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Nas duas tendências em que se dividiu o cristianismo ocidental, catolicismo e protestantismo, lamentavelmente mantivemos como tendência o desejo de poder sobre o outro, seja ele um estrangeiro ou um compatriota, de outra cor, sexo, credo, ou classe social. As religiões nunca deram cabo desta tendência  instintiva, nem as próprias igrejas jamais estiveram livres do desejo de dominar, ocultando-o sob a forma de obediência e justificando das mais variadas formas a presença de um desejo teoricamente condenável. Nenhuma religião conseguiu convencer definitivamente os homens da igualdade entre eles. Há sempre um instinto de domínio presente e a vontade de conduzir as vidas alheias de acordo com nossos próprios interesses.
Esse papel dominante costuma ser mais desempenhado pelos machos da espécie. Herança instintiva de um tempo em que a força física lhes assegurava uma posição de superioridade na hierarquia do bando, relacionado à biologia. O macho é mais agressivo e seu instinto de domínio, mais forte.
As tentativas de aplacar tais impulsos tiveram êxitos apenas parciais, e em geral conseguimos apenas abrandar e disfarçar,  desviar e regulamentar esse poderoso impulso. Ele a princípio servia à vida, a sua preservação através da caça, da defesa e da seleção genética.
O ideal civilizado é uma oposição a esse instinto e, provavelmente este seja um dos fatores que o tornem tão dificilmente realizável.
 Além das razões biológicas imediatas, sempre teremos necessidade de comparação e do julgamento favorável a nós. Para tanto, sempre precisaremos considerar alguém inferior e dominá-lo, já sob o patrocínio do desamparo infantil.
 
 Na medida em que o mundo se democratizou, o racismo e a violência passaram a ser moralmente condenados, as mulheres e as minorias reivindicaram posições de igualdade, então novas formas de competição e domínio precisaram ser criadas para satisfazer esse instinto. Seremos superiores se formos os mais malhados, os mais jovens, os que falam inglês, os mais titulados, os que tem maior poder aquisitivo, os mais sensuais, os mais magros, os louros...Enfim, sempre há entre nós humanos uma fantasia de seres superiores, que em verdade não se sustenta em outra coisa que não em nosso desejo de sermos especiais.
Existem mil e um padrões que definem os vencedores da competição. E, talvez a maior evidência atual deste desejo seja o modelo de economia.
Ficamos divididos entre nossa consciência de grupo, nossos laços com os demais e este poderoso impulso de sermos melhores, representado a cada época por uma simbologia específica. No fundo é um descendente do instinto sexual, todos querem ser os machos dominantes da  manada e não há nada mais caro a um homem que sua masculinidade.
Somente um símbolo que a substitua poderá apresentar-se a ele com igual valor. Hoje é o dinheiro esse símbolo de poder, que substitui a dominância física garantidora de satisfação sexual pela força econômica, que abre as portas do poder e realiza todos os desejos. Inclusive os sexuais pois, ser um grande acumulador de poder continua atraindo as fêmeas e correspondendo à imagem de força e vigor que procuravam naqueles com quem decidiam procriar. O macho fisicamente mais desenvolvido dominava os demais e era aceito como aquele que mais serviria aos propósitos da espécie, transmitindo seus genes.
Hoje o que tem mais dinheiro e poder é, teoricamente o mais forte, o mais apto a enfrentar esse mundo tal como o construímos.

(Manoelita Dias dos Santos - "A lógica da emoção, da psicanálise à física quântica")
 
 
 

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