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A IMAGEM DE SI PRÓPRIO

por Thynus, em 25.07.13

 

 

Todo ser humano tem uma imagem de si mesmo. É uma imagem ideal da qual busca aproximar-se. Na civilização esta imagem é variável de acordo com os conceitos de cada época. O que foi o ideal de mulher para minha avó não é para mim. O que é ideal para uma cultura, não é para outra.
É outro postulado da psicanálise que o homem mede a si próprio pelo grau de proximidade que logra atingir de seu ideal. Parece haver, hoje mais do que nunca uma certa confusão de ideais. Muitas vezes pessoas parecem confusas em relação ao que devem ser. Já não há padrões de comportamento tão rígidos dizendo-nos como agir, pensar e nos conduzir em nossas escolhas. Somos, em tese, mais livres, mas continuamos necessitando de modelos com os quais nos identificar.
Nem sempre os modelos disponíveis são os mais saudáveis e tentar encaixar-se neles pode ser extremamente complicado. Há casos até dramáticos como as adolscentes que precisam desesperadamente manter-se num peso considerado ideal para modelos, e muitas vezes impossível para elas. São razões orgânicas. Cada uma tem sua estrutura física que deixa de ser respeitada, levando-as a adoecer. E há outros casos menos drásticos em que pretendemos alterar profundamente nossa natureza pessoal para nos encaixarmos em uma imagem que nos é mostrada como ideal.
A perda da autenticidade é um grande risco e não deveria ser estimulada em hipótese alguma.
Na formação dessa imagem ideal, que perseguimos pela vida a fora, estão profundamente enraizados os valores morais transmitidos pela família e os educadores.
São eles enfim que nos ensinam como devemos ser para recebermos aprovação e sermos aceitos, amados e admirados.
Evidentemente desejamos muito isso, tanto porque precisamos ser aceitos num grupo como pela nossa própria vaidade pessoal.
Mais tarde entram em jogo os padrões da escola, do grupo de adolescentes, da mídia, do nosso meio social. Esses padrões podem ser conflitantes e nos tornar divididos internamente, confusos em relação ao que devemos ser.
Confusos e insatisfeitos. Agudamente conscientes de nossa insatisfação e achando sempre que o problema somos nós. O mundo tenta nos convencer disso, e a medicina ajuda quando silencia a respeito do erro que esta sendo cometido.
A medicina, como defensora da vida e da saúde humanas, talvez coubesse denunciar muito mais claramente o quanto nossos conceitos coletivos, que passamos a denominar realidade, podem ser nocivos a nós mesmos.
Ela costuma optar por uma postura mais fria e conivente com toda forma de maltrato a que somos submetidos pelos nossos próprios enganos pessoais e sociais. Freqüentemente limita-se a remendar uma parte de nós quando adoecemos fisicamente ou, chega a nos considerar anomalias, seres infantis e mal adaptados quando o sofrimento é emocional.
Há muito sofrimento mental nos dias que correm. Nossos consultórios estão cheios de pessoas infelizes, e trabalhar com cada uma delas pode fazer uma grande diferença na sua qualidade de vida, mas seria necessário um trabalho mais amplo que atingisse a coletividade e onde cada um pudesse rever seus padrões e forma como se comporta. Os erros com que compactua e pelos quais paga alto preço.
Pensaríamos em um ser saudável quando este fosse suficientemente forte para construir uma imagem de si próprio com certa independência e respeitando suas necessidades naturais e individuais sem ter que se encaixar em todos os padrões externamente ditados, freqüentemente incompatíveis com sua verdadeira satisfação.
Uma pessoa enfim mais liberta para julgar e defender-se de padrões equivocados que venham de fora, com suficiente senso crítico para reconhecer o que serve ou não a ela .E Com permissão interior para questionar o que é razoável no próprio ideal e atrevimento suficiente para revê-lo.
De nada adianta uma libertação de tirânicos ideais passados se precisarmos substituí-los por outros ditadores, qual crianças indefesas que dependam de que alguém as guie e diga como comportar-se e em que acreditar.
Viver nossas próprias e preciosas vidas respeitando nosso direito a um quinhão de bem estar, do qual não deveríamos abrir mão sob nenhum pretexto ou influência, e respeitando aqueles que compartilham nosso viver, é o grande desafio da saúde mental e de qualquer um de nós.
Isso implica em escolhermos ideais mais compatíveis com nossa realidade pessoal e coletiva, que não nos obriguem a sacrifícios e artificialismos sem perspectiva de sustentação.

(Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")

 

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publicado às 14:27



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