Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Crítica da Modernidade

por Thynus, em 10.06.13

 

 

Nossas instituições não prestam mais para nada: quanto a isto se é unânime. Isto não reside contudo nelas mesmas, mas em nós. Depois de todos os instintos, a partir dos quais as instituições crescem, desaparecerem de nosso horizonte, desaparecem de nosso horizonte as instituições em geral, porque não valemos mais nada para elas. Democratismo foi em todos os tempos a forma decadente da força organizadora: já caracterizei em Humano demasiado Humano I, 318 a democracia moderna junto com suas derivações medianas, tal como o "império alemão", como uma forma declinante do estado. Para que haja instituições, é preciso que haja uma espécie de vontade, de instinto, de imperativo, antiliberal até as raias da maldade: a vontade de tradição, de autoridade, de responsabilidade por séculos além, de solidariedade pelas correntes das gerações tanto para adiante quanto para trás in infinitum. Esta vontade está presente?! Então funda-se algo como o imperium Romanum: ou como a Rússia, o único poder, que possui hoje duração corpórea, que pode esperar, que ainda pode prometer alguma coisa. Rússia: o conceito antípoda do deplorável particularismo e do deplorável nervosismo europeu, que entrou em cena em um estado crítico junto com a fundação do império alemão. Todo o ocidente não possui mais aqueles instintos, a partir dos quais crescem as instituições, a partir dos quais cresce o futuro: nada talvez seja mais incongruente com o "espírito moderno" do que estes instintos. Se vive em função do hoje, se vive muito rapidamente - se vive de maneira muito irresponsável: isto justamente denomina-se como "liberdade". O que faz das instituições instituições é desprezado, odiado, recusado: se acredita estar diante do risco de uma nova escravidão, onde a palavra "autoridade" ganha apenas voz. Tão profundamente se estabeleceu a decadência nos instintos valorativos de nossos políticos, de nossos partidos políticos: eles privilegiam instintivamente o que dissipa, o que acelera o acontecimento do fim... Atestado: o casamento moderno. Do casamento moderno desapareceu evidentemente toda racionalidade: isto não constitui porém nenhuma objeção ao casamento, mas à modernidade. A racionalidade do casamento - ela residia na responsabilidade jurídica exclusiva do homem: com isto, ele tinha um peso e uma medida, enquanto agora ele claudica das duas pernas. A racionalidade do casamento - ela residia em sua indissolubilidade em princípio: com isto, ele recebia um acento, que sabia criar para si frente ao acaso de sentimento, paixão e instante uma escuta. Ela residia até mesmo na responsabilidade da família pela escolha dos noivos. Eliminou-se com a crescente indulgência em favor do casamento por amor exatamente a base fundamental do casamento, o que primeiramente fazia dele uma instituição. Nunca se funda uma instituição sobre uma idiossincrasia, não se funda, como disse, o casamento sobre o "amor": se funda sim o casamento sobre o impulso sexual, sobre o impulso de posse (mulher e criança enquanto propriedades), sobre o impulso de domínio, que organiza para si constantemente a menor conformação do domínio, a família que precisa de filhos e herdeiros, para fixar também fisiologicamente uma medida alcançada de poder, influência, riqueza, para preparar tarefas longas e o instinto de solidariedade entre séculos. O casamento enquanto instituição já encerra em si a afirmação da grande e mais duradoura forma de organização: se a sociedade mesma enquanto um todo não puder elogiar o casamento até as gerações mais longínquas e para além delas, então este não possui sentido algum. - O casamento moderno perdeu o seu sentido, - conseqüentemente se o suprime.

(Friedrich Nietzsche - "Crepúsculo dos ídolos")

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:23



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D