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Em todos os tempos, apesar da maldade dos homens, um grande ideal susteve as almas que eram dignas dele. A piedade e a admiração se misturam nas sombrias profundezas desse lugar desolado.
Fugimos à alma dessas pedras através das escadarias sem número, para acharmos de novo o dia, diante dessas flechas finamente traçadas que sobem para o céu no impulso impetuoso das mãos juntas para a prece.
Certamente, as pedras têm uma alma, a alma daqueles que as reuniu, daqueles que viveram na sua sombra doce ou cruel. E essa alma, nessas horas meditativas, penetra a nossa. Sentimo-la no fundo de nós mesmos, despertando todo um mundo de pensamentos deliciosos. Encontramos de novo essa alma, diversa e profunda, segundo os seres que a formaram.
É a mesma coisa em toda parte e a alma que encontramos nas Pirâmides do Egito difere, em sua calma religiosa e funerária, da paz reclusa do convento dos monges ocupados a instruir os homens, a abençoá-los, sob a guarda dos cavaleiros sem cessar preocupados em os defender, em uma época em que só a espada protegia aqueles que faziam florescer, à margem dos manuscritos, as mesmas flores que a sombra, caída das rendas de pedra, traçava sobre os muros dos corredores acinzentados.
Nos livros, encontramos o pensamento daqueles que os escreveram. Os autores desapareceram, mas o seu pensamento vive nas suas obras, mais poderoso pelo seu recuo do que pelo tempo em que a palavra as vibrava no ar. Lemos, e os pensamentos saltam de entre as páginas do livro, adejam-nos como grandes pássaros, tocam-nos, entram em nosso cérebro e aí se vão combinar, em profundezas ignoradas, com as nossas aquisições anteriores.
Tal quadro nos comove. Primeiramente, o assunto que representa atrai o nosso olhar atento. Examinamo-lo, porém, mais seriamente. Então, a alma do pintor nos penetra. Sentimos a sua mágoa ou a sua alegria e se, como Vinci, por exemplo, ele pôs um símbolo profundo em sua obra, descobrimo-lo e a nossa impressão artística é sublimada. Vibramos em uníssono com o seu pensamento. A alma do artista está ali, presente na sua obra.
O pensamento é, pois, um elemento capital na base da nossa vida mental. A influência de tudo o que nos rodeia é uma verdade da máxima evidência e é porque somos acessíveis a essa sugestão do pensamento dos outros que somos capazes de sugerir em torno de nós.

(Henri Durville - "A ciência secreta, vol.IV")

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publicado às 21:10



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