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COMUNICAÇÃO EMPÁTICA

por Thynus, em 20.07.13

 

A comunicação direta de inconsciente para inconsciente é conhecida na psicanálise, algo do que paciente e analista trocam de informações, pode usar esta via. Para tanto, o analista usa uma técnica de escuta em atenção flutuante, algo levemente modificado em termos de estado de consciência. Está atento, porém não da mesma forma que estaria à conversa com um amigo ou a algo fora desta situação específica de trabalho.
Esta pequena alteração no nível de consciência, parece tornar maior sua capacidade de compreensão e a comunicação tende a ser mais eficiente nesses momentos, pois ocorre diretamente entre os psiquismos, sem que seja necessária entrada dos conteúdos na consciência, através da censura.
Nas situações do cotidiano também existe esta forma de comunicação, apenas não estamos conscientes dela Parece algo com a intuição, com sentir ao invés de ouvir, pois a palavra é um meio de comunicação restrito ao processo secundário.
Aquelas pessoas que desenvolvam este tipo de comunicação e a usem com mais consciência, são consideradas dotadas de algum potencial especial, o que não parece correto; esta forma de contato entre os inconscientes deve ocorrer com muito mais freqüência que se consiga identificar.
A existência de um tipo especial de comunicação entre humanos adquire importância quando pensamos que não a conhecemos e nem seus efeitos. Sempre que se desconhece algo, perde-se oportunidades. Talvez pudéssemos prevenir algumas coisas e incentivar outras se tivéssemos um maior domínio deste território.
As profissões que usam esse meio de contato, não desconhecem a toxicidade de sua tarefa. Trabalhar assim tem algo de muito exaustivo, que chega a ser sentido fisicamente. A medicina dita primitiva usa o método de acessar o inconsciente para diagnosticar e tratar seus doentes. Não desconhece o poder da fantasia sobre a saúde, nem desconhece a toxicidade de um psiquismo em desordem, assim os curadores antigos são instruídos e preparados para uma tarefa perigosa, para a qual utilizam-se de rituais. Esses nada mais são que traduções simbólicas, linguagem metafórica tal como ocorre no que denominamos inconsciente. Esta prática considera o grupo e não apenas o paciente, para fins de tratamento, o que revela conhecimento sobre a dispersão da energia psiquica sob forma de fantasia inconsciente, resultando na interpeneração de campos psíquicos e suas potencialidades.
Quando prestamos atenção a esta intuição humana a cerca de si próprio, fica a pergunta: não há uma forma de toxicidade nas relações humanas em geral ? Nós sabemos que a saúde mental depende essencialmente da qualidade dos vínculos, e tal como os médicos primitivos, não desconhecemos a importância de se trabalhar com o grupo familiar e ainda, o quanto o adoecer costuma ser algo que se dá dentro de relações humanas. Entre pessoas de uma mesma família o contato é intimo, de forma que as fantasias estão entrelaçadas, os códigos são semelhantes, a herança inconsciente é compartilhada.
Essa ligação é ainda mais visível na relação mãe e filho, especialmente na infância. Para além do que a mãe diga ou de como seja seu comportamento aparente, a criança sabe como a mãe se sente e identifica-se com isso, reproduz em seu comportamento as fantasias maternas, parecendo captá-las e torná-las suas.
Nosso inconsciente é o reino da fantasia, dos desejos ou temores traduzidos em pensamentos e imagens que se refletem na consciência, a tal ponto que podemos de alguma forma dizer que somos as nossas fantasias. E quando elas são comunicadas de um psiquismo a outro, denominamos o processo transmissão entre inconscientes; quando se pode ter consciência do processo, trata-se de comunicação empática.

(Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")

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publicado às 21:10


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