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Escândalo acima das nuvens

por Thynus, em 21.06.13

 

O dia 9 de maio de 2007 vai ficar gravado na memória como o dia em que, pela primeira vez em dois mil anos da história papal, um sucessor de Pedro foi publicamente despojado do poder por seu secretário de Estado e seu assessor de imprensa. O que aconteceu nesse dia no céu, acima das nuvens, em um avião da Alitalia que saiu de Roma e se dirigia a São Paulo, foi tão ultrajante que os passageiros não conseguiam acreditar no que viam e ouviam. Até esse momento, era impensável que um papa pudesse ser publicamente constrangido pelo seu próprio pessoal. Isso aconteceu essencialmente por causa de seu predecessor. Quem perguntasse se Karol Wojtyla poderia vencer, precisava apenas ver as fotos de 1983 do aeroporto de Manágua. João Paulo II se ajoelhou diante do ministro da Cultura, o padre trapista Ernest Cardenal, e mais tarde o colocou sob uma suspensão “a divinis” da Igreja, apesar de o padre já ser uma estrela mundial nos âmbitos político e literário, que o fizeram candidato ao Prêmio Nobel de Literatura. Isso basta para mostrar o conflito contínuo entre o secretariado de Estado e o papa, desde a eleição de Karol Wojtyla em 1978 até sua morte, em 2005.
Isso era principalmente relativo às diversas viagens. O secretariado de Estado acreditava que as viagens eram função do cardeal secretário de Estado, o segundo homem do Vaticano. Porque, na qualidade de sucessor de Pedro, o papa deveria permanecer em Roma, e mandar o segundo homem para proclamar a mensagem de Cristo aos povos. No caso de Pedro, o segundo homem era Paulo. Isso escondia uma exigência simples: o papa deveria permanecer em casa. Porque se o chefe viajasse incansavelmente pelo mundo, para que ele precisaria do secretariado de Estado? Qual o sentido das negociações individuais do secretariado de Estado com países e a inundação de repórteres para o sumo pontífice, quando ele viajava pessoalmente para se encontrar com chefes de Estado de diversos países? Mas ele não visitava somente alguns países pessoalmente e sim o mundo inteiro. Isso fazia que surgisse a dúvida de por que manter o secretariado de Estado. Apesar dos apelos do secretariado de Estado ao papa para que ele ficasse em casa, ele fez 104 viagens internacionais, o equivalente a três vezes a distância entre a Terra e a Lua. O secretário de Estado não tinha alternativa, ele devia aceitar e lamentar o fato de ter perdido a importância. Era assim que o poder no Vaticano esteve dividido até a morte de Karol Wojtyla.
Eu não esperava que algo emocionante fosse acontecer quando embarquei no avião papal, um Boeing 777 da Alitalia, no dia 9 de maio de 2007. Uma viagem do papa ao Brasil não é nada que desperte muita emoção, porque é um exemplo clássico de jogo que se ganha em casa. O que o sumo pontífice deveria esperar, na e da maior nação católica do mundo? No mínimo multidões alegres. Qualquer outra coisa seria uma surpresa, porque ninguém duvidava que a Igreja Católica brasileira se encarregaria de juntar multidões alegres. Na verdade eu fiquei surpreso com o que aconteceu enquanto íamos para São Paulo. Eu estava ansioso pela festa que os brasileiros fariam para o papa. Havia uma velha rivalidade entre São Paulo e Rio de Janeiro sobre quem receberia o papa mais entusiasticamente. Durante a viagem do papa, em 1997, para antiga capital federal, os esfuziantes cariocas penduraram faixas com os dizeres “Se Deus é brasileiro, então o papa é carioca”. Na verdade, o papa João Paulo II tinha ido mais vezes ao Rio do que a São Paulo. Mas agora o papa alemão estava indo para a grande São Paulo, e não para o Rio de Janeiro. E estava certo que os moradores da cidade mais importante da América Latina estavam ansiosos para aquele momento.
Havia ainda outro motivo, não muito religioso, que me deixava ansioso para voltar ao Brasil. Lembro-me como os jovens brasileiros e brasileiras haviam celebrado freneticamente, durante o Encontro Mundial para as Famílias em 1997, no Rio de janeiro. As jovens católicas que participavam da oração noturna do papa, apesar de ser um evento religioso, estavam vestidas como se fossem um exército de supermodelos prontas para uma festa de biquíni na praia, onde haveria uma competição de camiseta molhada. Lembro-me de ter pensado: “Nossa, se essas são as jovens católicas que se vestiram para a missa do sumo pontífice, como se vestem então as que não são religiosas?”.
O voo para São Paulo já deveria entrar para a história, porque era o último dia da única prática democrática na corte papal: a coletiva de imprensa. Os homens e mulheres poderosos do mundo inteiro que respeitam a democracia respondem às perguntas dos jornalistas nas coletivas de imprensa. O papa João Paulo II havia instituído essa prática no Vaticano. Participei dessas coletivas de imprensa por quase duas décadas. O papa ia para perto dos jornalistas e ele não apenas respeitava como também simpatizava com as pessoas que tinham que observar um pontífice. Karol Wojtyla respondia tranquilamente às perguntas, mesmo se fossem perguntas que não diziam respeito a ele. Perguntei várias vezes a ele, durante a década de 1990, sobre o conflito que surgia na Alemanha, devido ao sistema de apoio para grávidas, liberando a interrupção voluntária de gravidez. Para ele, esse assunto era muito desagradável, não gostando de abordá-lo. Mas, apesar disso, ele tinha o dom de usar a simpatia para se livrar dessas situações incômodas e mesmo assim não dizer nada, o que deixava a pessoa que fez a pergunta um pouco decepcionada. Muitas vezes, em assuntos delicados, ele simplesmente respondia fazendo uma pergunta de volta. Se um repórter quisesse saber como o papa escolhe essa ou aquela questão, João Paulo II perguntaria a ele: “O que o senhor faria, se fosse o papa?”. Às vezes, ele respondia fazendo brincadeiras: “Eu fiz uma escolha, sobre o tema de sua pergunta, mas com certeza não a compartilharei com o senhor”. Um encontro de João Paulo II com um cardeal que queria cair nas graças dele foi lendário. O cardeal disse: “Vossa Santidade, é muito triste que a imprensa às vezes escreva coisas tão ruins sobre a vossa pessoa”. Monsenhor Dziwisz adorava relembrar a resposta do papa: “Sabe de uma coisa, é verdade, eles escrevem coisas ruins sobre mim, mas na verdade eu merecia que eles escrevessem muito pior”.
Era assim que o 263˚ sucessor de Pedro lidava com a imprensa. Mas, agora, o 264˚ sucessor estava no avião e precisava responder a algumas perguntas. Aquela deveria ser a última vez. Após esse dia, o Vaticano aboliria a última prática democrática e, no futuro, o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi iria escolher as perguntas para só perguntar ao papa o que ele, um jesuíta que jurou obediência ao sumo pontífice, considerava apropriado.
Quando meu amigo Marco Politi levantou o braço para fazer uma pergunta, temi que pudesse gerar um conflito. Marco não estava sentado muito na frente do avião, o padre Lombardi poderia ter passado facilmente sem perceber o seu braço esticado para o lado esquerdo do compartimento do passageiro. Mas o padre Lombardi não imaginava sobre o que seria a pergunta, então deixou Marco fazê-la. Acredito que o motivo para Marco abordar um tema tão delicado não tenha tido nada a ver com um desejo de se envolver nos debates complexos que afetavam a América Latina. Sei que o meu amigo Marco Politi era preguiçoso demais para ler seriamente os documentos da Conferência dos Bispos da América Latina para a qual Bento XVI estava indo. Marco não sabia quase nada da América Latina e eu descobri isso de primeira mão, quando estávamos andando por um parque em São Paulo e ele me disse que os brasileiros que conheceu diziam que estávamos nos expondo e eventualmente nos arriscando, naquele parque. Mas havia ainda outro motivo para Marco escolher uma questão tão complicada. Ele era grande amigo de Valentina Arzachi, a correspondente para a emissora televisiva mexicana Televisa e ela sabia mais sobre os problemas da América Latina do que muitos cardeais. Valentina era educada demais para fazer uma pergunta tão incômoda ao papa, mas Marco não. E foi assim que Marco Politi, o único vaticanista italiano que passou sua infância na Alemanha, levou o papa alemão à desgraça.
Marco queria saber se o chefe da Igreja iria atender aos pedidos dos bispos mexicanos e excomungar qualquer político que não se declarasse abertamente contra a legalização do aborto. O assunto era tão sensível que a pergunta foi praticamente uma crueldade. Eu não tinha a menor dúvida que a pergunta era na verdade de autoria de Valentina, porque as pessoas na Itália não acompanhavam a disputa entre os bispos mexicanos e os políticos. A pergunta era especialmente maldosa sobretudo porque o papa não podia se recusar a respondê-la. As questões mais sensíveis podem facilmente “queimar” um papa. Em todos os anos que trabalhei como observador do Vaticano, diversas vezes colegas cometeram o mesmo erro e perguntaram ao papa uma questão fascinante: quando o celibato finalmente seria abolido e quando os padres parariam de abusar de crianças, mulheres ou homens? O que vocês tem contra o homossexualismo? Por que vocês não querem mulheres como padres? E assim por diante... O papa poderia tirar a questão da pauta, dizendo que agora ele estava indo para o Brasil e só iria responder perguntas sobre a América Latina. Mas a pergunta sobre os bispos mexicanos tinha a ver com aquela viagem e ele não conseguiria se livrar dessa questão tão facilmente.
O tema era tão delicado justamente porque era sobre o México. O México ultracatólico possui uma Constituição tradicional que separa o Estado da Igreja. O chefe de Estado é proibido de participar de serviços religiosos ou de receber líderes religiosos, coisas que o presidente do México ignorara nos últimos anos. Eles beijavam a mão do sumo pontífice, Constituição para cá, Constituição para lá. Uma interferência tão grande nos assuntos internos do México, como a campanha de excomunhão, precisaria ser muito bem considerada. Primeiramente, o papa fez o que deveria ser feito, ele desconversou. Explicou que os bispos mexicanos iriam resolver essa questão corretamente. Com essa resposta, o papa Bento XVI, mesmo que sem saber e naturalmente sem querer, desencadeou um caso terrível. Marco percebeu isso imediatamente e explicou ao sumo pontífice que sua resposta havia sido uma tolice, porque os bispos mexicanos já explicaram que a decisão do que fazer dependia do papa. Como ele, Joseph Ratzinger, era o atual chefe da Igreja, ele precisaria saber o que fazer em seguida.
Bento XVI caiu na armadilha. E foi terrível testemunhar aquilo. O papa deu uma resposta errada e explicou o que iria fazer. Ele disse que os políticos excomungados pelos bispos mexicanos, ou seja, políticos que não tivessem se manifestado abertamente contra o aborto, seriam proibidos de receber o sacramento. Mas um político que não pode ir para a comunhão era o mesmo que perder dezenas de milhares de votos no México.
Depois dessa resposta, o Vaticano parecia farto, então o chefe de viagem levou o papa para a parte dianteira do avião. Era o fim da coletiva de imprensa. Marco Politi fez uma entrada triunfal, mas a única pessoa que realmente entendeu o que aconteceria com o que o sumo pontífice acabava de dizer foi Valentina Arzachi. Ela soube na mesma hora que a resposta do papa faria dele uma sensação no México. Ninguém no México jamais pensara que fosse possível o papa ir tão longe, como excomungar políticos aos montes. Foi inevitável surgir o debate de o quanto a Igreja Católica pode interferir nos assuntos internos de um país como o México.
A situação, naquele momento, não era algo inédito. Apesar de o público nem sempre perceber, muitas vezes o que o chefe da Igreja diz ou faz não tem relação com a Igreja. Na verdade, muitas coisas que estão escondidas e mantidas em segredo não conseguem passar despercebidas. Um dos maiores fracassos no pontificado de João Paulo II refere-se ao milagre de Civitavecchia. Há quem diga que saíram lágrimas de sangue dos olhos de uma Virgem Maria de gesso do local de peregrinação de Medjugorje. A Congregação para a Doutrina da Fé do cardeal Joseph Ratzinger dirigiu-se imediatamente para o local, para acabar com aquela bobagem. Os críticos da Igreja Católica vinham esperando por um caso assim, para dizer: “Por acaso, agora os católicos acreditam que o Deus todo poderoso no céu tem tanto mal gosto que faz estátuas de gesso chorarem lágrimas de sangue humano?”. O caso todo teria sido simples, se não fosse por um bispo. Sua Excelência Girolamo Grillo, bispo de Tarquínia, jurou na televisão que havia visto as lágrimas de sangue da Virgem Maria, e que aquilo tinha sido um milagre. O Vaticano ficou indignado, o cardeal Walter Kasper esclareceu a situação, dizendo: “Nós, do Vaticano, não acreditamos em madonas que vertem lágrimas de sangue”. Joseph Ratzinger tinha convocado o bispo Grillo e feito uma advertência zangada a ele: como um bispo podia elogiar publicamente um alegado milagre daquela maneira? A Igreja demorava décadas, se não séculos, para provar um milagre.
E, então, o inesperado aconteceu. O papa interferiu. Apesar de todos os alertas que o bispo Grillo havia recebido do cardeal Ratzinger, ele continuou a rezar diante da estátua milagrosa da Madona e então ele a levou para o apartamento papal. Mas não evitou que o cardeal Deskur, seu melhor amigo, fosse para Tarquínio para presentear os fiéis com uma nova estátua da Virgem Maria de Medjugorje, depois que a polícia confiscou a suposta estátua milagrosa, porque eles suspeitavam de uma fraude. Qualquer que fosse a direção para a qual se voltasse, o fato é que o sumo pontífice foi obrigado a admitir que aquela Virgem Maria miraculosa não convinha à imagem da Igreja. Ele aquentou pacientemente, quando a maioria absoluta do Vaticano acusava aquilo tudo de ser uma fraude e uma estupidez. Todo mundo sabe o que o Vaticano costuma fazer, em um caso desses: eles esperam a poeira baixar até que o caso seja esquecido. Monsenhor Grillo foi silenciado pelo secretariado de Estado, que o proibiu de mencionar o milagre novamente. Mas era impossível deixar de lado o fato de o próprio papa adorar a imagem da Virgem Maria.
Naquele dia 7 de maio de 2007, eu estava certo de que o mesmo aconteceria no caso dos bispos mexicanos. Se o papa tivesse realmente dito algo errado, então eles não fariam nada, de início. Em alguns dias, talvez semanas, o Vaticano iria simplesmente explicar que a situação no México havia mudado e que o chefe da cristandade tinha decidido, em sua infinita bondade, ser misericordioso antes de justo, e por isso voltaria atrás em sua decisão relativa às excomunhões em massa. Tudo voltaria a ficar bem e ninguém se daria conta de que o papa havia dito uma tremenda bobagem.
Eu vi coisas desse tipo acontecer uma centena de vezes. Mas o que se passou no avião significava uma mudança épica para o cargo de sumo pontífice. Até então, o Vaticano tinha o seguinte objetivo, como o mais importante de todos: o cargo do papa não poderia ser danificado em nenhuma hipótese. Mas isso foi válido somente até o dia 7 de maio de 2007, pois, de repente, a cortina do avião papal se abriu e o portavoz do Vaticano Federico Lombardi apareceu diante da imprensa. Era óbvio que ele havia sido mandado, ele jamais se dirigiria a nós por iniciativa própria. Quando ele começou a falar, pensei que não tivesse ouvido corretamente, porque ele disse com toda seriedade e franqueza que o papa tinha dito uma besteira e não fazia ideia do caso do México. E mais: que o plano de excomungar os políticos seria colocado em prática, independentemente da vontade papal.
Fiquei chocado. O secretariado de Estado era tão forte a ponto de apresentar o chefe da Igreja à imprensa mundial como um ignorante que não tinha ideia do que acontecia na sua própria Igreja? Uma medida como aquela, que prejudicava a imagem do papa, teria sido impensável durante o pontificado de João Paulo II, porque o cargo do papa precisava ser protegido acima de tudo. Não havia motivo para no dia 7 de maio se agir tão apressadamente e humilhar o papa publicamente. Havia apenas uma conclusão para tal atrocidade ter acontecido: o papa Bento XVI era um papa fraco. Um homem com o qual o secretariado de Estado pode fazer que o seu próprio pessoal o apresente publicamente como alguém que não sabe o que diz. O preço que o sumo pontífice pagou por tudo isso foi perder sua autoridade. Karol Wojtyla havia feito com o secretariado de Estado o que bem entendia, mas agora havia começado uma nova era. Sem necessidade, o secretariado de Estado deixava que o mundo visse os bastidores e percebesse quem estava agora no comando do Vaticano. Esse foi o dia em que comecei a sentir pena de Bento XVI.
O papa precisou aceitar passivamente um mau agouro logo após a aterrissagem em São Paulo. O secretariado de Estado não fez o seu trabalho direito, pois, de alguma forma, eles tinham simplesmente esquecido de trazer o passaporte do papa Bento XVI. O papa João Paulo II visitou muitos países sem nunca terem pedido pelo seu passaporte. Mas as condições impostas pela comunidade internacional de aviação haviam se modificado. Todos os passageiros deveriam ter um documento válido consigo. Isso também valia para o sumo pontífice, e como ninguém no Vaticano tinha imaginado que isso aconteceria no Brasil, pela primeira vez na história um papa precisou pagar uma multa, porque o chefe da Igreja Católica do mundo estava viajando de avião sem um documento de identidade.
Mas o Vaticano percebeu claramente que a recepção do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não havia sido calorosa. Lula era filho de trabalhadores, tinha tido uma infância pobre no Nordeste, antes de se transformar em líder sindicalista na região que circunda a colossal cidade de São Paulo, quando descobriu que o pai tinha uma segunda família em segredo. Pai que perdeu para a bebida. Lula fora batizado em uma Igreja Católica Apostólica Romana, mas não era segredo que ele não dava importância à religião. Nada surpreendente para um ex-engraxate e líder sindicalista. Por muitos séculos, a Igreja Católica na América Latina tinha sido pensada principalmente para as famílias que podiam pagar por suas cerimônias de casamento. A Igreja começou a se interessar pelos pobres tarde demais.
Ninguém se surpreenderia muito com uma recepção fria, mas a recepção não foi apenas fria, ela foi gelada. Pior do que descobrir o desinteresse óbvio de Lula pelo sumo pontífice, foi descobrir uma total indiferença dos brasileiros. Era impressionante como o relacionamento dos brasileiros com o papa tinha mudado, entre 1997 e 2007. Durante o Encontro Mundial das Famílias, no Rio de Janeiro, dez anos antes, para todos os lados que alguém olhasse havia bandeiras, faixas e muitos pôsteres, dando boas-vindas ao chefe da Igreja. Mas agora, nada. Não havia nada nas ruas de São Paulo. Passeei com Marco pelo centro da cidade e não conseguíamos acreditar, não havia nada, nem uma bandeirola, uma foto, absolutamente nada. As pessoas não se levantavam quando o papa passou, em seu papa-móvel. Por todos os lados da cidade havia prédios que abrigavam templos das igrejas livres evangélicas. Eu quase não as notei em 1997, mas agora elas estavam em todos os lugares. Os católicos estavam perdendo terreno em um dos seus países fundamentais.
Junto com Marco, falei com pessoas nas ruas, perguntei a elas o que elas achavam do sumo pontífice, ou se elas estavam felizes que ele tivesse vindo. A maioria nem sabia que Bento XVI estava visitando o país deles naquele instante. A viagem para o Brasil também ameaçava ser uma decepção e parecia que o papa alemão havia sofrido outra derrota. Mas no dia seguinte, o avião chegou à Fazenda da Esperança.

(Andreas Englisch - "O homem que não queria ser papa"

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publicado às 16:35



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