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Na solidão, onde todos se vêem limitados aos seus próprios recursos, o indivíduo enxerga o que tem em si mesmo. O tolo em trajes finos suspira sob o fardo de sua própria individualidade miserável, da qual não pode se livrar, enquanto o homem de grandes dotes povoa e anima com seus pensamentos a região mais deserta e desolada. Há, pois, muita verdade no que Sêneca diz: omnis stultitia laborat fastidio sui [toda estultice sofre o fastio de si mesma. (Epistulae, 9)], e também na sentença de Jesus de Sirach, A vida de um tolo é pior que a morte. Logo, em geral, constataremos que todos são sociáveis na medida em que são intelectualmente pobres e vulgares. Pois, neste mundo, temos pouca escolha entre a solidão e a vulgaridade. Supõe-se que os seres humanos mais sociáveis são os negros, os quais, sem dúvida, são intelectualmente inferiores. Lembro-me de ter lido num periódico francês (Le Commerce, 19 Outubro 1837) que os negros na América do Norte, tanto os livres quanto os escravos, se reúnem em grande número nos menores espaços, pois nunca se cansam de ver refletidas suas caras negras de nariz achatado. O cérebro, pois, parece ser um parasita ou inquilino do organismo inteiro, e o ócio, isto é, o tempo que cada um tem para desfrutar livremente da própria consciência ou individualidade, é o fruto ou resultado de toda a sua existência, que em geral consiste apenas de trabalho e dor. Mas o que resulta do ócio da maioria dos homens? Tédio e imbecilidade; exceto quando estão ocupados com prazeres sensuais ou desvarios. O modo como tais pessoas desfrutam de seu ócio demonstra que esse não vale nada; é o ozio lungo d’uomini ignoranti [tédio dos homens ignorantes] de Ariosto. O homem vulgar só pensa em como passar o tempo; o homem de talento tenta aproveitá-lo.

(Arthur Schopenhauer - "Aforismos para a Sabedoria de Vida") 

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publicado às 13:26



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