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Há duas explanações exemplares que situam a origem das imperfeições humanas como conseqüência da ação feminina: o mito hebraico de Adão e Eva, e o mito grego de Prometeu e Pandora.
O mito hebraico (por demais conhecido e, até, paradigmático) elabora um Paraíso centrado em duas árvores essenciais (a da Vida e a do Conhecimento), nele situa o casal humano primordial e este recebe um único interdito: não aspirar à igualdade com a divina perfeição. Por livre vontade, mas tentado por um veículo do mal externo ao humano (a serpente), o casal rompe o pacto (ao apoderar-se do Conhecimento) e, sendo expulso da presença da Divindade, não consegue apropriar-se da Arvore da Vida; nesse mito Adão acedeu à tentação de Eva, antes assediada pela serpente. A Divindade não os deixou impunes. Para o Homem ("porque deste ouvidos à voz de tua mulher"), o castigo foi comer o pão com o suor do próprio rosto. Para a Mulher disse: "multiplicarei os teus trabalhos e teus partos; darás à luz com dor os filhos, e estarás sob o poder do marido, e ele te dominará".
Por sua vez, o mito grego também está calcado, inicialmente, nos perigos da tentativa de igualar-se aos deuses. Zeus estava irritado com Prometeu porque este houvera roubado o fogo (símbolo do saber e da técnica) e entregue ao gênero humano; para vingar-se, Zeus ordena a Hefesto (deus do fogo, correspondente ao Vulcano dos romanos) que, usando barro, faça aquela que seria a primeira mulher na Terra: Pandora (todos os dons). Zeus a ela entrega um jarro lacrado e a proíbe de abri-lo, enviando-a para Epimeteu (irmão de Prometeu); curiosa, ela rompe o lacre e dali escapam os males que atingirão a humanidade. No fundo do jarro (portanto, em posse da humanidade) restou apenas a esperança.

Parte da penalidade imposta à Mulher pela divindade hebraica, a multiplicação dos trabalhos, parece continuar valendo. De acordo com estudos da OIT (Organização Internacional do Trabalho), do total de horas trabalhadas diariamente no planeta para a sobrevivência da espécie, dois terços o são pelas mulheres (isso apesar da população mundial ser quase paritária quanto ao percentual de masculino e feminino). Da penalidade outorgada por Zeus, felizmente sobrou a esperança.
Pandoras ou Evas, as mulheres, a cada dia, constroem a igualdade dos gêneros. Estava Simone de Beauvoir correta ao dizer que "não se nasce mulher, torna-se"...

(Mario Sergio Cortella - "Não espere pelo epitáfio")

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publicado às 02:36



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