Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O FUTURO

por Thynus, em 23.07.13

 

 

O texto acima é uma utopia futurista para brotar quando o homem for capaz de descobrir uma nova lógica em sua essência: a emoção. Assim, os profetas da nova era já incluíram no amanhã o verbo amar. De um jeito ou de outro intuem que ele estará lá.
Querem mais espaço e criatividade. Falam de uma época em que o homem terá tempo de sobra e só lhe restará aprender a amar e criar. Trabalho e criação são formas de amor. São usos diferentes dessa energia que nos distingue, vem da mesma nascente.
Nestes novos e anunciados tempos ficaremos mais em casa, teremos mais liberdade para usar nossos dias de outras formas que não com trabalho mecânico. Precisaremos ser criativos, aprender a viver de outra maneira. No ócio há dupla possibilidade: prazer ou tédio, e este só se vence incrementando a capacidade de amar. Entraremos num jogo erótico com a vida, com criatividade e prazer. Quem não estiver disposto a encontrar isto se sentirá perdido.
Por muito tempo ainda uma grande parcela da humanidade estará totalmente envolvida com a tarefa de sobreviver. Muitos terão trabalho duro a realizar.
Os países ricos terão que se enfrentar com questões individuais e relativas à alma muito antes dos outros. A satisfação das necessidades materiais leva ao próximo patamar onde outros desejos surgem.
Aos países pobres caberá primeiro prover as necessidades básicas de seu povo e continuarão empenhados nisso. Talvez agora de forma mais eficiente e com mais ajuda dos desenvolvidos, quem sabe? Mas, mesmo nestes países, haverá uma população para a qual os novos tempos estarão chegando de forma definitiva. Serão os primeiros a serem liberados de uma carga de trabalho que os mantinha absortos e distantes de temas relacionados à própria subjetividade.
Estando em casa, com mais dias de folga na semana e menos horas diárias de trabalho, que fazer? Você terá que se voltar para si mesmo, sua família ou sua solidão. Terá de recorrer ao seu potencial criativo, talvez meio enferrujado. Será obrigado, em primeiro lugar, a conviver consigo mesmo. Repare que isso pode ser mais complicado do que você supõe. Talvez você venha a perceber que anda fugindo de si mesmo há muito tempo e que a sua companhia nem é das mais agradáveis.
No futuro, você terá de buscar também outras relações, não mais aquelas impostas pelo trabalho, serão relações escolhidas, pessoas e situações com as quais você precisará descobrir afinidades. Estará forçado ao auto-conhecimento e a desenvolver sua capacidade empática para relacionar-se. Precisará conhecer cada recanto de si mesmo e se abrir para a troca. Descobrir desejos e fantasias, boas e más. O resultado final é que terá muito mais tempo para prestar atenção a si e àqueles que estão ao seu redor.
Alguém poderá achar isso muito engraçado e pensar que tempo livre é tudo que desejamos na vida. Parar com a correria, a falta de liberdade. Um sonho. Realmente para muitos pode ser algo bastante gratificante, sobretudo para aqueles que tem suas vidas afetivas estruturadas e não terão problemas como a solidão. Outros tantos, porém, se surpreenderão ao descobrir que por muito tempo andaram tão rápido para escapar de si mesmos. Correram tanto que se deixaram para trás.
O tempo livre então, acabará atraindo-nos todos para esse universo misterioso que é nosso interior. Estaremos em teste, nossa capacidade de nos relacionarmos com vida será checada. Uma vez que já não exista um padrão tão rígido determinando o que deve fazer a cada minuto de seu dia, você estará por conta própria e tornar sua vida interessante ou tediosa será uma escolha pessoal.
Quando as pessoas pensam em aposentadoria elas, em geral, sentem-se muito felizes e tem tantos planos que nem caberia no que lhes resta de vida. Mas freqüentemente se entalam logo ali, a idéia tão sedutora do ócio remunerado vai cedendo espaço a uma certa sensação de vazio e inadequação. Falta-lhes a principal via de acesso ao mundo que é o trabalho. Então não é incomum vermos magníficos planos de aposentadoria serem frustrados. É preciso uma certa sabedoria e alguma experiência com liberdade para que consigamos descobrir o que fazer quando já não formos comandados.
É um pouco a história do animal em cativeiro, estamos tão acostumados a seguir regras e obedecer a exigências e ordens sem questionar que não sabemos o que fazer quando nós estamos no comando. Quanto a você, que poderá ter esse tempo livre ainda jovem, ainda terá mais chances. Talvez ainda dê tempo de conviver com seus filhos, brincar com eles, ser criança como eles. Você terá mais saúde e vitalidade disponíveis para usar como quiser e talvez também uma situação econômica mais confortável.
Essa tal liberdade é algo desconhecido para a maioria de nós. Estamos falando de mais que um final de semana, mais do que férias. É muito mais, é um novo modelo de vida pelo qual você sempre ansiou mas que não conhece, não sabe como viver.
Mantermo-nos sempre ocupados com trabalho pode ser uma forma de estar longe do que é complicado, doloroso, daquilo que não queremos ver ou enfrentar. Uma forma de nos afastarmos dos atritos familiares, de nossas questões interiores que nem conseguimos resolver ainda. Nossos fantasmas se aquietam quando estamos muito ocupados, não temos tempo para eles. Dizem-nos o que fazer e fazemos, ordens, regras, compromissos, tudo isso que hoje ajuda você a ordenar seu caos interno, se enfraquecerá. Você precisará ser cada vez mais livre e criativo nesse mundo novo. E aí?
Haverá um dia em que todos estarão envolvidos com a mesma questão: melhor qualidade de vida. Isso pressupõe lidar com a subjetividade, o afeto. Vamos parar de analisar apenas os aspectos materiais quando quisermos medir a qualidade de nossas vidas. Precisaremos considerar a forma como nos sentimos e as nossas relações com o mundo.
Por tudo isso nosso próximo grande desafio somos nós mesmos, nosso mundo interior. O externo, para muitos, já está dominado. Precisamos nos voltar para esse outro universo.
Há algum tempo isso começou a ocorrer, no século que passou esta semente já estava plantada e nos preocupamos muito mais com comportamento e relações interpessoais.
Até aqui a prioridade foi produzir para garantir que sobreviveríamos. A fome, mais que o amor, nos movia. Claro, ela tem prioridade. Porém as coisas tendem a mudar.
Talvez venhamos a viver outra renascença, libertos do jugo da racionalidade extrema, do produto em série da era industrial, onde até nós fomos ficando todos iguais.

(Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:18



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D