Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




A beleza não é nenhum acaso

por Thynus, em 11.06.13

 

 

Mesmo a beleza de uma raça ou família, seu garbo e graciosidade em todos os gestos são elaborados: ela é, assim como o gênio, o resultado final do trabalho acumulado de gerações. É preciso que se tenha trazido ao bom gosto grandes sacrifícios, é preciso que se tenha feito por sua causa muitas coisas e que se tenha deixado muitas coisas - o século dezessete na França é digno de admiração em ambos os aspectos - é preciso que se tenha tido nele um princípio de escolha, para a sociedade, o lugar, a vestimenta, a satisfação sexual, é preciso que se tenha preferido a beleza ao ganho, ao hábito, à opinião. A mais elevada norma: é preciso que não se "deixe as coisas rolarem" mesmo em relação a si mesmo. - As boas coisas são dispendiosas para além das medidas: e sempre vale a lei de que quem a possui é diverso de quem a conquista. Todo bem é herança: o que não é herdado, é imperfeito, é começo... Em Atenas no tempo de Cícero, que expressou quanto a isto o seu espanto, os homens e os jovens eram em muito superiores às mulheres no que concerne à beleza: mas que trabalhos e esforços em favor da beleza não tinham sido aí exigidos de si mesmo durante séculos! - Não se deve equivocar aqui em verdade no que diz respeito à metodologia: uma mera disciplina de sentimentos e pensamentos é quase nula (- aqui reside o grande mal-entendido da formação alemã, que é totalmente ilusória): é preciso que se convença antes de mais nada o corpo. A sustentação rigorosa de gestos consideráveis e selecionados, uma obrigatoriedade em viver apenas com homens que não "deixam as coisas rolarem", é plenamente suficiente, para se tornar considerável e selecionado: em duas, três gerações, tudo já está interiorizado. É decisivo quanto ao destino do povo e da humanidade, que se comece a cultura a partir do lugar correto - não a partir da "alma" (como era a superstição fatídica dos sacerdotes e semisacerdotes): o lugar correto é o corpo, os gestos, a dieta, a fisiologia, o resto segue daí... Os gregos permanecem por isto o primeiro acontecimento cultural da história - eles sabiam, eles faziam o que era necessário; o cristianismo, que desprezava o corpo, foi até aqui a maior desgraça da humanidade.

(Friedrich Nietzsche - "Crepúsculo dos ídolos") 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:24



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D