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por Thynus, em 04.12.12
"COMUNICO QUE FALECI"

"Este é um documento histórico, que na confusão do dia-a-dia passará despercebido.É um grito no meio da multidão,que vive sem grandes objectivos fraternos.Os valores do amor e da igualdade vão-se esfumando de hora a hora" (Joaquim Carreira Tapadinhas)

Jack Klain, 90 anos, viúvo e afastado dos filhos, anunciou a sua própria morte na secção de necrologia do Correio da Manhã.

"Eu, Jack Klain, comunico que faleci...", lê-se no anúncio colocado por uma agência funerária à qual Jack Klain, nascido em Detroit, nos EUA, e a viver em Portugal desde a Segunda Guerra Mundial, pediu, enquanto estava doente, para que divulgasse a sua morte na primeira pessoa.
Mas Jack Klain não anuncia apenas a sua morte, dá também a conhecer uma profunda solidão por estar afastado dos filhos: "Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizade. A falta da família faz com que o mundo pareça um deserto", lê-se na necrologia. (http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/sociedade/idoso-solitario-anuncia-a-propria-morte )

«Comunico que faleci», pode ler-se no anúncio publicado na secção de necrologia do jornal «Correio da Manhã». Parece brincadeira de mau gosto, mas é verdade. Não é brincadeira. E é triste. Muito triste!

Jack Klaim viveu muito. Noventa anos. Dir-se-á que é a ordem natural das coisas, mas há outra história que se lê nas entrelinhas deste comunicado de jornal: Jack Klaim morreu muito antes desta morte física. Morreu de solidão.
«Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizade. A falta da família faz com que o mundo pareça um deserto», acrescenta o anúncio que deixou tratado com uma agência funerária para que o divulgasse quando morresse. Jack Klaim era viúvo e estava afastado dos dois filhos.
O CM conta que o americano vivia em Portugal desde a Segunda Guerra Mundial, após ter sido atirador de bombardeiros ao serviço dos Estados Unidos e ajudado muitos refugiados a fugir da Europa. Óbito: Afastado da família, encarava a vida como um deserto.

Morreu de solidão, diz a peça. É a causa mais provável, dir-se-á, apesar da provecta idade. Diria que a solidão foi a sua mais constante companheira e derradeira. Feita do vazio de todo o restante - comunidade, família, afectos, às vezes, o espaço físico moldado pela pessoa, a solidão acaba por ser tudo menos vazio, antes cheia de - felizmente - imagens, pensamentos, sentimentos e vozes do que foi a passagem - transicção? - por esta existência. À sua maneira, este Jack Klaim - nome a reter - deixou uma imagem mastábica do seu ser, para quem a ler e ponderar, personificando os muitos como ele, mas sem voz, ou sem capacidade de expressão, ou, quiçá, com vergonha de envergonhar...alguém. Mas se os espelhos reflectem, produzem uma imagem, também é lícito perguntar: qual é a mais real?

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publicado às 11:56


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