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A intolerância das crenças

por Thynus, em 07.05.13

 



Um dos mais constantes caracteres gerais das crenças é a sua intolerância. Ela é tanto mais intransigente quanto mais forte é a crença. Os homens dominados por uma certeza não podem tolerar aqueles que não a aceitam.

Verificada em todos os tempos, essa lei continua a manifestar-se. Sabe-se a que grau de furor religioso chegam os crentes, ateus ou devotos. As guerra de religião, a Inquisição, a matança de S. Bartolomeu, a revogação do edito de Nantes, o Terror, as atuais perseguições contra o clero, etc., são exemplos disso.

As raras exceções a essa lei são facilmente interpretáveis. Se os romanos aceitaram as divindades de todos os povos estrangeiros, foi porque elas constituíam para eles uma hierarquia de seres poderosos, que cada qual devia atrair em seu favor pela adoração.

Conquanto animado de princípios diferentes, o budismo triunfante não foi mais perseguidor. Ensinando a indiferença ao desejo e considerando os deuses e os entes como vãs ilusões sem importância, ele não tinha nenhuma razão para ser intolerante.

Essas exceções explicam-se, portanto, por si mesmas e por forma alguma contradizem a regra geral, isto é, que uma crença é necessariamente intolerante.

As crenças políticas o são, pelo menos, tanto quanto as crenças religiosas. Sabe-se com que ardor os homens da Convenção: hebertistas, dantonistas, robespierristas, etc., convencidos cada qual de possuir a verdade pura, suprimiam os supostos inimigos da fé.

Os sectários modernos da deusa Razão são tão violentos, tão intolerantes, tão sequiosos de sacrifícios quanto os seus predecessores. A regra de todo o verdadeiro crente será sempre a que foi ensinada na Suma de S. Tomaz: "A heresia é um pecado pelo qual se merece ser excluído do mundo pela morte."

O sr. Georges Sorel predisse, pois, justamente que a primeira medida do socialismo triunfante seria massacrar sem compaixão todos os seus adversários. Ele não teria, aliás, outros meios de manter-se durante algum tempo.

Em matéria de crença, a intolerância e as violências que a acompanham, são sentimentos exclusivamente populares. Manifestam-se tão desenvolvidos, senão mais, entre as pessoas instruídas e, além disso, são pouco duráveis. "Por vezes admirei, escreveu Michelet, a ferocidade dos letrados; chegaram a excessos de furor nervosos a que os homens menos cultivados não atingem."

(Gustave Le Bon "As opiniões e as crenças")

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publicado às 07:25



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