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Gravura britânica, publicada cm Londres em 1756. O rei português, D. José I, frente a uma Lisboa em ruínas, pergunta a um padre anglicano quais as causas do terremoto; o sacerdote ptotestante mostra-lhe um "auto de fé", dizendo que "queimar pessoas provoca a ira divina" (Jan Kozak Collection, Universidade de Berkeley, Califórnia).


No ano de 1755, uma série de fortes abalos sísmicos atingiu e dest
ruiu a cidade de Lisboa. Registros da tragédia dão conta de que a bela cidade foi totalmente arrasada por um dos mais violentos terremotos de que se tem notícia. Estima-se, por modernos estudos realizados por instituições especializadas, que o evento sísmico tenha atingido magnitude nove na escala Richter. Cinquenta por cento da população lisboeta, aproximadamente, pereceu naqueles poucos minutos de duração dos abalos (algo em torno de 100 mil pessoas).

Rui Tavares, historiador e tradutor de Voltaire para o português, diz sobre o Grande terremoto em Lisboa:
Mas no século XVIII, mesmo aqueles menos dados às coisas da religião não hesitavam em juntar terremoto e Inquisição nas mesmas páginas. Numa carta dirigida a M. Tronchin de Lyons, datada de 24 de novembro de 1755, redigida pouco tempo depois de receber a notícia da catástrofe de Lisboa, o filósofo iluminista e Franco-Maçom francês Voltaire escrevia:
"(...) Que dirão os pregadores, especialmente se o Palácio da Inquisição ainda ficar de pé? Agrada-me a idéia de que esses reverendos padres, os da Inquisição, terão sido esmagados tal como as outras pessoas. Servirá isso para ensinar que homens não devem perseguir outros homens: porque, enquanto beatos hipócritas queimam uns quantos na fogueira, a terra abre-se e engole a todos sem distinção."
Vê-se, nessas poucas citações, a ferocidade e a ignorância de uma igreja fundada, paradoxalmente, nos princípios da compaixão, do amor ao próximo e da caridade e que, presunçosamente, se dizia "Infalível".
Aliás, para quem se proclamava infalível, a Santa Sé cometeu (e ainda comete) muitos erros. Primeiramente transformou Jesus em um personagem "histórico apresentando-o como "único" filho de Deus (essa palavra único" mudou totalmente o sentido do Cristo, excluindo toda humanidade dessa condição, que é inerente ao próprio Homem). Depois o transformou no próprio Deus, autonomeando-se sua única intercessora na terra. Finalmente, criou seu papa e o tornou infalível.
Sobre essa infalibilidade que o digam, entre muitos outros, os próprios templários e a não menos conhecida Joana D'Arc, "purificada" na fogueira como bruxa e feiticeira e depois, para compensar o "infalível" engano, transformada em "Santa".
Cremos que, por uma questão de justiça, todo o "alto clero" deveria, também, ter sido "purificado" nas fogueiras da santa inquisição, haja vista ser o guardião da maior "feitiçaria" de que se tem notícia e que teve, como ponto de partida, a realização do nefasto concílio de Nicéia, em 325 d.C., sob os auspícios do Imperador Constantino, atendendo a fins exclusivamente políticos (não houve sonho algum de "In hoc signo vinces", isso não passou de mais uma mentira irresponsável, porém, estratégica e muito útil ao imperador e aos presbíteros romanos e alexandrinos).s
Esse concílio foi análogo a um grande "teatro", onde as interpolações e neologismos impostos ao cristianismo primitivo foram consumados mudando, de forma radical, seu sentido e propósito originais. Por não permitir "oposição", aqueles que se levantaram contra os "ajustes" foram, sumariamente, assassinados. (Ver "Nota" Cap. IX - O Cristianismo Hoje.)
Com isso a igreja atrelou o homem ocidental e, sob suas rédeas e o seu chicote, impediu-o, por quase mil e setecentos anos, de encontrar o "Verbo" no único lugar onde Ele poderia ser encontrado: no seu próprio íntimo, na sua própria alma.
Alguém tem conhecimento de feitiçaria maior?
Ressalte-se que, à época do referido concílio, a recém-criada versão romano-alexandrina não era nem a maior das diversas seitas cristãs existentes, porém, em função da sua associação política ao Imperador Romano, que resultou na sua transformação em religião oficial do Império, se apressou em destruir todas as demais (que não concordavam com o "Credo de Nicéia"), eliminando todos os seus vestígios e a maior parte dos seus integrantes, estes cruelmente perseguidos e sacrificados nas arenas romanas.
Como parte do acordo político, permaneceu ativo o culto a "Átis" (um deus solar pagão), antiga prática romana e da qual, o próprio imperador, era sacerdote.
Para não perder a viagem, a nova igreja promoveu, através do hábil truque de colocá-los como os vilões do episódio da "Paixão", a dispersão (mais uma diáspora) dos judeus pelos quatro cantos do mundo. Assim, livre e desimpedida desses incômodos concorrentes, pode agir livremente fazendo o que sempre fez de melhor: proteger e servir os tiranos e os poderosos do mundo, ajudando-os a escravizar os homens livres.
Começava assim, uma das maiores "farsas" de toda a história da humanidade.
Os cristãos puros, adeptos do verdadeiro e primitivo cristianismo, que sobreviveram ao massacre e às perseguições, continuaram a praticar seus cultos, velada e secretamente, porém, espalhados em várias direções.

(C.A.Gonçalves - "Regnum")

 

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publicado às 12:40


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