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Sobre o amor

por Thynus, em 21.07.11
Desta vez, o psiquiatra Paolo Crepet retrata o tema do amor como força fundamental da vida, em todos os sentidos. Amor no sentido oportuno de terapia para o amor: terapias para curar o amor, ser capaz de viver uma vida que não renuncia ao amor; e até mesmo terapias à base do amor.
Durante séculos fizémos todo o possível para não viver de amor. Deixámos esta escolha aos santos e aos loucos, aos poetas e aos utupistas precisamente para termos o direito de dizer-nos –consolando-nos- que não é um tema tão importante para o cidadão comum. Antes de tudo deve estar o trabalho, o dinheiro, o poder, a guerra e a paz, a economia e a política, a família e o Estado, o indivíduo e a comunidade. Chegamos até a pensar que a felicidade pudesse ser vivida sem amor.
Assim se projetam e constroem existências apoiadas sobre palafitas frágeis de analfabetismo emocional. Desenhadas cidades, previsto trabalhos, organizado quotidianidades que pudessem prever vidas emocionalmente superficiais. Até nos esquecemos de ensinar os nossos filhos a comunicar - no sentido empático do termo - convencidos de que seria suficiente a invasão tecnológica e telemática para garantir a cada um de não ficar mais sozinho.
Conversámos durante décadas de alienação, depois organizámo-la em cada local de trabalho e em muitas casas, e agora nos orgulhamos da idéia de que vastos territórios orientais são o cenário de uma transição enorme do ritmo lento dos campos para a loucura do fabrico de arranha-céus. Conseguimos afogar-nos no fazer, o pragmatismo espalha-se como ícone da eficiência e da subordinação global: de modo que não podemos pensar senão na produção de coisas, mas nunca de idéias.
O amor, então, como revolução, como chave mestra capaz de subverter um equilíbrio anestesiado de mentes e liberdade. O amor como exercício espiritual, como o exercício da auto-estima, como fonte de dignidade. O amor como alegoria do tempo necessário para apercebermo-nos que estamos vivendo, não sobrevivendo. O amor como metáfora irrenunciável do belo e do puro.
O amor como oportunidade de aperceber-se do outro, como crescimento, re-apropriação da auto-consciência,do próprio corpo, dos próprios sentidos, da liberdade de pensar e sentir à sua própria maneira.

O que há mais estratégico do que o amor?
Como poderia um político reivindicar a liderança de uma nação se não amar? Como poderia um industrial pretender dirigir mil funcionários se não conhece o sentido da paixão dos sentimentos? Contudo, a história está pavimentada com líderes cínicos e gestores emocionalmente vazios, bem como a maioria de nós. É por isso que, frente à mais profunda crise do Ocidente, não sabemos fazer outra coisa senão replicar as escolhas do passado: fazemos aumentar a competitividade, a violência, a indiferença para com os outros, a mais cínica das ambições. Destruímos para depois reconstruir, matamos para depois perdoar, traimos para depois pedir desculpas.
E se a solução partisse do homem emocional, não mais do homem laboriosus? E se chegasse a hora de tomar e dar lições de amor? E se o resultado real de uma adquirida modernidade correspondesse ao tempo, vontade e coragem que nos concedemos para nos enamorarmos?

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publicado às 20:12



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