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"Tudo deve ser baseado em uma ideia simples. 

 

Depois de a descobrirmos ela será tão irresistível, 

 

tão bela, que comentaremos entre nós, sim, 

 

não poderia ser diferente." (John Wheeler, 1911-, físico)

 


 

"Poderemos ser enganados de duas formas. 

 

Uma é acreditando no que não é verdade; 

 

a outra é nos recusando a acreditar 

 

no que é verdade." (Soren Kierkegaard, 1813-1855, filósofo)

 

 


Os primeiros raios da manhã lançavam sombras compridas da silhueta das montanhas Sangre de Cristo que se erguiam atrás de nós, ao leste. Eu tinha concordado em encontrar meu amigo José (chamemo-lo assim) aqui no vale, simplesmente para passear, conversar e aproveitar a manhã. Enquanto mirávamos a vastidão de terra que une o norte do Novo México ao sul do Colorado, descortinávamos os muitos quilômetros de campos que nos separavam da grande e profunda grota da Garganta do Rio Grande, com suas laterais escarpadas que constituem as margens do rio de mesmo nome. As sálvias do altiplano desértico espalhavam no ar uma fragrância especial naquela manhã e, enquanto andávamos, José comentava sobre a família da vegetação que cobria o terreno.
"Todo esse campo", disse ele, "até onde nossa vista alcança, funciona como se fosse uma única planta." O calor de sua respiração formava pequenas e breves nuvens de vapor a cada palavra que ele pronunciava no ar gelado da manhã. "Existem muitos arbustos nesse vale", ele continuou, "e cada planta está unida às outras por um sistema de raízes que escapa à nossa visão. Embora invisíveis aos nossos olhos, enterradas no solo, as raízes não deixam de existir — o campo inteiro faz parte de uma única família de sálvias. E assim como acontece em qualquer família", ele explicou, "a experiência de um membro é compartilhada, até certo ponto, por todos os demais membros da mesma família."
Fiquei meditando sobre as palavras de José. Que bela metáfora para o modo pelo qual nos encontramos interligados uns aos outros e ao mundo em torno de nós. Somos levados a pensar que estamos separados uns dos outros, de nosso mundo e de tudo o que acontece nele. Com base nessa crença sentimo-nos isolados, algumas vezes impotentes, para alterar as coisas que nos causam dor e que podem provocar sofrimento em outras pessoas. A ironia é que também nos encontramos inundados por livros de autoajuda e workshops que frisam como é intensa nossa interligação, como é poderosa nossa consciência e como o gênero humano realmente constitui uma única e preciosa família. Enquanto José falava, eu não podia deixar de pensar sobre a forma escolhida pelo grande poeta Rumi para descrever nossa condição. "Que seres estranhos nós somos!", constatou ele. "Mesmo sentados no inferno, no fundo da escuridão, tememos pela nossa própria imortalidade."
Precisamente, pensei. As plantas desse campo não estão apenas interligadas; em conjunto elas têm mais poder do que qualquer uma delas sozinha. Qualquer arbusto isolado no vale, por exemplo, exerce influência apenas em torno da pequena área que o cerca. Entretanto, ponha centenas de milhares de arbustos juntos e tudo muda de figura! Juntos eles alteram aspectos como o pH do solo de tal modo que garantem a própria sobrevivência. Ao fazerem isso, o subproduto de suas existências — o oxigênio abundante — vem a ser o substrato de nossa própria essência. Como família unificada, essas plantas têm o poder de mudar o mundo delas.

Na verdade, é bem possível que tenhamos mais em comum com a sálvia do Novo México do que poderíamos imaginar. Assim como elas individual e coletivamente podem mudar o próprio mundo, nós também podemos mudar o nosso.
Cada vez mais pesquisas têm indicado que somos mais do que simples retardatários cósmicos passando por um universo cuja construção terminou há muito tempo. Evidências experimentais permitem concluir que, na realidade, criamos o universo ao longo da vida, somando nossa contribuição ao que já existe! Em outras palavras, parece que somos a própria energia da qual o cosmos é formado, bem como os seres que experimentam a própria criação. Isso porque somos consciência, e a consciência aparentemente é feita da mesma "coisa" da qual o universo é formado.
Essa é a verdadeira essência da teoria quântica, fonte de tantas preocupações para Einstein. Até o fim da vida, Einstein acreditou firmemente que o universo existia independentemente de nós. Respondendo às analogias sobre como afetamos o mundo e ao comentar os experimentos que demonstram que a matéria muda de comportamento quando a observamos, ele simplesmente declarou: "Gosto de pensar que a Lua está lá no céu, mesmo quando não a estou vendo".
Embora nosso papel preciso na criação ainda não esteja perfeitamente compreendido, as experiências levadas a efeito no mundo quântico demonstram claramente que a consciência exerce efeito direto nas partículas mais elementares da criação. E nós somos a fonte da consciência. Talvez John Wheeler, professor emérito em Princeton e colega de Einstein, tenha conseguido fazer o melhor de todos os resumos sobre a nossa tão recente compreensão desse papel.
Os estudos de Wheeler levaram-no a acreditar que poderíamos viver em um mundo na realidade criado pela própria consciência — um processo que ele chamou de universo participativo. "De acordo com isso [com o princípio participativo]", diz Wheeler, "não poderíamos nem ao menos imaginar um universo que, de algum modo e por algum tempo, não contivesse observadores, pois os próprios materiais de construção do universo são esses atos de observação participativa". Ele apresenta o ponto central da teoria quântica quando declara: "Nenhum fenômeno elementar pode ser considerado um fenômeno até que seja observado (ou registrado)".


(Gregg Braden - "A matriz divina)

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publicado às 22:28



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