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VIOLÊNCIA E MEDO

por Thynus, em 18.04.13

 

 

Não há dúvida de que a violência e as ondas de crimes instalados, cruelmente, nos centros urbanos têm afetado de forma drástica a rotina de todos nós. Muitos mudam de cidade, bairro, residência, contratam seguranças ou transformam suas casas em verdadeiras fortalezas. As pessoas estão mais assustadas, sim, e monitoram-se pelos celulares o tempo todo.
O medo da violência, hoje, é um problema tão grave quanto a violência em si. A questão ganhou tamanha dimensão a ponto de se tornar uma área autônoma de pesquisas, originando centenas de estudos.
O clima de insegurança gera uma situação de estresse prolongado e ansiedade nas pessoas mais suscetíveis, que acabam adoecendo não somente de transtornos ansiosos, como também de depressão. A procura por consultórios psiquiátricos e psicológicos tem aumentado nos últimos anos, e, neste contexto, estão pessoas de todas as idades, inclusive crianças bem jovens.
Cabe ressaltar que muitas pessoas podem sofrer as consequências da violência ou de um evento traumático mesmo que não tenham sido vítimas diretas. Quem é espectador também passa por momentos de estresse agudo, que faz uma descarga violenta de adrenalina no organismo num curto espaço de tempo. Isso porque o cérebro não distingue os fatos reais dos virtuais (imaginários). Só a expectativa de vivenciar algo trágico já é capaz de liberar substâncias que deixam o corpo em alerta. O estresse agudo, com o passar do tempo, pode se cronificar em pessoas predispostas a transtornos ansiosos. Mesmo as pessoas que assistem a cenas trágicas pela TV também podem padecer do mesmo mal. Elas sofrem só de imaginar: “E se fosse comigo?”
Como exemplo, cito o atentado às Torres Gêmeas nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001. Quantas vezes aquelas imagens se repetiram nos noticiários? E quantas pessoas não se imaginaram na mesma situação e, a partir disso, passaram a ter medo intenso de serem vítimas do terrorismo, de altura, de avião ou até mesmo de sair de casa?
Aqui no Brasil, os incêndios a ônibus nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, em maio e dezembro de 2006, bem como o massacre na escola de Realengo (Rio de Janeiro) em 2011, culminaram em mortes e tiveram consequências imediatas na população em geral. Aumentou o adoecimento e agravou os quadros de quem já apresentava algum problema.
Mas o que isso tem a ver com TEPT (Transtorno de estresse pós-traumático)? Tudo! Violência e atentados deixam marcas profundas e de difícil cicatrização. Levam a sobressaltos, tensão, isolamento, irritabilidade, insônia, pesadelos, anestesiamento emocional, revivescência constante do evento traumático.

(Ana Beatriz Barbosa Silva - "Mentes ansiosas")

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publicado às 09:06



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