos no tempo, assim como a moda e os costumes variam. O que nos resta explicar, e o faremos neste capítulo, é mostrar as possibilidades e circunstâncias que levaram a essas alterações, já que não temos acesso aos textos dos Arquivos Secretos do Vaticano. Comecemos com uma opinião especializada.
No site Bíblia World Net, há um artigo, assinado por Jorge Pinheiro, que cita essa situação. Vejamos o que o autor nos diz:

Há casos extremos de manipulação da Bíblia que são facilmente identificáveis. Os teólogos da prosperidade dizem, por exemplo, que o jumento que Jesus usou ao entrar em Jerusalém eqüivalia a um carro de luxo nos dias de hoje. Logo, os cristãos têm o direito de exigir de Deus carros de luxo. O resultado dessa teologia é a sacralização do modo de vida da cultura vigente.

Claro que tudo é uma questão de interpretação. Há pessoas que comparam Jesus a um político moderno, o que teria inspirado roteiristas de Hollywood a conceber um anticristo como o famoso Damien, da série A Profecia, transformado em político.
Comparar o jumento que Jesus montava com um carro de luxo não chega a ser um exemplo de manipulação dos textos, mas mostra claramente como a imagem dos episódios bíblicos chega às mentes modernas.
Imagine só o efeito que os textos oficiais e não oficiais faziam nas mentes dos primeiros cristãos. Era necessário arrumar a "casa". Entre os muçulmanos, também há acusações de alterações no conteúdo da Bíblia. Isso acontece há alguns anos, principalmente entre os comentadores mais antigos como Bukhari e al-Razi.
Todos eles afirmavam que, como a Bíblia é a Palavra de Deus, não poderia ser alterada sob nenhuma circunstância. Mesmo assim, alguns séculos teriam se passado antes que os muçulmanos começassem a acusar os cristãos de "corromper" a Bíblia, principalmente quando começaram a ler as histórias do Alcorão e notaram que, de fato, há detalhes que as diferenciam de suas versões bíblicas.
Vejamos rapidamente um exemplo. Na Sura 2,42, está escrito: "Confundir a verdade com a falsidade e conscientemente ocultar a verdade". Estas teriam sido as palavras do profeta Maomé quando dois judeus foram trazidos a seu julgamento por terem cometido adultério. Outros judeus quiseram testar seus conhecimentos para ver se realmente ele era um profeta de Deus. Se fosse, pensavam, saberia o conteúdo da Torá. Maomé pediu que lhe trouxessem uma cópia da Escritura e a deu a um rapaz para que lesse qual seria a punição por desobediência (que aqui quer dizer adultério).
Segundo o que contam, o rapaz teria lido Levítico 20:10, que diz: "Se um homem comete adultério com a esposa de outro, ambos devem ser condenados à morte". Notem que é outra versão do seguinte verso: "Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera".
Voltemos à história. Os acusados colocaram suas mãos sobre o versículo para impedir que o rapaz concluísse a leitura. Na mesma hora, houve um grito de horror e indignação por parte dos presentes quando constataram a maneira como o texto bíblico havia sido corrompido, ou seja, mudado para ser mais leve que o original.
Há outra história contada pelos muçulmanos, que diz que um grupo de judeus que estava em Meca, e, portanto, não a raça judia em geral, ao escutar a escritura, quiseram alterá-la. Não sabemos exatamente como eles o fariam, mas precisariam ter em suas mãos cópias dos originais para serem acusados de alterar o texto.
Há pesquisadores que acreditam que as versões originais desses textos estão nos Arquivos Secretos e que deveriam ser colocadas em aberto para o público. Um desses pesquisadores é o professor de religiões João Flávio Martinez, que coloca a questão em artigo publicado no site do Centro Apologético Cristão de Pesquisas. Lá lemos:

Se a Bíblia foi corrompida, aconteceu isso antes ou após Maomé? Se antes, por que Deus diz a Maomé para recorrer a uma Escritura corrompida como guia, e por que fala do Torá e dos Evangelhos, "nos quais se encontram a orientação e a luz", em vez de avisar 'que os usou antes deles serem corrompidos?". Se depois, por que os muçulmanos não aceitam a Bíblia, já que as traduções correntes estão todas fundamentadas sobre os manuscritos datados antes de Maomé?

Seria esse um sinal de que a sabedoria muçulmana sobre a natureza bíblica é maior que a dos próprios cristãos? Essa é uma acusação séria e, se levarmos em conta alguns dos Manuscritos do Mar Morto, veremos que as alterações são possíveis, algumas até significativas. Aquelas cópias antigas trazem alguns dados reveladores sobre como essas manipulações poderiam ter ocorrido. Mas voltemos ao artigo do professor Martinez. Ele conclui seu pensamento da seguinte forma:
Se ela (a Bíblia) foi corrompida, quem a corrompeu foram os judeus ou os cristãos? Já que nenhum deles estava em condições de combinar um com o outro (diz a Sura 2:113: "Os judeus dizem que os Cristãos não seguem nada (verdadeiro) e os cristãos dizem que os judeus não seguem nada (verdadeiro), contudo ambos são leitores das Escrituras" (ver também Sura 5:82). Como puderam ambos concordar em alterar toda a Bíblia do mesmo modo? Por que não há registro desse acontecimento e por que ninguém se opôs a isso ou conservou as Escrituras autênticas? Os livros do Novo Testamento foram largamente distribuídos, logo que foram escritos, por exemplo: o Papiro 26 do Evangelho de Jesus escrito por Mateus, datado do ano 68 d.C., que foi recentemente encontrado no Egito: presumivelmente, Mateus ainda estava vivo quando foi escrito... Assim, por que ele não o corrigiu, se estava corrompido? Por que os Cristãos não retiraram os episódios vergonhosos como o de Pedro negando Jesus (Mt 26,69-75) ou a briga de Paulo com Barnabé (Atos 15,39)? De que serve o testemunho da Bíblia sobre si mesma? "Toda Escritura é inspiradas por Deus" (2 Tm 3,16). Pedro fala dos escritos de Paulo como Escrituras já que alguns maliciosos distorciam seus ensinamentos "como distorcem as outras Escrituras" (2Pd3,16). "A Lei foi dada por Moisés" (Jó 1,17) e Jesus disse: "a Escritura não pode ser desprezada' (Jó 10,35). Suas palavras são "espírito e vida" (Jó 6,63) e Ele "tem palavras de vida eterna" (Jó 6,68). Como poderia algum Cristão ousar acrescentar ou remover porções das Escrituras diante da advertência de Apocalipse 22,18-19: "Se alguém acrescentar algo a elas, Deus lhe dará as pragas descritas nesse livro. E se alguém retirar palavras de seu livro de profecias, Deus o deixará fora da participação da árvore da vida e da cidade celeste..."?.

As alterações nos textos sagrados

Para muitas pessoas, admitir que a Bíblia seja um livro 100% humano é o mesmo que tirar delas uma prova tangível de que Deus existe. O assunto já levou a muitas discussões acadêmicas e religiosas e, até os dias de hoje, não se chegou a uma conclusão sobre se o fato de chamarmos a atenção para essas alterações teria algum papel significativo na crença de milhares de pessoas.
O historiador norte-americano Barth Ehrman, do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte, acusou muito dessa manipulação, na obra O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Grande parte dessas acusações podem ser conferidas em artigo da revista Galileu, edição de outubro de 2006. O artigo, em suma, mostra como os copistas do Novo Testamento "eram voluntários que adaptavam o texto às suas crenças". Alguns dos trechos do citado livro incluem assuntos como a polêmica participação da mulher:

Há algumas comunidades cristãs que enfatizam a importância da mulher e lhes permitem desempenhar funções de destaque na Igreja e há outras que acreditam que as mulheres devem manter-se silenciosas e subservientes aos homens da comunidade. Obviamente, os copistas reproduziram os textos que, mais tarde, vieram a constituir as Escrituras estavam envolvidos nesses debates. E em algumas ocasiões os debates causaram impacto sobre os textos que eram copiados, dado que algumas passagens foram mudadas para refletir a posição dos copistas que as reproduziam.

O trecho abaixo é um dos mais polêmicos. Fala justamente sobre Jesus e sua adoração por Deus-Pai:

Uma das ironias do cristianismo primitivo é que o próprio Jesus era um judeu que adorava o Deus judeu, mantinha costumes judeus, interpretava a lei judaica e recrutava discípulos judeus que o aceitavam como Messias judeu. Mesmo assim, poucas décadas depois da morte de Jesus, os seus seguidores formaram uma religião que se opôs ao judaísmo.

Entre as várias acusações feitas estão pontos intrigantes, como o fato de os copistas distorcerem o Novo Testamento para justificar dogmas da Igreja Católica; que "só Deus sabe o quanto o verbo foi modificado na Bíblia ao longo dos séculos"; a inserção de textos em diversas passagens bíblicas, como em I João 5:7, Macabeus 16:9-20 e 1:41.

Em busca da verdade

Outro autor que afirma, com todas as letras, que houve alterações na Bíblia é o escritor francês Robert Charroux. Em sua obra, O livro dos mundos esquecidos, já publicada no Brasil, ele dedicou um capítulo inteiro aos chamados "Segredos do Vaticano". Lá podemos ler algumas informações interessantes, que resumirei a seguir.
Charroux afirma que não há nenhum relato histórico que confirme a existência de Jesus. Essas provas estariam em atas governamentais emitidas por Pôncio Pilatos e enviadas ao imperador romano Tibério. Lá seria possível ler sobre o mais famoso condenado de todos os tempos, sua vida, morte, crimes a ele imputados, sua crucificação e ressurreição.
O problema é que ninguém sabe dizer onde estariam esses documentos. Charroux afirma que, se um dia existiram, seriam forjados pelos próprios cristão para legitimar sua religião. Ele também destaca que havia vários falsos relatórios escritos por Pilatos, mas que a Igreja não teria reconhecido a autenticidade de nenhum desses documentos.
A aparência física de Jesus é outro ponto que o autor levanta. Além de ressaltar que os evangelhos canônicos se contradizem uns aos outros, ressalta que os primeiros cristãos sabiam dessas discrepâncias e que esse teria sido o principal motivo pelo qual a leitura dos evangelhos permaneceu por muito tempo reservada apenas ao clero. Uma fonte interessante que Charroux cita é o depoimento do doutor Harvey Spencer Lewis no livro deste último, A vida mística de Jesus:

Nós sabemos que os padres da Igreja primitiva tiveram acesso a documentos secretos porque, durante os Concílios da primitiva igreja cristã e durante as discussões que aconteceram entre as mais altas autoridades da Igreja primitiva, foram feitas alusões a certos lotes de manuscritos e de documentos oficiais que se referiam á crucificação e a outros acontecimentos da vida de Jesus, que agora estão escondidos ou que foram destruídos.

Seriam esses documentos cópias de apócrifos, ou ainda cópias como as encontradas em Qumram? Nenhuma fonte consultada para a redação deste livro parece saber responder a essa pergunta.
Outra figura bíblica cuja existência parece ser não comprovada historicamente é o apóstolo João, o suposto autor do quarto evangelho canônico. Sabe-se que ele se tornou bispo de Éfeso, mas muitos estudiosos admitem que o texto a ele atribuído possui características que o localizariam posteriormente e que teriam a participação de vários outros autores teólogos. Charroux cita também algumas passagens de escritos de São Jerônimo, um dos maiores doutores da Igreja dos primeiros séculos. Ele teria afirmado sobre os canônicos e apócrifos: "Somente quatro evangelhos podem ser admitidos. Todas as bobagens dos apócrifos só servem para serem contadas a hereges mortos e jamais a crentes vivos".
Os opositores de São Jerônimo, por sua vez, argumentam que são justamente os canônicos que trazem, em sua maioria, as contradições e os fatos opostos entre si. E que foi justamente para conseguir imprimir essa coesão entre os textos que a Igreja os teria modificado.
Um exemplo disso seria Taciano, um discípulo de São Justino, que teria tentado escrever um "Evangelho segundo os quatro", que mesclaria os dados de Mateus, Marcos, Lucas e João num único texto. Um exemplo de contradição pode ser vista na própria genealogia de Jesus, descrita pelos canônicos. Elas são diferentes entre si, o que levou Santo Agostinho a se pronunciar sobre o assunto, afirmando que "não era permitido dizer, e nem mesmo pensar, que qualquer um dos evangelistas mentiu". Porém, é o mesmo santo que afirmou que nesses casos contraditórios "precisa-se acreditar que eles são conciliantes, mesmos em saber como".
Charroux também aponta as contradições que podem ser encontradas no Evangelho de João. Como exemplo o autor afirma que, segundo João, o verdadeiro dia da crucificação não foi uma sexta-feira, mas um sábado, em plena vigília da Páscoa judia. Outra contradição estaria nas testemunhas da ressurreição: as duas Marias, a mãe de Jesus, e Maria Madalena, estariam presentes na ocasião segundo Mateus, mas Lucas e João afirmam que apenas Madalena estava lá.
Policarpo, bispo de Esmirna ordenado por João, o Evangelista, no ano 80 d.C., seria o mais confiável dos
santos. Ele é autor de uma epístola sobre os escritos de Inácio Teóforo, o primeiro santo Inácio conhecido. São Policarpo cita e fala muito bem dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, mas misteriosamente se cala quanto ao texto de João. Para piorar a situação, a primeira menção histórica desse texto aconteceu em um texto de Teófilo de Antióquia, datado do ano 180. Todos esses detalhes são material farto para especialistas em teorias de conspiração como Lynn Picknett, Clive Prince e o fiel discípulo deles, Dan Brown.

As revisões dos evangelhos

Charroux, ao mesmo tempo que expõe fatos, dá um nó na cabeça de quem lê seus livros. Um exemplo disso é uma citação a um obscuro escritor, de nome Kronos, autor de um livro chamado Ensaio de meditações imateriais. Ali há um relato que diz que os papas Gregório VII e Inocêncio III ordenaram editar um dos evangelhos para posterior uso dos sacerdotes.
Também é lembrado que a tradução de tais textos era proibida "pelo receio que pudesse surgir um erro simples ou um contrassenso", de acordo com o pesquisador, Fedele Pasquero em O mundo da Bíblia. Esse escritor, que se esconde sob o nome Kronos (que ninguém consultado para este trabalho soube dizer quem é), também afirma em seu trabalho que as alterações mais radicais feitas nas Escrituras datam justamente do Concilio de Niceia, e que teriam sido motivadas por acordos entre o papa Dâmaso I (305-384) e o então imperador Constantino.
Foi nessa época que os evangelhos mais antigos, em especial um apócrifo, o Evangelho dos Hebreus, que ficaria conhecido como uma versão primitiva do evangelho de Mateus, são declarados como não inspirados por Deus, e adições, subtrações e modificações são feitas nos quatro canônicos. Tudo a cargo de São Jerônimo.
Outras revisões terminariam por ser levadas a cabo pelo papa Anastácio II (496-498), no fim do século V, segundo relata São Vitor, bispo de Tumona, na África. Segundo o santo, o papa teria mandado "examinar, criticar, expurgar e revisar" as Escrituras por completo. Depois disso, o imperador Carlos Magno (cerca de 747-814), teria feito uma nova revisão, seguido depois pelo papa Sisto V (1585-1590).
Estamos já nos referindo à época em que a prensa de Gutenberg ameaçou de excomunhão qualquer um que ousasse revisar os textos sagrados, mas o próprio Gutenberg teria modificado em seu trabalho mais de 200 passagens. Antes que a prensa entrasse em ação, foi feita mais uma revisão, dessa vez pelo papa Clemente VIII (1592-1605). Charroux afirma que a razão de tantas modificações é que a maioria dos dogmas estava em contradição com os livros sagrados, portanto era necessário reorganizar as escrituras para que elas concordassem com os atos da Igreja.

Correções e mudanças

Alfredo Lissoni diz em seus escritos que os teólogos modernos admitem que, com a ajuda de várias tecnologias, foi possível admitir a existência de cerca de 80 mil diferentes traduções da Bíblia com manipulações e modificações em pontos relevantes. E cita o Codex Vaticanus, considerado por especialistas como o melhor manuscrito grego do Novo Testamento e um dos mais antigos manuscritos da Bíblia, inclusive ligeiramente mais antigo que o Codex Sinaiticus, descoberto em 1859 e considerado um dos mais importantes manuscritos gregos para o criticismo textual, além da versão Septuaginta.
O Codex Vaticanus foi descoberto em 1844 no mosteiro de Santa Caterina, no Sinai. Hoje os especialistas apontam que, com a tecnologia moderna, foi possível identificar pelo menos 16 mil correções pertencentes a, no mínimo, sete revisores diferentes. Nessa confusão, não é possível saber se há um texto que tenha sobrevivido aos séculos sem nenhum tipo de mudança, proposital ou não. E a presença dos apócrifos, nos dias modernos, pode levar também a uma confusão total.
Esse assunto é, de fato, fascinante, pois imaginar que existem detalhes desconhecidos da vida de Jesus atrai a atenção dás pessoas. Mas o que dizer de manuscritos parcialmente destruídos, como os do Mar Morto, e das informações que conseguiram colher dos fragmentos conservados?
Corre entre os acadêmicos a hipótese de que Jesus teria escapado da crucificação e fugido para a índia. De fato, há pessoas, como Elena Bordogni, uma italiana que teria visitado a suposta tumba de Jesus entre os indianos, e que foi entrevistada por Lissoni. Além dela, há o depoi-mento do estudioso italiano Francesco Piccolo, que investigou o assunto e publicou um artigo em uma revista italiana na década de 1980. Em determinado trecho, faz a seguinte declaração:

Nos restos de um livro sânscrito do ano 115, conservado no Instituto de Orientalismo da Universidade de Mumbai, existem claros sinais da presença de Cristo na região da Caxemira. Tratar-se-ia de uma segunda viagem, após a crucificação. Na página 282 é descrito o encontro entre o rei Shalewahin e um homem de pele clara que vestia hábitos brancos. O soberano de Caxemira lhe perguntou quem era. O desconhecido disse ser Jus Afa e que vinha de um país distante para purificar a região. O homem reiterou que o chamassem de Isa Maish — Jesus, o Messias.

Se esse relato traz ou não uma verdade, talvez nunca saibamos. O que levaria a Igreja a esconder um destino diferente para Jesus é uma pergunta que poucos podem responder. Mas a grande quantidade de apócrifos faz as pessoas pensarem o quanto os textos que estão na Bíblia foram realmente alterados.
Se isso atinge ou não a fé de cada um, é uma questão pessoal, que não cabe a ninguém responder. Apenas é difícil ignorar as evidências históricas em nome de uma fé cega. 

(Sérgio Pereira Couto - "Os arquivos secretos do Vaticano") 

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