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TERROR: DEPOIS DE 11 DE SETEMBRO

por Thynus, em 29.04.13

 

 

Certo final de tarde, no outono, um aluno parisiense sentou-se em minha cozinha em Berlim e perguntou, do nada, onde eu estava ao ouvir a notícia. Ele poderia ter vindo de Boston, de Santiago ou de Zagreb. Onde quer que estivéssemos, quem quer que sejamos, esse é um instante que não vamos esquecer e do qual precisamos nos lembrar vezes sem conta — assim como precisamos ver o World Trade Center caindo, incontáveis vezes, na televisão, até ficarmos enjoados o suficiente para ter certeza de que aquilo foi real. Isso é globalização. Será isso Lisboa?
Os paralelos são inegáveis. A surpresa e a velocidade do ataque pareciam-se com as de uma catástrofe natural. Não houve aviso. Também não houve mensagem. A ausência de ambos criou o tipo de medo que fez a maioria de nós entender que não havíamos, até então, compreendido o significado da palavra terror. Como os terremotos, os terroristas atacam aleatoriamente: quem sobrevive e quem morre dependem de contingências que não podem ser merecidas ou evitadas. Pensadores como Voltaire sentiram raiva de Deus por Seu fracasso em sustentar as leis morais elementares que os seres humanos tentam seguir. Crianças não deveriam ser atormentadas súbita e brutalmente, nem algo tão grande quanto a diferença entre vida e morte deveria depender de algo tão pequeno quanto a probabilidade. O desastre natural é cego quanto às  distinções morais estabelecidas mesmo pela mais simples das justiças. O terrorismo as desafia deliberadamente. Ao ressaltar a contingência, 11 de setembro ressaltou nossa infinita fragilidade. Mesmo em Nova York, muitas pessoas não conheciam ninguém que estivesse no World Trade Center na hora do ataque, mas todos pareciam conhecer alguém que estivesse então se recuperando de uma ressaca ou levando uma criança ao jardim de infância. Quando não ir ao trabalho se torna um modo de salvar a própria vida, nossa noção de impotência torna-se assombrosa. Os terroristas escolheram alvos que a aumentassem de forma certa. Wall Street e o Pentágono são ao mesmo tempo símbolos e realidade da força ocidental, e não está claro o que foi mais assustador: a queda das torres ou o ataque aos recantos impenetráveis do poder militar. Tampouco a visibilidade ou a invisibilidade forneceram proteção. Ao ver ambas ruírem tão depressa, ninguém seria capaz de se sentir seguro. Pessoas comuns em todos os lugares faziam eco a Arendt: o impossível havia-se tornado verdade.
Assim, foi dito e escrito, nas ruas e nos jornais, em mais línguas do que vale a pena contar, que o mundo não será mais o mesmo. É cedo demais para saber o que isso significa. A razão é, em parte, que as conseqüências não são todas claras. Outra razão é que a única maneira de manter um mundo funcionando é negar que ele tenha sido destruído. Não podemos saber se uma época terminou com um acontecimento quando não considerar o acontecimento crucial for essencial para seguir em frente. Isso faz parte de manter a ordem frente a quaisquer desafios ou tentativas de destruí-la. Pombal precisou minimizar o significado do terremoto de modo a fazer Lisboa voltar à normalidade. Suas exortações para retomar os afazeres normais tiveram a mesma origem das de Giuliani: quando tudo conspira contra, tomar a vida comum pode ser um ato de heroísmo. Durante um ou dois dias depois da catástrofe, a própria língua parecia inútil. Ao meio-dia de 12 de setembro, a CNN exibiu fotografias silenciosas acima de uma faixa com a legenda: SEM COMENTÁRIOS SEM COMENTÁRIOS SEM COMENTÁRIOS SEM COMENTÁRIOS SEM COMENTÁRIOS SEM COMENTÁRIOS. Ao cair da noite, havia um noticiário normal abordando todos os assuntos, das perdas econômicas à adequação de discutir o que quer que fosse. Pombal simplesmente fez com que os jornais portugueses continuassem a ser impressos. Em nossa época de auto-reflexão, a mídia apressou-se em defender sua própria volta aos afazeres normais. Isso não era necessário. A intenção do terror é deixar-nos petrificados. Encontrar palavras para lhe fazer frente é um ato de reconstrução.
Ainda assim, não somos capazes de dizer o quanto o mundo vai mudar. Agora enfrentamos novas formas de perigo. Mas elas não são, afirmo, novas formas de mal. As dificuldades de lidar com o terrorismo não são conceituais. Aqueles que perpetraram o assassinato em massa de 11 de setembro personificavam um tipo de mal tão antiquado, que sua reaparição faz parte de nosso choque. Ele é antiquado não por ter sido perpetrado por aqueles que conservavam as ideologias fundamentalistas intocadas por escrúpulos modernos. Ver o poder da crença em um Deus que recompensa aqueles que destroem seus inimigos com uma caricatura azeda do paraíso só pode deixar-nos agradecidos pelo ceticismo, mas o conteúdo das crenças dos terroristas não é central. Algumas das decisões dos nazistas de morrer em vez de se render nos últimos dias da guerra vinham de fantasias milenaristas primitivas, e, no entanto, argumentei que o Terceiro Reich simbolizava o mal contemporâneo; 11 de setembro forneceu um exemplo de mal cuja estrutura era antiquada. O mal banal emerge do tecido da vida comum que 11 de setembro rasgou.
Mais importante de tudo: 11 de setembro foi assombrosamente intencional. A premeditação envolvida foi intensa. Os assassinos concentraram-se precisamente em seu objetivo e realizaram todos os esforços possíveis para atingi-lo — do exato planejamento exigido para anos de coordenação ã preparação de suas próprias mortes certas. O uso mais claro da racionalidade instrumental foi equivalente ao mais claro desafio ao raciocínio moral. A natureza ignora distinções entre todo tipo de culpa e todo tipo de inocência; os terroristas desprezaram-nas de forma ativa. Sem sequer uma demanda que pudesse ser negociada, não havia a mais ínfima desculpa para a destruição de vidas comuns. Os objetivos dos terroristas eram, isso sim, produzir o que a moralidade tenta evitar: morte e medo. (Rousseau considerava o medo da morte pior do que a própria morte, já que o medo ameaça nossa liberdade e envenena nossas vidas.) Malícia e premeditação, componentes clássicos da intenção má, raramente foram tão bem combinados. Os terroristas desconsideraram modelos complexos como Mefistófeles e nos levaram de volta a Sade. Alguns sem dúvida argumentarão que eles acreditavam que sua causa fosse justa. Mas a ausência de pelo menos um ultimato torna inútil qualquer tentativa de defesa desse tipo de terrorismo — mesmo para quem gosta de defender contradições. Destruir membros aleatórios de uma cultura que se considera inaceitável não conta como causa permissível.
Mais tarde, isso veio a parecer um presságio. A lenta e inexorável destruição dos duplos Budas gigantes no Afeganistão fez correrem calafrios pela espinha de um mundo há muito acostumado a ver crianças morrerem de fome diante das câmeras. A explosão talibã do que era, afinal de contas, apenas pedra e estátua, atraiu dias de atenção global inexplicável. Seria aquilo um presságio da implosão das torres alguns meses depois? Heine escreveu que qualquer pessoa disposta a queimar livros não hesitará em queimar pessoas. A frase foi escrita muito antes de alegres estudantes nazistas empilharem livros banidos em fogueiras públicas, e sua presciência hoje parece assustadora. Escolher a cultura humana como um objetivo tão preciso — aquilo que nos torna livres, segundo Hegel, e capazes de assumir o papel de criadores, segundo Marx — é ter como objetivo a própria humanidade.
Mas os paralelos param por aí. Os talibãs e os terroristas que eles apoiavam não são brutamontes complexos. Sua aparição em uma manhã de sol no centro da civilização foi chocante porque estávamos acostumados a mais sofisticação, assim como a mais segurança. Aqueles cujo alimento intelectual não se limita a velhos filmes de caubói não estavam mais acostumados a juízos morais tão claros. Forçadas a escolher entre a simplificação e o cinismo, pessoas educadas tendem à segunda opção. Havia provas suficientes para fazê-la parecer razoável. Wall Street parecia determinada a mostrar que tudo podia ser comprado e vendido, o Pentágono parecia decidido a renovar a crença pré-socrática de que justiça significa ajudar os amigos e ferir os inimigos. Depois de 1989, apenas interesses, não idéias, pareciam objetos de um conflito real. É bem fácil concluir que qualquer conflito entre o bem e o mal em si não fosse nada a não ser exagero.
Isso paralisou a reação moral. Aqueles cujas concepções do mal sempre foram simples e demoníacas ficaram felizes em vê-las confirmadas. Isso lhes deu novas missões e novas desculpas para executar missões antigas. Aqueles cujas concepções do mal haviam sido forjadas menos por Hollywood do que pelo Chile, Vietnã, Auschwitz e Camboja ficam mais confusos. Aprendemos com quanta facilidade crimes são cometidos por meio de estruturas burocráticas de pessoas comuns que não se permitem reconhecer exatamente o que estão fazendo. A análise de Arendt sobre Eichmann nunca foi completamente elaborada. Mas a descrição do mal como impensado simbolizava tantos casos de mal contemporâneo, que estávamos despreparados para um caso de mal decidido e pensado. A noção de impotência conceitual que os terroristas produziram assim foi quase tão grande quanto qualquer outra noção de impotência. Parece que não nos resta nenhuma escolha boa. Chamar o que aconteceu em 11 de setembro de mal parece unir forças com aqueles cujas concepções simples, demoníacas, do mal com freqüência ocultam deliberadamente suas formas mais insidiosas. Não qualificar os assassinatos de mal parecia relativizá-los por meio de modalidades de cálculo que os tornam compreensíveis — e corria o risco de ser um passo rumo a sua justificação.
Alguns estavam dispostos a dar esses passos e a oferecer formas cruas de teodicéia vindas de diversas direções. Os fundamentalistas cristãos culpavam o mundo secular por enfraquecer a vontade divina de proteger a América. Havia sugestões mais numerosas de que os novaiorquinos estavam colhendo o que o Pentágono e Wall Street haviam semeado em todas as formas de sofrimento que causaram no Terceiro Mundo. Apenas aqueles mais próximos dos terroristas continuaram a afirmar que 11 de setembro era, portanto, simples justiça. Mas a falta de uma conclusão coerente não impediu muita gente de apontar para os fatos vezes sem conta, como se eles devessem formar por si só uma conclusão coerente.
Teodicéias simples são tipos de pensamento mágico. Esperar que os poderes que controlam sua vida estejam escutando o que você pensa que eles querem escutar é uma busca desesperada de proteção — o que Kant repreendia nos amigos de Jó. Jerry Falwell nunca fez um aborto; os críticos franceses nunca feriram uma criança iraquiana. Certamente eles devem estar a salvo de um ataque terrorista?
Não estão, claro, mas entendemos seu impulso. Essa maneira de buscar explicações para o mal faz parte de uma tentativa de evitar mais males, bem como de dar conta do mundo como um todo. Se o primeiro anseio é compreensível, o segundo pode ser positivamente recomendado. No entanto, nesse contexto, ambos são obscenos. Pois ambos são formas de negar que o que aconteceu em 11 de setembro foi um mal — quando o sofrimento evidente, insuportável nos olhava nos olhos em qualquer angustiante cartaz caseiro exposto nas ruas de Nova York.
Recusar-se a negar esse tipo de mal não chega a acarretar uma recusa de negar outros tipos. Muito pelo contrário. Dividir os males em maiores e menores e tentar pesá-los não é apenas inútil, mas também inadmissível. Chamar algo de mal é dizer que ele desafia a justificação e o equilíbrio. Males não deveriam ser comparados, mas deveriam ser distinguidos. O surgimento de antigas formas de mal não precisa nos cegar para o surgimento de novas formas e pode até aguçar nossa visão para estas últimas. Uma opressão sistemática em escala mundial nada faz para justificar o terrorismo — nem sequer o explica. Certamente prepara o terreno em que o terrorismo pode crescer. Mas, mesmo que não preparasse, deveria ser objeto de resistência, como um mal em si.
Para aqueles que queriam ouvi-la, Auschwitz ofereceu uma lição moral sobre vigilância. Muito poucas pessoas estão preparadas para destruir as próprias vidas em nome da destruição de outras. Muitas estão preparadas para desempenhar pequenos papéis em sistemas que levam a males que elas não desejam vislumbrar. Muitos cujas vidas foram dedicadas a se opor a formas contemporâneas de mal relutaram em usar essa palavra para se referir aos terroristas — ou a usá-la de qualquer maneira que fosse, exceto em citações alarmistas. Sabiam que ela havia sido usada de forma crua por aqueles cujas vidas foram dedicadas a se tornar surdos para as formas de mal causadas por suas instituições. Mas deixar o discurso moral a cargo daqueles que têm menos escrúpulos é uma maneira estranha de conservar os próprios escrúpulos. Aqueles que se importam com a resistência aos males devem ser capazes de reconhecê-los como quer que eles surjam. Deixar a palavra mal a cargo de quem percebe apenas suas formas mais simples deixa-nos ainda menos recursos com os quais abordar suas formas complexas.
Os males podem ser reconhecidos como tais sem insistir na idéia de que o mal tem uma essência. Nossa incapacidade de encontrar algo profundo que seja comum aos assassinatos em massa cometidos por terroristas e à fome perpetuada por interesses corporativos não evita que condenemos ambos. Pensar com clareza é crucial; encontrar fórmulas não é, pois as possibilidades contemporâneas ameaçam qualquer tentativa moderna de separar os males morais dos naturais. Ataques terroristas imitam os golpes arbitrários da natureza. Se combinados com a reprodução deliberada dos piores elementos da natureza, como a peste, a mistura feita pelo terrorismo de mal moral e mal natural é tão assustadora, que parecemos fadados ao desespero. Usar a intenção humana para superar a natureza no que ela tem de mais pérfido faz as formas anteriores de reorganizar a natureza parecerem risíveis. Saber isso não pode nos fazer esquecer as outras possibilidades que ameaçam confundir as distinções entre os males naturais e morais. Um lento desastre ecológico não é a intenção das nações desenvolvidas que não regulam o consumo que certamente a ele conduzirá — o que não diminui a responsabilidade de ninguém em evitá-lo. Debates sobre qual mistura de mal moral e mal natural é pior não nos levarão a lugar algum. Escrevo com o medo e a consciência de que ambos seriam capazes de destruir todos nós.
O 11 de setembro revelou um motivo para ter esperança de que isso não acontecerá. A decisão dos terroristas de nos fazer sentir que não temos poder mostrou que na verdade temos, pois eles revelaram o
quanto o mal, assim como a resistência a ele, continua nas mãos humanas individuais. Poucos homens com determinação e estiletesmataram milhares de pessoas em um instante e puseram em marcha acontecimentos que ameaçam o mundo como um todo. Isso seria motivo de desespero ou, no melhor dos casos, de reflexão, não fosse pelo vôo 93.
O mal não é apenas o contrário do bem, mas também seu inimigo. O verdadeiro mal tem por objetivo destruir as próprias distinções morais. Uma maneira de fazer isso é transformar as vítimas em cúmplices. Os Sonderkommandos executores do trabalho que permitia que as câmaras de gás funcionassem estavam implicados nelas, embora qualquer oportunidade de resistência não fosse mais possível quando descobriram o que estavam fazendo. O pior horror de 11 de setembro foi o fato de as pessoas no avião que se chocou contra o World Trade Center não terem apenas sido arrancadas de suas vidas comuns e levadas à própria morte, mas se terem tornado parte de explosões que mataram milhares de outras. Essa, pelo menos, foi a avaliação de um punhado de passageiros a bordo do quarto avião que rumava para um alvo indefinido em Washington. Ao contrário dos passageiros dos outros vôos, eles tinham um conhecimento a partir do qual podiam agir. Sem ele, teriam sido tão impotentes quanto aqueles confrontados ao impensável quando as portas dos trens de animais se abriam. Antes de isso acontecer, quem poderia supor que seres humanos seriam extinguidos como vermes ou transformados em bombas vivas?
Aviões destroçados deixam pouca esperança de que algum dia venhamos a saber a história toda, mas o que já sabemos basta. Informados pelo celular de que outros aviões seqüestrados haviam colidido com as torres, algumas pessoas decidiram lutar. Não conseguiram derrotar os terroristas, mas conseguiram garantir que o avião caísse em um descampado. Morreram como morrem os heróis. Ao contrário do personagem hipotético no exemplo de Kant, que prefere morrer a prestar falso testemunho, sua recusa de se tornarem instrumentos do mal foi mais do que um gesto. Jamais saberemos quanta destruição eles evitaram, mas sabemos que evitaram alguma. Eles provaram não apenas que os seres humanos têm liberdade; provaram que podemos usá-la para afetar um mundo que temos medo de não controlar. Isso não é teodicéia. Não é sequer um consolo — embora seja toda a esperança que temos.

(Susan Neiman - "O mal no pensamento moderno")

 

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