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Paladar

por Thynus, em 16.02.13

O paladar, ao lado da sensibilidade superficial da pele, é nosso sentido mais direto. As papilas gustativas, localizadas na língua, gengivas, epiglote e na mucosa da garganta, precisam do contato direto dos receptores químicos com a comida para que a percepção se efetue. Existem unicamente quatro qualidades de percepção: doce, azedo, salgado e amargo. O grande espectro de sabores resulta do aroma, que é percebido pela mucosa olfativa do nariz. A perda do paladar não é perigosa como sintoma, e por essa razão se atribui a ela pouco valor como doença.
O grande número de fumantes já são sinal suficiente de que não andamos bem no que se refere aos nossos nervos do paladar. Enquanto a propaganda apregoa o fino sabor de cada tipo de tabaco, é exatamente o contrário que é verdadeiro. Nada prejudica tanto nosso paladar como o fumo. De cem fumantes, somente um ainda está em condições de reconhecer sua marca por seu sabor característico. A falta de paladar dos outros já é grande demais. Esta é também a razão pela qual os fumantes raramente gostam de frutas. Eles não estão mais em condições de perceber suas delicadas nuanças de sabor e preferem uma alimentação mais rude, com condimentos mais fortes. Quando consideramos o aumento do uso de condimentos e aromatizantes ao longo dos últimos 200 anos, o resultado é uma sobreexcitação que, por outro lado, corresponde à perda de nossa capacidade de percepção do gosto. Como toda época de restauração, toda cura através do jejum implica também em um novo começo, e mostra como somente uma pequena quantidade de material gustativo é necessária quando se tem a capacidade de percepção intacta. O excesso de condimentos a que estamos acostumados corresponde ao nosso estado normal de sobreexcitação e à tentativa convulsiva de dar à vida um pouco mais de tempero por esse meio. Por outro lado, os aromatizantes artificiais correspondem a uma necessidade genuína, pois até mesmo o paladar mais embotado deve perceber como tudo se tornou insípido. Baseados em nossa cultura de adubo artificial e estufa, fizemos com que a Mãe Natureza se movesse e agora ela sempre nos fornece tudo aquilo que queremos em qualquer momento. Mas ela nos dá somente o corpo de suas plantas, conservando a alma (1). Externamente, os morangos e tomates são maiores e mais bonitos do que nunca, somente o sabor diminuiu de maneira assombrosa. Nós nos acostumamos e compensamos a perda de qualidade com mais quantidade ou com sabor artificial. Nossos nervos do paladar adaptaram-se a isso. Agora são necessárias “coisas fortes" e grandes concentrações para agradar minimamente. Nosso sentido do paladar mostra que temos cada vez menos de cada vez mais.
Isso é confirmado também por nosso entorno. O que fizemos de nós e de nosso mundo não é absolutamente compatível com o bom gosto e corresponde na verdade a uma perda de gosto. Herman Weidelener remete a catástrofe do Ocidente ao fato de que separamos o idioma do gosto, embora ambos estejam unidos inseparavelmente na língua. A boca dos ocidentais deveria estar na testa, já que é quase sempre seu cérebro e quase nunca seu gosto que fala. Ainda assim, receitamos para nosso idioma a mesma cura de grosseria que recomendamos para nossas papilas gustativas. Visto desse modo, um aperfeiçoamento da sensação do idioma e do paladar seria uma terapia para nossa cultura da língua e do gosto.

(1) A alquimia também divide as plantas, como todo o mais, nos âmbitos de corpo, alma e espírito. A parte rígida da planta corresponde ao corpo, à alma corresponde seu óleo, respectivamente mais etéreo e que representa a individualidade e, com isso, também o sabor especial que tem. O álcool liberado pela fermentação, tal como por exemplo o espírito do vinho (conhaque), corresponde ao espírito.

(Rüdger Dahlke - "A doença como linguagem da alma") 

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publicado às 19:50



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