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O retorno da Águia

por Thynus, em 30.04.13

 

 

Vivemos em uma época sombria: a Renascença ainda não veio. Hoje, podemos viajar a grandes velocidades, mas não sabemos porque desejamos chegar ao nosso objetivo; o Homem conhece cada palmo da superfície da Terra, mas não conhece mais a si mesmo; pode desembarcar na Lua mais facilmente que Ulisses pôde fazer na Ítaca, mas não dispõe de um Homero ou Virgílio para cantar essa façanha, e inscrever o seu significado simbólico na alma coletiva. Suas cidades são imensas, mas a vida é desumana e alienante; os prédios, monumentais, não mais reproduzem a estrutura do cosmos em suas formas, nem abrigam os Mistérios em suas medidas. Os médicos jactam-se de poder curar muitas doenças, mas não percebem que todas elas foram e continuarão a ser produzidas pela própria civilização, numa ciranda interminável; por outro lado, converteu-se a nossa medicina em mera caçadora de sintomas, buscando invariavelmente eliminar uma doença, sem procurar compreender o significado de seu surgimento em determinada pessoa ou determinado meio. A superstição medieval de que os vírus são os causadores das doenças, em vez de meros oportunistas, deverá durar ainda um tempo considerável, o necessário para cair o mito da causa e do efeito.
O Homem tem aprendido a prolongar a quantidade de seus dias, mas vê deteriorar-se inexoravelmente a qualidade dos mesmos, destituindo a velhice de sua dignidade e sabedoria. Apregoa que conhece e pode explicar quase tudo, mas nunca sentiu tanto medo da morte. Ingenuamente, gaba-se de ter sepultado a superstição, mas bate na madeira, teme o diabo, o gato preto e o número treze; evita pronunciar o nome das doenças incuráveis, acredita nos anabolizantes, na televisão, na injeção para resfriado e na vitamina C. Suas máquinas são aparentemente perfeitas, mas sujam o céu, a terra, as águas e o próprio homem; as conquistas tecnológicas são muitas, mas o engenho parece estar antes de mais nada a serviço da vaidade, da desídia e da intemperança. As escolas nos cobrem de informações, mas deixam-nos desprovidos da capacidade crítica e do bom senso. A história cumula-nos de fatos, mas o homem moderno rompeu com a ancestralidade, perdeu os seus mitos, e vê as antigas civilizações como obsoletas e ultrapassadas; desse modo, acaba ficando sozinho na trilha da história, com suas aflições e angústias, sem saber quem é, de onde veio, nem para onde vai.
Mas sem dúvida há uma grande esperança. A Humanidade tem atravessado ciclos de trevas, mas nem por isso tem deixado de reencontrar o seu caminho, e os augúrios nos são dos mais favoráveis. Juliano, o último imperador iniciado de Roma, a quem Máximo introduziu nos mistérios de Hélio, e mais tarde rotulado pela Igreja como O Apóstata, por ter recusado a deixar-se converter à doutrina cristã, certa vez teve um sonho. Nele, a águia romana levantava vôo do Capitólio, dirigindo-se para as altas montanhas do Oriente; após uma permanência que o sonho estipulara como dois mil anos, retornava ao Ocidente, trazendo em suas garras uma série de símbolos. Intrigado com a experiência, levou-a ao mestre, que a interpretou da seguinte maneira: a águia representava a Sabedoria, que haveria de retirar-se de Roma, último baluarte do saber esotérico, escondendo-se no Oriente por dois mil anos. Ao cabo desse período, retornaria ao Ocidente, trazendo de volta um conhecimento esquecido. Esse tempo já está quase cumprido. Estejamos preparados para saudar o retorno da Águia!

(Antonio Farjani - "A linguagem dos deuses")

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publicado às 14:01



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